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Sigilo bancário

O camarada era um purgante. Era não, é, pois o distinto continua andando por ai. Alguns dizem (os detratores, é claro) que ele não é um purgante mas o seu efeito mas isso não importa. Pelo menos por agora.
O dito andava por aí espantando umas e outras até que um dia apareceu uma garota que se interessou por ele. E a garota era uma gatinha. Foi um espanto geral afinal, um cara chato e bobo como aquele não poderia, por vias normais, descolar uma garota daquelas. Sim senhor, uma potrinha de dar água na boca de qualquer garanhão.
Com o tempo o namoro ficou sério e acabou em noivado. Ele deixava seu carro com a menina, abriu conta conjunta e já estava naquela de divisão de tudo. Como se já fossem casados.
Um dia, por necessidade de serviço viajou por alguns dias para a Capital e lá passou o final de semana. Foi triste e abatido.
Dias após, de regresso à cidade foi surpreendido pela carta de cobrança para resgatar um cheque sem fundos sob pena de processo e outros bichos. Foi ao escritório de cobranças e quitou resgatou o cheque verificando que  o mesmo fora  preenchido por sua noiva e em seu verso estava anotada a placa de seu carro. Estando com sua noiva horas mais tarde contou-lhe o acontecido e quis saber o que acontecera e ela explicou-lhe que havia colocado combustível no  carro, trocara óleo e mandara lavá-lo e, por distração, não verificou que tinha menos dinheiro no banco do que imaginava e, como de costume, no posto anotaram a placa do veículo.
Apesar de satisfeito com a explicação cismou o cretino de ir ao posto para pedir desculpas pelo acontecido. Lá chegando foi informado que tal cheque não fora passado ali. Intrigado começou a pesquisar e depois de pouco tempo soube que o cheque fora passado em um motel. Foi até ele e verificou que o dito cheque fora dado por sua noiva, em dia que ele estava na capital. Pode-se imaginar não ? A noiva tão amada levar um camarada para um motel em seu carro e pagar a despesa com um cheque seu. Foi choro e ranger de dentes. Ameaças de morte e de suicídio. Foi um escândalo dos diabos.
No último sábado encontrei-o num shopping mas não deu para falar com ele devido à sua pressa. Estava ele com a mesma noiva ultimando as compras para o casamento.

Dario Castellões
Enviado por Dario Castellões em 30/12/2005
Código do texto: T92397
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Sobre o autor
Dario Castellões
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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