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Turismo sexual e a imagem do Brasil no exterior

É muito comum ver nos fóruns de debate na internet, brasileiros se perguntando o por que da péssima imagem do Brasil no exterior.

Moro na Suíça desde 1991, o que é bem mais da metade da minha vida. Desde o primeiro dia em que cheguei aqui, me deparei com as infinitas diferenças socioculturais hoje para mim mais claras que outrora. Há diversos fatores que influenciam a visão do Brasil aqui na Europa central. Um deles é sem dúvida os longos anos em que o Brasil tinha apenas a cidade do Rio de Janeiro como cartão postal no exterior, e fazia questão de usar a bunda como chamariz turístico, como se o imenso território nacional se resumisse apenas às curvas das belas mulheres brasileiras.

Sabemos hoje os efeitos maléficos que isso trouxe à nossa imagem, e o quanto será difícil de desvencilhar desse estereotipo. Os motivos da nossa péssima reputação são fáceis de entender para os brasileiros que moram aqui no continente europeu. A verdade é que a grande maioria aqui no velho continente ignora o que o Brasil tem de fato a oferecer. Mas será culpa deles? Ou o próprio brasileiro ajuda a manter essa imagem deturpada do Brasil?

Para muitos estrangeiros e brasileiros também, o Brasil ainda se resume ao Rio de Janeiro, ao carnaval, ao futebol, ao samba e à bunda. Essa última tendo se tornado objeto de culto na sociedade brasileira. Mas basta sair um pouco desse eixo do mal, (Rio-Samba-Bunda-Carnaval-Futebol), para entender a complexidade da nossa cultura, que se formou no decorrer dos 500 anos de colonização afro-européia. No Brasil temos uma grande convergência de ritmos, sabores, crenças e cores que vão muito além do que é vendido como a imagem do Brasil.

O alemão, o suíço, o italiano e o espanhol vão ao Brasil com o claro intuito de conseguir sexo barato com as belas mulatas que vêem nos programas de TV ou nos eventos relativos ao Brasil aqui na Europa. Ao verem as mulatas rebolando suas bundas desnudas a um ritmo alucinante, as imaginam fazendo o mesmo movimento em suas camas o que para muitos é uma imagem para lá de excitante, talvez até mesmo a materialização de um sonho erótico.

Não que eu esteja condenando os homens europeus por se enamorarem por nossas mulatas. O que eu condeno é a comercialização irresponsável desse produto, que veio a causar o constrangimento de ser hoje o país da mulata e do jogador de futebol. Nossos principais produtos de exportação.

O europeu pouco culto que vai ao Brasil para praticar turismo sexual é o grande difusor dessa imagem deturpada da nossa nação, assim como um mosquito que propaga uma doença contagiosa, ele espalha essa experiência e atrai outros turistas do sexo nos próximos anos. Mas o que fazer diante dessa verdadeira epidemia?

O turista do prazer se nega a conhecer o Brasil e se limita ao tour do sexo, que os espera já nos aeroportos e os levam direto ao tanto esperado deleite tropical. Eu francamente esperava um pouco mais de preparo mental e consciência social por parte dos europeus tão educados, brancos e primeiromundistas. Entretanto os próprios brasileiros também demoraram muito a se dar conta desse mal, e hoje em dia as medidas tomadas pelos governos de ambos os lados vão surtindo efeito aos poucos, enquanto a indústria do sexo ainda atua em larga escala.

É por esse e outros motivos que recentemente aumentou muito no número de brasileiros barrados nos aeroportos europeus. Não é incomum encontrar brasileiros indignados com o tratamento recebido na Europa, mas em momento algum, os vi fazer uma reflexão que eu considero primordial. "O que será que os brasileiros fizeram no velho continente para que nossa imagem decaísse tanto ao ponto de sermos barrados nos aeroportos?" A imprensa nacional é a meu ver tendenciosa e coloca nossos conterrâneos como coitadinhos, o que não é sempre o caso. Ainda estou aguardando uma reportagem made in Brazil que mostre o que nossos patrícios aprontam longe de casa.

Há algum tempo, quando eu ainda cursava Direito na Universidade de St.Gallen (norte da Suíça), tive que estudar os casos das brasileiras que se divorciavam dos suíços. Basta uma rápida reflexão sobre o assunto para se concluir que de fato essas uniões fortuitas são mesmo destinadas ao falimento, já que tem seu fundamento não no amor, mas sim na necessidade financeira da brasileira e no interesse do europeu que procura uma dona de casa e não uma esposa com quem possa de fato crescer como pessoa e formar uma nova família. Essa realidade se aplica também às caribenhas, tailandesas, filipinas e mulheres do leste europeu.

Na esmagadora maioria dos casos, a união de suíços e brasileiras traz à tona divergências culturais e um abismo social entre ambos. Essas moças que no Brasil não terminaram em muitos casos o primeiro grau, se vêem diante de uma sociedade complexa, onde as regras não são a exceção. Se deparam com um clima hostil tanto no ponto de vista climático quanto social e uma língua difícil de se aprender. Vale lembrar que muitas delas (assim como eu) não dominam nem mesmo o português. A relação que começou com uma aventura em alguma praia do Nordeste brasileiro, termina com uma grande frustração por parte de ambos em uma fria e cinzenta tarde de inverno europeu.

Por fim, essas moças que eram de baixa renda no Brasil, trazem para a Europa os seus costumes, como falar alto, desrespeitar regras, jogar lixo na rua e outras coisas que no Brasil são tidas como inevitáveis. Justo esse modo de se comportar é o que mais se vê entre os brasileiros aqui na Europa e que ajuda também a manter uma imagem negativa do país.

Eu já freqüentei por algum tempo alguns dos tantos locais "latinos" aqui em Zürich e no resto da Suíça e posso dizer sem medo que presenciei incrédulo espetáculos jamais vistos na minha terra natal. Brigas de mulheres alcoolizadas, homens, garrafas e copos voando. Mulheres quase nuas rebolando (muitas delas acima do peso), para o deleite dos europeus que esperam apenas isso da mulher brasileira; uma bunda balançando. Justiça seja feita, muitos brasileiros também procuram parceiras apenas pelo tamanho da bunda. Em suma, um quadro muito triste que denigre a imagem de um país imenso, que decerto tem muitos problemas, mas não se resume apenas ao sexo e à vulgaridade.

Um excelente exemplo é o renomado festival de Montreux, onde já estive várias vezes. Lá, encontra-se gente do mundo inteiro. Mas mulheres alcoolizadas falando alto pelas ruas, vestindo micro-shortinhos com a bandeira do Brasil só as nossas conterrâneas. Agora caro leitor, pergunte-se que idéia os europeus farão do Brasil ao ver esse tipo de comportamento com tanta freqüência aqui na Europa? Inclusive a noite brasileira foi cancelada alguns anos justamente por causa desse triste espetáculo, por causa da prostituição e das confusões generalizadas que aconteciam nas noites brasileiras.

Deixo claro que a culpa não é apenas das moças brasileiras. Pois ninguém tem culpa de nascer em um contexto social pouco favorável ao desenvolvimento humano e cultural. Os europeus que vão garimpar garotas nos países do terceiro mundo e usam o fator pobreza, é que são os vetores dessa epidemia difícil de se curar. As garotas brasileiras só estão aqui, porque há demanda. Se os europeus fossem um pouco mais seletivos com quem envolvem quando saem de férias, a situação seria outra, ou talvez não.
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 28/12/2005
Reeditado em 04/02/2016
Código do texto: T91215
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
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Ullisses Salles