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Olho pela janela e enfim reconheço meu habitat. Um pedaço de céu claro, o frio congelando as mãos que, nervosas, surram o teclado como se ele pudesse falar pela alma.
O sol, ainda fraco, dá um sorriso maroto, irradiando um calor que não acende meu coração.
As letras ficam enrustidas, como se amarfanhadas dentro do meu entendimento.
É um novo dia, nova manhã do resto de minha vida.
Deveria ter flores, musica aos quatro cantos, pássaros sobrevoando o beiral em busca de um sorriso. Mas o que acontece é a resposta fria de um vento cortante, que grita uma ausência.
Os pássaros voam longe, com asas plumadas recobrindo corpos franzinos e frágeis. E eu, sem poder voar, plano os sonhos, despojados de asas, que se contorcem pelo ar em busca de abrigo e acolhida, para que consigam ir além, sem despedaçar-se nos vãos da vida. E vão, alheios, quase vãos.
Sonhos perfeitos que morrem desfeitos.
E a manhã fria, recoberta pelo sol preguiçoso, estende-se em um dia vazio, coberto de saudade.
Na verdade o frio lá de fora, invade a alma e, mais que o vento, devasta minhas certezas.

 
Lara
Enviado por Lara em 12/03/2005
Código do texto: T6470
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Sobre a autora
Lara
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 61 anos
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3 e-livros (253 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 10:22)
Lara