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O clássico

Hoje vou tentar falar sobre algo que cada um dos 180 milhões de brasileiros já falou um dia. Não, é sexo, mas dá um prazer enorme. Não é religião, mas envolve misticismo e muita, muita fé. Não é política, mas cria tanta polêmica que poderia ser debatido em plenário. Não é mulher (nossa paixão nacional), mas também é lindo de ser ver.

Eu já tive a oportunidade de presenciar alguns desses eventos mágicos, onde por um momento todos os olhos se voltam para o mesmo objeto, onde todas as mentes pensam e buscam a mesma coisa, onde todos os corações correm dentro do peito, de um lado para o outro como quem quer sair como um gozo contido.

Sim, você acertou. Estou falando de futebol. Não é lindo? Só a palavra futebol me faz vir à mente tantas lembranças boas (algumas amargas). Lances, fotos, lágrimas de alegria e de desgosto. Beijos, abraços, pedidos, promessas, homens, mulheres, velhos, crianças, frases, quadros, poesias, filmes, músicas... quanta coisa esse tal de futebol me faz lembrar.

Aquela singela esfera branca (o que está deixando de ser regra por causa da moda), correndo nua pelo tapete verde. Lá na arena onde os 22 gladiadores se enfrentam diante de milhares, milhões, bilhões de olhos atentos, e corações aflitos. Como no macro e no micro cosmo, tudo gira ao redor daquela esfera. Ela exerce uma força de atração infinitamente maior que a atração do sol. Ela supera a lei da gravidade, e flutua leve pelo ar... Prendendo a respiração dos que seguem sua trajetória.

Se o incomparável Pelé (assim falou a rainha da Inglaterra), é o Rei do esporte mais popular da galáxia. Ela é sem dúvida a Rainha. Ela. A bola, a gorduchinha, a redonda, la pelota, the ball, la palla, der Ball... Todos somos seus súditos, desde os "Zé Batalhas" aos "Brazucas" bons de bola.

Todos nos acomunamos em um único desejo durante aqueles mágicos, infinitos e por vezes inesquecíveis 90 minutos. Como disse o nosso grande poeta Chico, já nascemos com pernas compridas e muita malícia, para correr atrás da bola... Salve salve o futebol, que apesar de todos os pesares, ainda guarda dentro de si aquele ar de nostalgia, aquela poesia tantas vezes despercebida pela massa, mas que sem dúvida, sempre esteve lá, como um sol encoberto pelas nuvens

Bendita seja a Inglaterra que inventou o football. Bendito seja Pelé que inventou o futebol. Bendito seja Dieguito que encantou o mundo com sua técnica e sua garra. Bendito seja Zico, que com sua simplicidade e sua classe se tornou o mais querido do mais querido e de toda uma geração. Bendito seja o Baixinho, que mesmo com toda sua "marra" já chegou aos 900 gols (respeito). Abençoados sejam todos aqueles que de algum modo contribuíram para que o futebol se tornasse isso o que ele é.

Uma grande festa, uma grande poesia, um complexo mosaico de gente, de sonhos, de fé, de sentimentos opostos que se complementam dentro de um único peito, e dentro de cada peito.

Domingo é dia de Fla x Flu, o clássico mais badalado do Brasil. E eu, como um amante do futebol, e um fanático torcedor do mais querido estarei lá em pensamento, ouvindo no radinho ou vendo pela TV o meu time do coração em busca de mais uma glória, embora que pequena, afinal trata-se apenas da Taça Rio. Mas a vida é assim mesmo, feita de pequenas conquistas.
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 28/12/2005
Reeditado em 19/10/2011
Código do texto: T91244

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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
219 textos (69783 leituras)
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Ullisses Salles