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Tristeza (?) Social

Não venho aqui para exaltar valores demagogos ou para levantar a bandeira da anarquia.Eu não venho aqui para liderar a juventude rebelde pronta e apta para atacar o sistema. Eu venho aqui, não para proclamar a minha decepção com os humanos e para tentar modificar todos os valores repudiáveis adquiridos ao longo de uma história de cobiça, riquezas dentre outros... Venho aqui para declarar uma certa tristeza. Venho aqui para declarar talvez até mesmo um certo conformismo. Estou cansado de ver críticas. Estou cansado de ver ódio. Estou farto de não ver mudança. Ou melhor, a minha outrora tão sonhada utopia. Sim. Eu já sonhei com um mundo melhor. Eu já sonhei com um mundo justo, com um mundo de paz. Já naveguei por ilhas ideológicas diversas, e hoje estou aqui, ilhado em meu mundo. Minhas revoltas pessoais e colisões com o chamado “sistema” hoje não passam de lembranças. Eu desisti de tudo...
Por qual motivo digo isso... Bem, ao longo de minha vida, como disse, muitas ideologias fizeram parte de minha mente. Através de uma em específica, que não vem ao caso citá-la, descobri talvez o “verdadeiro” rumo das coisas. Não adianta querermos acabar com os políticos corruptos, não adianta querermos dividir igualmente as fatias da pizza econômica. Para que pensar em política? Sim. Eu como indivíduo social me recuso a pensar nisto. De nada adiantaram minhas revoltas enquanto milhões permaneceram parados sentados em suas poltronas observando a vida passar na tela da televisão. Não adiantou eu dar esmolas consideráveis a mendigos enquanto no dia seguinte eu fora assaltado por pessoas na mesma situação que ele. De nada adiantou a minha bandeira do Brasil em meu quarto enquanto a ascensão do império do Tio Sam continuava desenfreada e via meus companheiros usando Nike. De nada adiantou. Nada. Eu continuei minha vida. Não fiquei rico. Não montei minha comunidade comunista, socialista, ou nacionalista. Nada mudou.
Clamaram-me de hipócrita, de demagogo, de falso militante, descrente de minhas ideologias, enfim, uma série de agravos. Nada disso absorvi. Apenas uma coisa dentre as muitas despejadas em mim eu decidi acolher. O “sistema” me deu BOAS VINDAS. E hoje estou aqui. Não quero dizer que estou de acordo com cada idéia imposta por este a mim. Mas a cada vez que isso ocorre eu me pergunto: O que devo fazer? E cai a resposta pesada na sala escura de minha mente: NADA. Sim, nada. Pois mesmo que queira fazer algo, muitos não o farão. Muitos. Mas muitos. O suficiente para tornar minha rebeldia nula. Mas o que fazer então? ! Continuar sofrendo calado? ! Sim. Calado. Se não me falhe a memória, eu faço parte deste sistema. Assim ele me é imposto, na hora de meu nascimento. Não há escapatória. Não há mudança.
Cheguei em uma fase da minha vida onde percebi que eu não posso me rebelar contra o meu meio. Pois sem ele eu não vivo. Está cansado do “sistema”? ! Vá para uma ilha deserta sem roupas nem nada e seja feliz! Está cansado de pagar imposto? Não pague, vá preso e seja feliz! Está sem dinheiro e está insatisfeito com seu salário? ! Mande seu patrão para aquele lugar, seja demitido e seja feliz! Não agüenta mais nada e não vê solução? ! Se mate e seja feliz!
Uma vez ter feito a crítica, agora lhe mostro a MINHA solução. Não queira mudar. Adapte seu meio de forma que o satisfaça. Estude muito e seja rico! Tenho certeza que nesta condição você adorará o sistema... Não há escolha. É assim. Ou você vive ou não. Quer mudar? Mude a idéia de 170 milhões de pessoas. Difícil não é? Quer tentar, boa sorte. A minha opinião individualista não irá interferir na sua jornada. Caso consiga, eu mudo minhas idéias, e mais uma vez farei parte de um sistema. De mais um NOVO “sistema”...
Kleiner Teufel
Enviado por Kleiner Teufel em 28/01/2006
Código do texto: T105197

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Sobre o autor
Kleiner Teufel
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 27 anos
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