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POSSE DE DIRETORIA NA ARL

SOLENIDADE DE POSSE (TRANSMISSÃO)  DA NOVA DIRETORIA DA ARL:
BIÊNIO 2006 / 2007

Discurso proferido pelo ex-presidente Antônio Carlos Tórtoro, no  dia 10 de março de 2006, na Sociedade Legião Brasileira Civismo e Cultura de Rib. Preto.

Boa noite a todos.

Primeiramente quero agradecer aos requerimentos enviados pelos vereadores Capela e Fátima Rosa, e lastimar a indelicadeza e agressividade contidas no requerimento do vereador Cícero Gomes da Silva no qual desmerece o trabalho desenvolvido pela diretoria anterior da qual fui presidente.

Presidente Menalton João Braff, vou dar início ao meu último discurso como membro da ARL , mencionando um trecho de carta enviada pelo saudoso e ilustre acadêmico Antônio Machado Sant’Anna ao seu amigo Dr Rubem Cione :


“ Por que esse combate sistemático , subterrâneo,  melado , contra os que querem servir Ribeirão Preto ?”


Desde que, em 356 a.C., um certo Erostrato incendiou o templo de Ártemis , em Éfeso — com isso visando a que seu nome fosse “para sempre lembrado entre os helenos” —,de vez em quando alguém decide se promover agredindo algo maior e mais belo do que sua própria pessoa. Foi isso que fez recentemente um acadêmico, que foi muito bem recebido pelos seus pares na ARL, e que, com vontade de aparecer na imprensa local, levou para um jornal da cidade a informação de que chapas estariam duelando pela presidência de nosso sodalício, quando, na realidade, não existia duelo algum, nem mesmo disputa, tendo em vista que não enviei nenhuma carta pedindo votos, não fui buscar em sua casa nenhum dos antigos membros, não dei nenhuma ligação desesperada para conseguir votos. Logo, se houve algum duelo,  eu me apresentei frente ao meu adversário sem armas, de mãos para o alto e sem nenhum motivo pessoal para duelar.
Quero dizer também, que faltou ética ao jornalista da TV que se deixou deslumbrar com o poder de destruir, e não investigou o bastante para dizer a verdade, e essa atitude foi tomada em nome de, dito por ele mesmo, uma amizade com Menalton Braff.
Felizmente, esse cidadão antiético já não faz mais seu programa mentira.
          Infelizmente a imprensa escrita ( antes das eleições)  não nos deu espaço suficiente para esclarecermos alguns acontecimentos que antecederam e permearam a eleição da nova diretoria da ARL.  É sabido, também,  que, para se falar em projetos futuros , pouco tempo é suficiente,  mas, para se falar em dez anos de trabalho e efetivas realizações, somente as atas poderiam revelar todo o suor derramado para mantermos a chama acesa há quase sessenta anos por Emília Ferreira da Matta e seus companheiros, ainda na antiga Academia Estudantina  de Letras.
Com a falta de espaço para os membros da atual diretoria, aqueles  menos avisados, que  andaram lendo artigos publicados na mídia, ficaram, com certeza,  com a imagem de uma bela história de conto de fadas em suas mentes: Num castelo  medieval, um déspota, antropófago ( comeu a língua de todos os seus súditos), cruel , espoliador,    manteve, por dez anos, meia dúzia de súditos submissos, que, isolados do restante da aldeia , num salão de torturas, foram, no último dia 18 de fevereiro , libertados por príncipes e princesas, com superpoderes, defensores da democracia, da moral e da ética, conhecedores profundos  de filosofia, vindos  de rincões distantes, trazendo novas poções mágicas,  valores maiores  e formas milagrosas que levarão o progresso e a evolução espiritual a tão primitivo déspota e seus súditos.
Mas a história real é outra.
O ex-presidente Ricciardi, na chamada por alguns,   “ época áurea” , que eu chamaria de romântica,  já reclamava,  em artigo publicado em jornal local : “ No ensejo , aproveitamos a oportunidade para lamentar a total ausência de alguns acadêmicos às reuniões da Academia , o que moveu a presidência  a enviar ofício aos referidos  confrades , alertando-os da necessidade de um maior apoio por parte deles às atividades da academia e, principalmente , para aprovação das suas deliberações “  , ou seja, sempre tivemos ausentes na nossa ARL : seriam ausentes áureos ?
E eles não eram ausentes, assustados por culpa da incontinência verbal do Tórtoro, como afirmado em correspondência enviada por membro de sua chapa, Menalton, aos demais acadêmicos, aliás correspondência essa em que falta ética ao seu subscritor, por semear inverdades por carta ou  em redações de jornais e revistas. Voltando  à carta em questão, partiu em minha defesa um dos homens mais íntegros e éticos que conheci durante minha permanência na ARL , Dr Alfredo Palermo, que sempre viajou vindo de Franca, às vezes doente, para participar de nossas reuniões mensais:
“ Fui admitido ao tempo do Dr Raya. Sempre recebi um tratamento cordial não só daquele saudoso amigo como do seu sucessor, o Prof. Tórtoro. Nas poucas vezes em que pude comparecer, vivi momentos de cordialidade junto do Prof. Ruffino Netto, da Profa. Ely , da Profa Nilva e outros confrades. Cópia das atas relativas às reuniões a que eu não comparecera também me eram enviadas dois dias após. Discutiam-se projetos de trabalhos literários, palestras, concursos literários, matéria para o boletim periódico. O Prof. Tórtoro, várias vezes, afirmou que desejava deixar o cargo. Honrei-me sempre com sua amizade “.
Não preciso de qualquer outra defesa mais verdadeira, espontânea e contundente que essa, que veio a se somar à que recebi , com o mesmo teor, por meio de um telefonema , do Dr Rubem Cione, e, nos últimos dias, com a  do meu colega Waldomiro Waldevino Peixoto nos jornais A Cidade, O Diério e Tribuna.
Mas, voltemos aos fatos da nossa história.
O  Dr. Luis Carlos Raya tomou posse em 1984 , e ninguém duvida da capacidade desse grande médico e líder espírita,  ex-Secretário da Saúde,  em unir esforços em torno de um objetivo. Mas, mesmo ele, não conseguiu “ unir, aglutinar, fazer a ARL crescer com a força da energia de todos” , e, por isso, após reunião realizada no dia 8 de dezembro de 1995, no SESC da Tibiriçá, pediu à acadêmica Nilva Mariani, Secretária, que registrasse em ata : “ Abrindo a sessão, o Sr. Presidente lamentou o desinteresse dos acadêmicos pela reuniões e pelos eventos promovidos pela Academia “ .
Contava ele, naquele dia,  somente com a companhia de Ely Vieitez Lisboa, Nilva Mariani, ( ambas denominadas subservientes, bajuladoras, omissas, em infeliz artigo  publicado no jornal A Cidade), e mais Mario Moreira Chaves e eu , Tórtoro,  sendo que, por esse motivo ,  resolveu escrever uma correspondência aos acadêmicos de então ( alguns que fazem parte, hoje, da diretoria da chapa  Renovação, que toma posse neste momento ), datada de 2 de janeiro de 1996,   que dizia : “lamentavelmente compareceram apenas 5 acadêmicos na nossa última reunião de 1995, convocada para balanço das atividades do ano, para discutir a agenda de 1996, preparar as eleições da nova  diretoria “ .
A reunião seguinte, apesar dos apelos, contou, no dia 31 de janeiro de 1996, com  apenas 11 dos quarenta acadêmicos. Dentre eles, muitos dos hoje denominados subservientes, de uma maneira infeliz e injusta, pela mentora intelectual  e  defensora da Renovação.
E eles também não eram ausentes assustados, por culpa das minhas cobranças enérgicas,  solicitando dos membros o cumprimento de suas promessas e obrigações,  assumidas quando de suas posses, confundida, agora,  com  incontinência verbal.
No dia  29 de fevereiro de 1996, tomei posse, recebendo votos dos  16  acadêmicos presentes.
Após ser reeleito por mais quatro vezes, por falta de alguém que se dispusesse a ocupar a presidência e compor chapa de oposição , em  reunião ordinária, realizada no dia 5/11/2005, item 22 da ata, como Presidente registrei o desejo de não concorrer às eleições, caso surgisse chapa concorrente, mas, a pedido de nove membros presentes àquela reunião,  eu atendi ao pedido de registrar a Chapa Raya /Rovéri, com os mesmos componentes da Diretoria daquela época , e assim foi feito, — não por volatilidade de caráter, como escreveu um dos membros da chapa de oposição, mas por fidelidade a um grupo que me acompanhou por todas as reuniões nesses dez anos e que não poderia ser abandonado num momento tão importante da vida do nosso sodalício.
Por isso a  CHAPA ( em homenagem a RAYA / ROVÉRI )  ficou assim composta: Antônio Carlos Tórtoro (presidente), Ely Vieitez Lisboa (vice), Rita Marciana Mourão (1ª. Secretária), Rosa Maria Britto Cosenza de Oliveira (2ª. Secretária), Waldomiro Waldevino Peixoto (1º. Tesoureiro), Antônio Ruffino Netto (2º. Tesoureiro), Nilva Mariani (Cerimonial) e Wilson Salgado ( Bibliotecário) . Detalhe : a acadêmica Rosa Cosenza, mesmo estando presente no dia em que foi  composta essa chapa, em novembro, e tendo concordado com a composição , veio a solicitar a  supressão de seu nome por motivos pessoais e imperiosos no dia 9 de fevereiro de 2006, ( 9 dias antes das eleições)  sendo substituída pelo acadêmico Wilson Salgado (2º. Secretário)  , que, por sua vez, foi substituído pelo acadêmico Alexandre Azevedo (Bibliotecário) .
Acho salutar qualquer disputa democrática, apesar de que nunca tenha havido necessidade do surgimento de chapa de oposição em quase sessenta anos de ARL , tendo em vista que seus membros,  presentes à maioria das reuniões e atividades, em consenso, e fraternalmente, sempre criavam uma chapa nova, ou repetiam a anterior, que era eleita, de forma legal e estatutária.
          Assim foi por longo tempo: durante a  Presidência do Dr Luiz Carlos Raya (12 anos), Rubem Cione  (16 anos) e a minha  (10 anos).
Esses ex-presidentes ficaram no cargo por todo esse tempo porque  não surgiam novos candidatos, pois as atividades da ARL, levadas a sério, tomam muitas horas e dias e nem todos têm disponibilidade e vontade de dedicar seu tempo a uma causa que não remunera, e, muito pelo contrário, nos tira dinheiro do próprio bolso. No meu caso, em 1996, como já disse anteriormente, em uma reunião com meia dúzia de acadêmicos, no SESC, mesmo tendo somente um ano de Academia, atendendo a um pedido do  Dr Raya, assumi os destinos do nosso sodalício e, em todas as eleições, sempre coloquei meu cargo de presidente à disposição dos presentes.
Como dizia o Dr Raya , formamos,  por muitos anos, um pequeno grupo que manteve a Academia viva e atuante, o que nos permite repassá-la à nova diretoria mais atuante do que nunca fora, no passado, como pude ouvir, recentemente,  do Dr Rubem Cione.
Portanto, assumimos em fevereiro de 1996, quando a ARL tinha o mesmo       problema histórico de hoje: freqüência mínima e inadimplência absurda. Mas conseguimos fazer com que a ARL fosse conhecida em todos os Estados do Brasil por meio do site que criamos e mantive atualizado até hoje  (www.arl.org.br). Lutamos até conseguir um lugar onde sepultar nossos mortos, o Sepulcro Veiga Miranda, no Cemitério da Saudade. Realizando o mais importante sonho dos membros que nos precederam na  ARL : adquirimos um terreno para construção da Sede própria, no Parque dos Lagos. Comemoramos os 50 anos da ARL, com um jantar memorável, e lançamos uma Antologia comemorativa, por ocasião dos 55 anos de existência do nosso sodalício. Criamos a ARE-Academia Ribeirãopretana de Educação, em 2002. Atualizamos sete anos de Imposto de Renda em atraso e não declarados. Criamos uma bandeira artisticamente bordada (a anterior era um simples pano já deteriorado). Compusemos o Hino da ARL. Durante dez anos realizamos, com a colega Ely, o “Quando setembro vier”, incentivando, nos jovens de escolas municipais e particulares,  o hábito da escrita e da declamação, adquirimos arquivos e armários para guarda de documentos (que sobraram e puderam ser salvos do abandono em que se encontravam). Organizamos pastas individuais para cada membro (vivo ou falecido, honorários, correspondentes – que não existiam ). Criamos um arquivo de álbuns de fotos de todos os eventos importantes ( um álbum por ano) e uma videoteca com registro das posses. Ajudamos a fundar academias de letras em cidades da região. Fizemos visitas de solidariedade a acadêmicos enfermos. Gravamos entrevistas para o rádio (Rovéri e eu), programas radiofônicos semanais, com grande audiência, participamos ativamente de todas as Feiras do Livro de Ribeirão Preto, inclusive fazendo parte das comissões organizadoras, como Conselheiro da Fundação Feira  do Livro e do Instituto do Livro , fizemo-nos  representar, nesses dez anos, em todos os Conselhos onde o assunto fosse Cultura e sua preservação, enfim , também nunca deixamos de homenagear, — e de reconhecer o trabalho prestado —,  aqueles que , de alguma forma , como por exemplo o Dr Rubem Cione, Alfredo Palermo, Rovéri, Emília Ferreira  , Ruy Ferreira Santos, Seixas Santos, Moreira Chaves, Theodoro Papa, Antônio Passig, Paulo Gomes Romeo, Oswaldo Lopes de Brito, João Caetano de Menezes, e outros ,  deram parte de sua vida à História da ARL, que se confunde com a de Ribeirão Preto.
  E para encerrar, desejo que o novo presidente, Menalton Braff, consiga aquilo que nem Ricciardi, nem Raya e nem eu conseguimos : trazer para as atividades da academia um número considerável de participantes , mesmo que sejam “ausentes”  presentes, como o acadêmico Feres Sabino caracteriza alguns de nossos confrades virtuais.
Diz uma provérbio árabe:
 “Tudo o que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer...mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira”.
Diz  um provérbio Chinês:
“Ser pedra é fácil, difícil  é ser vidraça “ .
  Por isso deixo a você, se me permite, um alerta: muito cuidado com alguns acadêmicos que hoje o rodeiam , pois não faltam, em nosso convívio,  Iscariotes, Brutus e Calabares: e não estou aqui me referindo somente a um acadêmico  que compôs  a chapa Renovação, mas a alguns que , fora dela, como Cavalo de Tróia, esperaram o momento certo para tumultuar um processo eleitoral que nem mesmo precisaria ter sido  realizado.
De minha parte, se não puder colaborar com você,  depois de não ter faltado a nenhuma reunião do nosso sodalício durante os últimos 12 anos, também não criarei obstáculos,  tendo em vista que , nesse momento, deixo de fazer parte do futuro da ARL, consciente de que fiz parte importante de seu passado mais recente, construindo uma obra com meus companheiros, o que, aliás, é muito mais edificante do que tentar destruir obras alheias, como escreve Gabriel Chalita, ao final de seu precioso e atual artigo intitulado  “Sobre ética, cultura e política” que recomendo como leitura a alguns dos componentes da chapa “Renovação”.
Pensando, como Fernando Pessoa , que,  “tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”, dou as boas vindas aos que agora chegam, desejando sucesso, Menalton, a você e à sua diretoria, e que os Deuses estejam ao seu lado durante o  primeiro biênio de seu mandato.


                 




Tórtoro
Enviado por Tórtoro em 10/03/2006
Código do texto: T121515
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Tórtoro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 67 anos
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