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Por que não ser escroto?

Ultimamente uma pergunta não me tem saído da cabeça: por que não ser escroto?
No Brasil, costumamos pensar de uma forma bem peculiar. Sempre defendemos as pessoas mais necessitadas, as pessoas mais pobres, enfim, os que possuem menos. Pelo mundo afora, vemos que nem todos raciocinam dessa maneira. Para eles, “quem é pobre é preguiçoso, e dane-se se ele é passa fome, se tem dez filhos na miséria ou está doente”. A lei da sobrevivência é assim, os mais preparados sobrevivem; os mais fracos, bau-bau.

Ativistas sociais existem em todos os países, e eles fazem barulho, chamam a atenção para a miséria e a má distribuição do dinheiro do mundo, porém, o que venho pensando nos últimos dias tem relação com os ditos “alienados” da nossa sociedade; aquelas pessoas que estão cagando para o fato de mulheres ainda serem castradas na África e de crianças morrerem subnutridas no nosso Nordeste. São as pessoas de vida ganha; aqueles que passam seus dias a bebericar champagne (ou tentando achar uma forma de fazê-lo), que só pensam em seu próprio bem-estar. Sim, os ditos “fúteis”. Coloco ‘fúteis’ entre aspas porque há de se convir que estamos sendo unilaterais ao chamá-los de “fúteis”. Cada um tem o direito de fazer o que achar melhor com seus dias, e não devemos julgá-los se não há interesse da parte deles pelo “bem estar universal”.

Sejamos sinceros: bem estar universal? Mudar o mundo ajudando o outro? Devo dizer que sou bastante cética em relação a esse tipo de pensamento, e isso pelo simples fato de olhar ao meu redor e ver que as pessoas não querem ser ajudadas. No fundo elas querem se afundar em seus próprios problemas, essa é a verdade. Todos querem o bem apenas para si mesmo.
Quando me questiono sobre o porquê de ser “politicamente correto”, questiono também os valores que regem nossa sociedade. Por que pregamos que os coitados devem ser protegidos, sendo que quando os coitados somos nós ninguém parece se importar? Essa história do “fazer o bem sem olhar a quem” não me convence. Porque você não contribui com a minha felicidade e me doa uns trocadinhos para comprar uma roupa nova? Ué, mas não era fazer o bem sem olhar SEM OLHAR A QUEM? Então me ajuda, honey! Por que eu, e não o Governo, que rouba 30% do salário dos meus pais com seus impostos, não vai cuidar dos pobres? Desculpe, mas tenho que poupar meus trocados para um Kenzo novo.

É comum ver as pessoas na mídia dizendo coisas como “ah, ele ajuda as crianças carentes, ele é tão bondoso” ou “ele faz um trabalho com as mulheres carentes do morro tal, ele se preocupa com os necessitados”. Desculpe-me por acabar com seus sonhos de paz e união universal, mas a verdade é que ajudar os necessitados dá status, e tem muita gente que tira proveito disso só para aparecer como o “bonzinho” da história.

Nenhuma ajuda é de graça. Nada é de graça. Ajudar os necessitados e fazer campanha sobre isso soa como marketing da sua benignidade para mim.  Se ajudar os outros te deixa feliz, quem sou eu para falar alguma coisa, mas, por favor, se você ajuda, não passe a criticar quem não o faz.

Deixo a seguinte proposta: por que não simplesmente tirar um tempo para experimentar as delícias de ser mesquinho, de não olhar para o lado, de não dar satisfação a ninguém? Garanto que não faz mal.

JaquelineS
Enviado por JaquelineS em 20/04/2006
Código do texto: T142303
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Sobre a autora
JaquelineS
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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