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Eu Motor!

Meu corpo se abre
E n''uma combustão
Tal qual um pistão a dez mil RPM
explode em toda sua fúria

Grita, geme e chora!
O câmbio engasgado do meu sorriso
com suas engrenagens gastas e cansadas
Continua engatado, esperando o soltar
da embreagem do meu coração

Coroa, corrente e pinhão,
dilacerados por tanto uso
refletem meu cérebro,
já quase sem nenhuma força
que faça a roda da vida girar

No limite da rodovia
a cento e dez por hora
O carburador da alma
sofre com os resíduos de
um combunstível sujo e seco
carinhosamente proporcionado
pela maldade humana

Com a poluição no rosto,
que a viseira do mundo não
consegue segurar
paro no próximo posto e,
exausto, reviso-me por completo
a cada rotação marcada no conta-giro

Minha bateria, de retificador e estator
danificados, fruto de incoerência e falsidade
já não dá conta de sinalizar direções,
extinguir o escuro, alertar o perigo

E na rodovia conservada, de chão negro
enfeitado, com margens rasas e avisos,
sigo forte, fugindo de mim mesmo,
escondendo em minha própria sombra
acelerando e reduzindo, conforme os
radares da vida, até o freio da vontade
não mais responder a meu comando.

F. Pinéccio
Itapira/SP
24/09/20 05
02:13hrs



Pinnas
Enviado por Pinnas em 15/01/2006
Código do texto: T98992

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Sobre o autor
Pinnas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
46 textos (14848 leituras)
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