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Margaridas e saudades....

Um manto de margaridas agora te cobrem.... singelas e belas.... alegres ao vento... viçosas e cheias de vida.... é uma festa quando chego perto.... fico a admirar a beleza e simplicidade dessas flores tão formosas e miúdas...
Folhas verdes, petálas brancas e pólen amarelado, se desprendem ao vento ou são levados pelas abelhas que buscam-no para o seu néctar.... pulverizando também outros lugares perto daqui....
Margaridas em botões, entre-abertas, expostas ao sol.... desabrochando para a vida.... essa que continua no seu ritmo de sempre.... dinâmica e fulgaz.... algumas já ressecadas pelo tempo esperam cair ao solo, para juntamente com outros elementos, adubarem a terra que com o passar dos dias vai-se tornando cada vez mais fértil.... sendo um canteiro ideal para crisântemos, begônias, adálias, sorrisos de Maria, e as próprias singelas margaridas....
Contemplo tudo isso... faz-me pensar que tudo é vida.... que é a vida que brota de algo que aos poucos não vai restando nada.... que vai sumindo.... não penso em coisas tristes e mórbidas.... pelo contrário, penso na vida que vai brotando de uma terra fértil.... cultivada por mãos de uma mulher....
Medito aquilo que vivo hoje.... só hoje, pois o amanhã é o agora, e o passado o milésimo de segundo que acaba de passar enquanto aqui estou sentado a pensar em tudo isso ou enquanto escrevo....
É estranho, mas vou aceitando as coisas com mais naturalidade e resignação.... é o tempo..... ele é nossa consciência e bálsamo cicatrizador.... o tempo é perfeito.... "para tudo há um tempo..."
O silêncio ajuda-me ainda mais a entrar nessa mística da vida e morte.... a brisa em meu rosto, nas árvores e flores.... nas minhas margaridas que bailam, fazendo-me acompanhar os seus movimentos alegres e divertidos.... vejo formigas que andam sobre a terra adubada.... em fileiras....
Confesso que sinto saudades de quando não venho aqui.... ver esse lugar que me conforta.... que acalma o meu interior.... não sei se esse sentimento é meio estranho e esquisito.... mas é minha natureza.... sinto-me assim... é como se viesse ao encontro de uma paz que não vejo onde estou.... não sinto... também com o tumulto que vivemos, só aqui mesmo dá prá sentir isso.... essa oposição de realidades e espaços.... de ritmo de vida e de descanso total.... literalmente descanso total....
Mas é hora de ir.... a vida lá fora espera-me.... com suas agitações e preocupações que aqui não existem e nunca existirão.... despeço-me de ti, daquilo que te resta, com saudades no peito e as levo comigo.... sim, porque mesmo aqui as saudades não ficam como as margaridas.... vão-se as saudades, ficam-se as margaridas.... acompanhar-me-ão pela vida, enquanto existir também....
Canto uma melodia que faz-me lembrar de nós dois..... linda!, e que cantava quando estávamos juntos... parece que ainda vejo o teu rosto de alegria, sorrindo para mim... faz-me chorar e rir... derramo algumas lágrimas misturadas com saudade, não dor.... é bom sentir isso hoje.... algumas gotas caem sobre as margaridas.... absorvem-nas para ti.... junto às margaridas elas ficam..... contigo.... e tu ficas comigo.... pelo caminho que vou.... sempre....
André Ícarus
Enviado por André Ícarus em 16/01/2006
Código do texto: T99437
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Sobre o autor
André Ícarus
Recife - Pernambuco - Brasil, 38 anos
197 textos (20702 leituras)
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André Ícarus