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O tal do Xenical

Fui apresentada ao medicamento Xenical por uma amiga.
Estávamos no Mc Donalds e, para minimizar meu sentimento de culpa, ela me deu uma cápsula e pediu para que eu o tomasse. O Xenical veio acompanhado apenas de uma orientação de minha amiga: “Olha, Renata, só não vai soltar pum”.
Tomei a cápsula de Xenical e iniciei minha reflexão sobre a frase filosófica do “pum” que minha amiga havia mencionado. Não demorou muito e descobri os efeitos do Xenical e a profundidade daquela frase que mudaria meus conceitos sobre puns e afins.
O Xenical elimina pelas fezes até 30% da gordura dos alimentos ingeridos. Esqueceram de dizer nessa propaganda do Xenical que através dos gazes também. Aí, você inocentemente solta um pum, outro e outro, daqueles punzinhos de nada. E no outro dia acorda com a calcinha cheia de gordura.
Parece mentira, parece gozação... Mas não é!
Da próxima vez que ingerir uma cápsula de Xenical, nada de soltar um pum com a maior naturalidade. Deve-se segurar os gazes a todo custo dentro da barriga e só eliminá-los no vaso sanitário, sob o risco de ter que ficar duas horas esfregando calcinhas com sabão de coco.
No orkut há uma comunidade chamada: “Tomei Xenical e me borrei toda”. Como apenas ingeri uma cápsula sofri o trauma apenas do pum, mas amigas que tomam de duas a três cápsulas por dia relatam uma incontinência fecal. É isso aí, algumas acabam até usando absorventes higiênicos noturnos, 24 horas por dia, nos 30 dias do mês.
É hilário. Será que vale mesmo a pena usar um semi-fraldão geriátrico o mês inteiro só para eliminar a gordura dos alimentos?
Quando ia ao banheiro, junto com as fezes, via bolas e mais bolas de gordura alaranjadas. Um nojo! Aí passei a pensar nos outros 70% da gordura do alimento que ainda restavam dentro de mim entupindo minhas artérias.
Estou tomando coragem para comprar uma caixa de Xenical e tomar no próximo mês. Seria engraçado. Já até comprei umas calcinhas cor de salmão para as manchas de gordura laranja não aparecerem caso eu não agüente segurar um pum.
Mas o medicamento, à venda sem necessidade de receita especial nas farmácias, é muito caro. Chega a ser vendido por R$180. Vale mais a pena fechar a boca, abdicar da picanha e das frituras e dar uma caminhada à pé de vez em quando.
Renata Poskus Vaz
Enviado por Renata Poskus Vaz em 15/04/2008
Reeditado em 15/04/2008
Código do texto: T946713

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Sobre a autora
Renata Poskus Vaz
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
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Renata Poskus Vaz



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