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Rotina da manhã



Acordei e logo percebi que se tratava de uma bela manhã. Pulei cedo da cama e ao abrir a janela já fui me desculpando com os pássaros. Hoje, não poderia ficar ouvindo o recital matutino, pois não havia como não atender, prontamente, o chamado da natureza. O convite para ir ao encontro da manhã estava implícito no perfume que invadia o quarto e na claridade que coloria os lençóis amassados. Impossível ignorá-lo.
Entendi-me com essas criaturas delicadas e nada rancorosas, para meu agrado. Comprometeram-se a realizar o concerto do dia quando retornasse da caminhada. Adorei a idéia. Um deles, que deve ser influente naquela “comunidade”, me faz sempre companhia no café da manhã. Entra sem cerimônia na cozinha e partilha comigo os momentos deliciosos em que tomo meu café. Aliás, a bem da verdade, ele praticamente o divide comigo!
Ao terminar, fui logo saindo. O coração pulsava tão alegre que por pouco não percorri o caminho saltitando. Céus... Precisamos manter a compostura, afinal... "Quem vê cara não vê coração".
 No bairro onde moro, há uma praça belíssima, ampla e arborizada. Lá, me delicio toda manhã, pois posso caminhar  em alguns momentos, até de olhos fechados, com relativa segurança. Fui absorvendo o aroma deste pedacinho da natureza, onde percebi uma mistura deliciosa de perfumes, cheiros que me invadiram e provocaram as mais diversas reações. Concentrei-me também nos sons que tudo ali emitia. O farfalhar de folhas, os movimentos atrevidos da brisa, a dança das flores, enfim, o som da existência!
Aproveitei e fui orando. Orar é, em verdade, unir-se ao todo, à vida, que é energia pura, bela, criativa e poderosa. Contemplação! Uma sensação indescritível!
Inadvertidamente, tropecei e dei um encontrão com alguma árvore, ou seria uma pessoa? Um esbarrão básico, coisa à toa. Mais que depressa me levantei, desculpei-me e segui adiante como se fosse parte do passeio estes "contatos" naturais.
Na vida o importante é a intenção. Mesmo que ela se expresse como joelhos ralados, galo na testa... Quem se importa?!
O que conta é a alegria de poder caminhar, dar asas a imaginação e perceber as sutilezas da vida.
Voltei radiante, com o coração leve, a mente ágil e revigorada, um sorriso nos lábios e...  mancando!
Enquanto entrava em casa ia conjeturando, desejando de coração que a jornada de hoje fosse feita com os olhos bem abertos... Afinal, a vida está aí para ser vivida e devemos desfrutar o que está ao nosso alcance. E para isso precisamos estar sempre atentos e "ter olhos para ver e ouvidos para ouvir"... além de um enorme senso de humor!
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 16/01/2006
Código do texto: T99609
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
1286 textos (215197 leituras)
1 e-livros (148 leituras)
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Priscila de Loureiro Coelho