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A VIOLÊNCIA NA ESCOLA


        O Brasil passa atualmente pelo o que os especialistas denominam de Sociedade da Insegurança, isso é facilmente constatável quando da observação pura e simples dos elevados e desenfreados índices de violência que acomete a todos os brasileiros indistintamente; a violência na sociedade brasileira ganha contornos epidêmicos, a escalada crescente da violência é no presente, e será num futuro próximo o maior dos fenômenos sociais. A Sociedade da insegurança em que todos nós – especialmente os brasileiros –, estamos submetidos, não conhece limites, é uma violência cercada das mais variadas formas: V. no transito, V. policial, V. doméstica, V. no Campo, V. nos estádios de futebol.
Nesta breve abordagem, tentaremos delinear as condicionantes do fenômeno da Violência Escolar, aí incluso, todos os agentes do fazer pedagógico, a saber: professores alunos, gestores, psicólogos, país e responsáveis, isso sem deixar de lado as consequências diretas e indiretas que a violência na escola repercute na sociedade na qual está inserida. Qualquer esforço no sentido de entender ou identificar as razões que promovem tamanha violência nas escolas, passa necessariamente por uma análise conjuntural da sociedade onde a escola se encontra, prioritariamente no tocante aos aspectos históricos, econômicos, culturais e de produção, sendo estes os constituintes de toda a base da matriz geradora de todos os conflitos, disparidades, interesses conflitantes e toda a sorte de agressões a que estão submetidos os agentes no processo do fazer educação na nossa sociedade e na nossa escola.
Os procedimentos educativos, instrutivos, de transmissão de conhecimento, de lazer, e entretenimento, que se encontra sob a batuta da formalidade, está direta e indiretamente subordinada ao modo de produção de bens e de consumo da sociedade, e como tal é tocada a reboque do nível de desenvolvimento da economia – no nosso caso, uma economia determinada pelos preceitos e normas doutrinárias do capitalismo –, onde esses procederes educacionais se efetivam.
Uma sociedade capitalista como a nossa, marcada pela desigualdade, exacerbamento do consumo, meios privados de produção, onde se prioriza o "Ter" em detrimento do "Ser", do "Conhecer"; onde se vive cotidianamente em um coletivo social marcada pela insegurança, pela desordem, pela corrupção de toda ordem, pela violência banal e generalizada, nada mais consequente entender o porquê desta onda expansionista da violência urbana ter alcançado os domínios privativos da escola e mais, contar com a tolerância e aceitação dos seus membros constitutivos.
A sociedade da insegurança em que vivemos produz invariavelmente uma violência quase generalizada beirando as raias da anomia social. É neste contexto de Estado-de-violência institucionalizada em que homens e mulheres são barbaramente vitimados. Escola e sociedade guardam entre si estreitíssimos laços de interdependência e pode, uma e outra serem concebidas como a resultante de uma relação de mão dupla, e, em assim sendo, a escola incorpora, reproduz, repete e reflete todos os aspectos da sociedade, sejam eles positivos ou não aceitáveis pelo resto do conjunto social.
A escola que ai está é a materialização dos interesses e da ideologia burguesa nacional; é, em última instância, um mecanismo multifuncional dentro da máquina e da lógica perversa do capitalismo pensada para cumprir eficazmente seu papel. O instituto ou instrumento de controle social escolar, possui seus particulares dispositivos reguladores: evasão, repetência, reprovação e exclusão, são o que de mais perverso se pode verificar no interior das praticas pedagógicas das instituições formais de ensino, o indivíduo vitimado por um desses processos acaba por introjetar para si o estigma do fracasso, da incompetência, da incapacidade, do fracasso; uma vez introjetado esses conceitos negativos, esse mesmo individuo é lançado, jogado no meio social onde via de regra, exigem-se certas habilidades, determinado domínio para ocupar, desempenhar funções laborativas e remuneradas que, o meio onde ele vive requer; desprovidos de tais domínios, mais uma vez é rejeitado, excluído do contexto produtivo e da sociedade de consumo capitalista.
É desse homem, dessa mulher, multi-vitimados que estamos tentando delinear a gênese da violência urbana, rural, familiar e escolar; é nesse universo de inter-relações intrínsecas – de natureza econômica, histórica, social e cultural –, que se encontra enraizada toda as fontes e formas de violência; a violência escolar alcança índices alarmantes na nossa sociedade, ganha contornos epidêmicos e faz alunos, professores, gestores e a comunidade reféns de uma sociedade capitalista, injusta e violenta.
A violência contra os professores tem preocupado sobremaneira especialista em segurança pública e autoridades no assunto; variados foram os diagnósticos, inúmeras são as propostas que apontam no sentido de equacionar ou minimizar tal fenômeno, mas, definitivamente nenhuma medida, até o presente momento conseguiu debelar, controlar ou acabar com a crescente escalada da violência na escola no nosso país.
Considerando que a escola é palco e espaço onde diversas ambiguidades e conflitos de interesses convivem diuturnamente, é quase normal que aos olhos do senso comum, a violência escolar apresente-se como um fenômeno aceitável, e até de fácil convivência, contudo, há de se registrar que a tolerância existente entre as mais variadas manifestações de violência para com a figura do Estado brasileiro é a mais clara tradução da ausência de um Estado-providência, atuante, combativo; essa, via de regra, é uma vertente explicativa para tamanha violência nas escolas e na sociedade brasileira.
Não há medidas e ou soluções mágicas, mas, defendemos tacitamente a mudança de postura daqueles que sofrem qualquer manifestação de violência por menor que seja, para tanto é preciso que denunciemos a violência, nesse sentido, guardadas as devidas proporções cabe igualmente às instituições escolares adotarem uma postura que implique na mudança do paradigma escolar; via de regra, as análises que tratam do tema, comentem a infelicidade de apresentar respostas parciais, fragmentadas quanto à violência escolar. Quem sabe uma possível alternativa não resida no fato da escola abrir mão do poder de discriminação? De autoridade?
Faz-se necessário uma reação organizada por parte de todo o corpo de atores sociais que compõe o organismo escolar, é mais que urgente que escola e sociedade conjuntamente desenvolvam mecanismos cuja função primeira objetive a superação do fenômeno da violência escolar que, em muito, toma de assalto milhões de jovens, adultos e profissionais da educação, expondo a todos a uma situação de constrangimento e vergonha nacional.
A violência na escola existe em função da violência em descontrole do Estado violento brasileiro; e como tal, a Escola como um dos seus sub-produtos de controle social, incorpora tal fenômeno. Indiscutivelmente, vive-se no Brasil um processo histórico-social balizado pela retroalimentação sistemática da violência nas suas mais variadas facetas e ou dimensões.
Não seria nenhum exagero sentenciar que o Brasil longe se encontra de oferecer aos seus filhos e patrícios uma escola de qualidade e distanciadas dos vícios dum capitalismo perverso e terceiro mundista como o é o capitalismo brasileiro. Unamo-nos todos por um sistema educacional nacional gratuita e de qualidade, por uma educação e uma escola emancipatória e libertadora.

Palavras-Chaves: Escola. Poder. Alienação. Estado.
Área de Interesse: Educação. Sociologia. Política.
 

DIMAS CASSIMIRO: ACADÊMICO DE DIREITO; PROFESSOR, (Licenciado pela Universidade Federal de Pernambuco- UFPE, Campus, I; Recife); PEDAGOGO, (Licenciatura Plena em Pedagogia, pelo Instituto paraibano de Educação, UNIPÊ, João Pessoa, PB, campus, I); PÓS-GRADUADO, (Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa, PB, campus, I); MESTRANDO EM EDUCAÇÃO, (Universidade Federal da Paraíba, UFPB, João Pessoa-PB, campus, I); MILITANTE E DIRETOR DA ESCOLA DE FORMAÇÃO POLÍTICA DO PCdoB, secção Timon-Ma. ESCRITOR, ENSAÍSTA E POETA, (pela academia virtual de literatura: RECANTO DAS LETRAS, onde atualmente conta com mais 520 textos, todos de sua autoria e, aproximadamente, 3000.000 trezentos mil leitores que o seguem na rede mundial de computadores). cassimiro1000@hotmail.com         contato: 86.98892-9892
Dimas Cassimiro
Enviado por Dimas Cassimiro em 06/06/2008
Reeditado em 24/07/2015
Código do texto: T1022770
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Sobre o autor
Dimas Cassimiro
Teresina - Piauí - Brasil, 49 anos
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Dimas Cassimiro

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