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Não perca seu tempo

A vida é muito curta. E se não a aproveitarmos ao máximo, a vida passa e a gente nem vê.
A vida é sim muito curta. E não menos frágil. A qualquer minuto, a qualquer simples fato, podemos cair em uma cama, doente, ou até mesmo mudar de plano. Morrer! Este é o medo de milhares e milhares de pessoas, que se esquecem do presente, pensando apenas no futuro. E por isso, quando estão à beira da morte, o filme que passa em suas cabeças pode não ser tão agradável, trazendo a frustração de uma vida perdida com preocupações e responsabilidades demasiadas. É a Síndrome do Querer. Todos estão sempre querendo, e quando conseguem, sempre querem mais e mais. Eu sou um deles, admito. Raul Seixas transcreveu na música Gente, essa verdade:
"Gente é tão louca e, no entanto tem sempre razão, quando consegue um dedo já não serve mais, quer a mão..." .
É claro que todos nós temos responsabilidades, preocupações do cotidiano. Mas somos todos exagerados. Não estamos carregando os pecados do mundo, não temos a obrigação de sermos lembrados, após o desencarne, como "aquele homem, aquela mulher, que lutou a vida inteira pra ter do bom e do melhor...". Um simples escorregão no meio fio, n'um domingo de sol é o bastante pra darmos um pacote fechado a nossos familiares, composto por correrias, preocupações, lágrimas e tristeza. E também um pacote fechado de lucros à empresa funerária. Por isso, passemos a enxergar a vida como uma colônia de férias. Onde devemos conseguir dinheiro apenas para nossas necessidades absolutas, e não para desfilar nas ruas com um carro que daria pra comprar uma casa com três quartos e sairmos do aluguel. Não é tarefa fácil, mas é preciso tentar. Tentar esquecer os valores, os conceitos de uma sociedade que nos impõe leis e decretos, dos quais somos obrigados a atender com perfeição. Experimente olhar mais para sua família, dar mais atenção à sua mulher e seus filhos, e menos ao seu chefe. Experimente sentar á beira de um lago, com uma varinha de caniço e meia dúzia de minhocas. Reúna-se com os amigos, com os Amigos, tome a bebida de sua preferência, coma churrasco, namore. Um bom banho de lama, naquela poça que se formou devido à última enchente pode transformar uma tragédia em diversão. Veja as coisas ruins com humor. Isso vai ajudá-lo a "segurar a barra". Nem tudo é consumo, nem tudo é trabalho. Ainda existe a vida. E se passarmos a vida toda dentro de um escritório, com pilhas de papéis em cima da mesa, talvez não nos reste tempo de dizer Eu Te Amo, de plantar uma árvore, de escrever suas memórias em rascunhos, sonhando publicar aquelas dezenas de poemas que estão na caixa em cima do guarda-roupa. Sonhe! Vibre! Comemore! Aventure-se! Não se prenda a preconceitos idiotas e sem sentidos. Ame! Deixe-se levar! Tente outra vez. Se não deu certo hoje, quem garante que não irá dar certo amanhã? Se tiveres medo de tentar, quem garante que não seria a melhor decisão de sua vida?
Amanhã estaremos velhos. Se ainda estivermos aqui. E olhando nossos netos no quintal, correndo, brincando, os aconselharemos a não levar a vidinha fútil e vazia que seu avô levou.



Epitáfio
(Ségio Britto)

Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar.


"É que gente, gente nasceu pra querer..." - Raul Seixas

F.Pinéccio
(19/12/2004)



Pinnas
Enviado por Pinnas em 15/01/2006
Código do texto: T99203

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Sobre o autor
Pinnas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
46 textos (14848 leituras)
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