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Não dê pérolas aos porcos

Em breves palavras quero exprimir minha indignação e também lançar uma pergunta em relação aos direitos do brasileiro. Para melhor clareza do assunto, adianto-lhe(s) que este é referente a educação no Brasil.
Bom, em 22 de setembro deste ano, fui convocado para comparecer na capitania da Marinha de minha cidade para a “seleção” dos jovens que iriam servir as Forças Armadas. Às sete horas, estava em frente à sede da marinha e havia uma fila de jovens esperando o início da seleção.
Ao entrar, ainda em fila indiana, cada um assinou o nome numa lista de presença e fomos, então, para uma sala onde teríamos que preencher duas ou mais fichas (não me lembro ao certo a quantia) com alguns dados particulares e outros blá-blá-blás. Não podíamos perguntar nada ao “gostosão” que estava, ou melhor, que era para estar nos orientando no preenchimento das fichas. Até aqui tudo em ordem; sabemos que os “caras” das Forças Armadas se acham os bã-bã-bãs.
Eu, particularmente, estava um tanto tenso, pois, se fosse convocado, teria que abandonar o curso na universidade para servir. Agora vejamos: eu preocupado em ter que trancar matrícula  na USP e, enquanto isso, perceba o que acontecia na mesma sala.
O “gostosão” (um tanto mal educado) percebeu que um jovem, da mesma idade minha (18), não havia sequer iniciado o preenchimento da primeira ficha e, o todo educado (com aquela educação que mamãe deu, mas que o “gostosão” não aprendeu) gritou e, na minha opinião, ofendeu o pobre jovem. Agora vem um ponto importante de todo esse blá-blá-blá: aquele jovem, da mesma idade minha (18), não havia preenchido a ficha porque mal sabia assinar o próprio nome.
No momento da cena não havia notado o grau de complexidade do algoritmo. Mas, agora, enquanto estudava Cálculo II, lembrei-me e achei justo escrever e opinar.
Estudei minha vida toda em escola pública e, se entrei na melhor universidade da América Latina, não foi por ter me esforçado e muito menos por apoio do Estado; entrei por Deus.
O ensino fundamental e médio das escolas públicas é, simplesmente, um lixo. Você sabe o que é um jovem da minha idade (18), não saber ler nem escrever? Sabe?
Esta era minha pergunta, mas não encerro por aqui, embora havia feito planos para que este texto fosse sucinto.
Tomo a liberdade de fazer uma ou algumas, ainda não sei quantas, comparações.
Estudo na USP e, como já sabe, fiz todo o fundamental e o colegial em escolas públicas. Vem e me diz se sabe quantos alunos das escolas públicas ingressam nas USP’s da vida. Veja bem, não quero e tão pouco estou me vangloriando, leia este texto até o fim, por favor.
As universidades públicas são as almejadas e sabe quem estuda lá? Quem tem capital, money, dimdim, tu-tu, bufunfa.
Tem um outro ponto (e vários outros). Saí do colégio e, graças a Deus, entrei direto na universidade. O colegial, fiz numa ETE (Escola Técnica Estadual). O Ensino Médio nas ETE’s é “n vezes”  melhor que na maioria das escolas públicas. Mas sabe o que está acontecendo? Estou me ******* na faculdade porque não tive (embora não seja só por este motivo) “a base” escolar que deveria ter para entrar na universidade pública. Tenho minha opinião sobre isso: se não tenho “a base” é porque os chefões, que estão no topo da pirâmide, querem continuar lá. Entenda melhor: se não é investido descente e convenientemente na educação básica é porque o governo (num todo) e os porcos capitalistas querem manter seus herdeiros no topo da pirâmide. Afinal, a existência de jovens que têm minha idade (18) e não sabem nem ler e nem escrever é interessante para os porcos acima citados.
A calamidade no ensino básico é inaceitável. Não é apenas a questão de saber ler ou não, que faz os porcos continuarem no topo. Nas escola não se formam seres humanos pensantes; não se formam homens (em gênero) críticos; nem se formam verdadeiros cidadãos! Lá má-le-má se formam.
Sabe, tenho que dar muitas graças a Deus, por este privilégio de  não ser mais um alienado dos “outros” (inspirado no seriado Lost, não que tenha muito a ver com o contexto). Ora, cheguei onde estou por dádiva divina, pois o sistema (dos porcos) jamais me favoreceria (a menos que lhes fossem conveniente). Não me calo. Nem me canso.
Quero que os porcos saibam que eu sei; que penso; que critico; que não sou (totalmente) alienado; que existo. Também quero que os mesmos porcos saibam que não adiantará tentar “me comprar” para que porco eu também me torne e, assim, venha calar a boca (afasta de mim este 'cálice'). Não quero fazer parte do sistema. Não quero destruí-lo (pois não conseguiria), mas (ah!) vou causar bugs no sistema dos porcos.
Não me canso. Não me calo. Minha idade (18).

JASN
Enviado por JASN em 29/10/2006
Reeditado em 13/01/2007
Código do texto: T276479

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Sobre o autor
JASN
São Carlos - São Paulo - Brasil, 28 anos
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