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GARCIA MORENO (discurso proferido na Academia Sergipana de Letras, quando da posse da professora Tânia MdaC. Meneses Silva como fundadora da Cadeira n. 8 do Movimento Cultural Dr. Antônio Garcia Filho)

1º POEMA PARA GARCIA MORENO

Moreno no nome
na pele
nos cabelos
nos olhos
perscrutadores dos mistérios da psique
– é o doutor dos doidos –
intrincado
intrigante do insondável fio da sanidade
limite da loucura
o circuito da sensata lucidez
insana sensatez

Aju, 15/09/2004

Pablo Neruda nos diz no prólogo de Las piedras de Chile que o “Dever do poeta é cantar com seu povo e dar ao homem: sonho e amor, luz e noite, razão e desvario”.
Aqui nos apresentamos de mãos dadas com a poesia. Ela, a poesia, é igualmente amiga, companheira e redentora.
O nosso amor pela palavra incansavelmente se lança por outras veredas em busca do diálogo fecundo com a semente da língua. Dali, de onde ela brota, árvore da vida, sobre o planeta.
Esta Academia é uma árvore, um espaço no qual habitam harmoniosamente a Inspiração, a Imaginação e a produção cultural representativa do Estado de Sergipe. Aqui nos redimimos dos pecados da ignorância e da incivilidade.
Os membros do MAC têm o privilégio de, ao lado dos acadêmicos, vislumbrar o panorama da Imortalidade. Assim como agora, ao ser fundada no MAC, a cadeira n° 8, cujo patrono é o Dr. João Batista Perez Garcia Moreno, que ocupou a cadeira n° 15 da ASL.
A nossa reflexão se volta para o filósofo matemático Blaise Pascal que nos diz da condição do ser humano, a de “se ver perdido neste recanto afastado da natureza, e que, deste pequeno cárcere que ele habita – refiro-me ao Universo, aprenda a dar o justo preço à Terra, aos reinos, às cidades e a si próprio”.
Blaise Pascal refere ainda que a “comparação que fazemos entre nós e o infinito nos é dolorosa”.
A comparação do filósofo, entretanto, não nos impede de fruir a sensação de alegria deste momento em que nos acercamos da árvore da sabedoria.
“A sabedoria é radiante e imarcescível, e facilmente se deixa contemplar pelos que a amam e a procuram”. (Bíblia Sagrada. Livro da Sabedoria, 5-12)
O rei Salomão orou para pedir o dom da sabedoria e, disse: “Deus dos pais e Senhor de misericórdia, que fizeste o universo com tua palavra, e por tua sabedoria formaste o homem para ser o senhor das criaturas que fizeste, governar o mundo com santidade e justiça e exercer com retidão o seu domínio, dá-me a Sabedoria que senta contigo no trono e não me excluas do número dos teus filhos”. (op. cit, 9, 1-5)
Uma Academia é um convite à sabedoria e à contemplação da palavra. Eis-nos aqui sedentos delas e impotentes perante sua majestade.
Carlos Drummond de Andrade sabia deste convite: “Chega mais perto e contempla as palavras./Cada uma tem mil faces secretas”.
Seria incalculável o prejuízo da humanidade se não fosse concretizada a expressão escrita. Agora mesmo nos vem à memória a escritora Clarice Lispector que disse: “Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades de mar...”
Precisamos das palavras: essas, estas e aquelas “submersas em profundidades de mar...” Digamo-las, percamos o medo, vale a pena mergulhar no oceano das palavras.
Cada uma das palavras ditas aqui tem um endereço certo: Dr. João Batista Perez Garcia Moreno.

GARCIA MORENO: SUAS ORIGENS, FAMÍLIA E AMBIENTE DE TRABALHO


João Batista Perez Garcia Moreno nasceu no dia 12 de dezembro de 1910, no município de Laranjeiras(SE). Filho de Pedro Garcia Moreno e de D. Ambrosina Brandão Moreno.
A cidade de Laranjeiras é situada a 20 (vinte) quilômetros de Aracaju, capital do Estado de Sergipe, e tem uma área de 163,4 km² (microrregião do Cotinguiba). Os locais mais visitados do município sergipano são: a gruta da Pedra Furada, localizada no povoado Machado, onde, segundo a tradição, os jesuítas celebravam missas durante o período da invasão holandesa; a gruta da Matriana, na Vila do Faleiro e a Ponte Nova, construída em 1882 sobre o rio Cotinguiba.
Os monumentos históricos mais importantes incluem: o Mercado Municipal, construído no século XIX, na Av. Municipal, s/n; o Trapiche, também do século XIX, local de armazenamento da produção açucareira dos engenhos e ponto de desembarque e alojamento de escravos; a Casa do Engenho Retiro, inaugurada em 1701; a Igreja de Santo Antônio e N. S. das Neves (anexa a Casa do Retiro); a Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus; a Igreja do Senhor do Bomfim; a Igreja Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba ; o teatro São Pedro; o teatro Santo Antônio; o museu de Arte Sacra; o Museu Afro-brasileiro de Sergipe e a Casa de Cultura João Ribeiro.
Góes (2002, p. 126/128) ressalta a importância histórico-cultural de Laranjeiras, a "Atenas sergipana", como berço da nossa história, da cultura, da política e da economia e diz que o município “só não se tornou a capital de Sergipe por conta de uma manobra política do Barão de Maruim, que transferiu a sede de São Cristóvão para Aracaju”. Segundo Góes, deve-se o nome do município às “inúmeras e frondosas laranjeiras à beira do rio”.
Em Laranjeiras foi criada a primeira Alfândega de Sergipe (1836). O município chegou a ser o maior produtor de açúcar cristal de Sergipe e os seus primeiros engenhos foram Dira, Ibura, Camassary e Comandaroba.
Desenvolvida culturalmente, Laranjeiras notabilizou-se na imprensa com os jornais o “Monarchista Constitucional”, o “Guarani”, o “Observador”, o “Telégrafo” e a “Voz da Razão”.
É uma referência o potencial folclórico desse município sergipano com os seus Reisado, Guerreiros, Lambe-Sujos, Caboclinhos, Cacumbi, Taieira, etc.
O Sergipe Panorâmico  relaciona mais de 60 (sessenta) nomes de laranjeirenses ilustres.
Góes (op. cit, p. 128) cita entre “uma infinidade de filhos ilustres e personalidades” laranjeirenses os nomes de João Ribeiro, Horácio Hora, Martinho César da Silveira Garcez, General Moreira Guimarães, Zizinha Guimarães, Carmelita Fontes, Emanuel Franco e outros.
O historiador Dantas (2004, p. 10) se refere à cidade onde nasceu Garcia Moreno:

"Laranjeiras, por exemplo, era um dos centros urbanos mais importantes do Estado. Situada no vale do Cotinguiba a 23 km da capital, segundo cálculos da época, era a cidade mais próxima de Aracaju. Com 11.350 habitantes, dispunha de uma economia sólida e receita elevada, decorrente sobretudo da produção de seus 38 engenhos que era exportada a partir de seu porto fluvial onde também chegavam diversos produtos estrangeiros (...) No ensino, depois de Aracaju era o município com maior número de cadeiras (17). Sua vida cultural rivalizava com o ambiente da capital".

O autor também chama a atenção para o patrimônio cultural laranjeirense das 13 igrejas. Dantas (op. cit, p. 115) cita Garcia Moreno e a publicação de seu “saboroso livro de crônicas, Temas da Província”, publicado em 1944. Inclui que, em Cajueiros dos Papagaios, Moreno deixou “páginas saborosas sobre os nossos costumes”. (op. cit, p. 160).
Milliet e Saint – Adolphe elaboraram um Dicionário Descritivo do Império do Brasil  no qual há a seguinte nota sobre o município de Laranjeiras:

"Villa da província de Sergipe, a 4 legoas do mar, na margem esquerda do rio Cotindiba. A pezar da bondade do sítio, a povoação da antiga freguezia de Laranjeiras se conservou no mesmo ser, durante mais d’um seculo, sem que houvesse mudança nem augmento, não obstante a excellencia de suas terras, em quanto durou o systema colonial". (ALVES; FREITAS, 2001, p. 59)

Garcia Moreno, nasceu em Laranjeiras, mas, ainda criança, foi com a família morar em Santos/SP, onde iniciou o curso primário.
Quando a família Moreno retornou a Sergipe (1934), fixou residência em Maruim, àquela época um município em desenvolvimento, tanto no comércio quanto na cultura letrada.
O menino Moreno brincava ao ar livre e contemplava a natureza até que, ele e sua família vêm para Aracaju. O rapaz Garcia Moreno passou a ser um estudante do antigo Colégio Ateneu Sergipense onde conviveu com os grandes mestres da época: Hemérito de Gouveia, Abdias Bezerra, Artur Fortes e Franco Freire.
Garcia Moreno formou-se em Medicina, na Bahia. Especializou-se em clínica geral, na cidade do Rio de Janeiro e, em seguida, ingressou no campo da Psiquiatria. Foi ele quem organizou e dirigiu o Serviço de Assistência à Psicopatas. Em 1944 obteve o primeiro lugar no Curso de Psiquiatria Clínica e Higiene Mental do Departamento Nacional de Saúde. Em 1950 participou, em Paris, do I Congresso Mundial de Psiquiatria e do I Congresso Internacional de Criminologia. Presidiu a Sociedade Médica de Sergipe e a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e Higiene Mental. Foi membro da Academia Nacional de Medicina e da Sociedade de Medicina Legal e Criminologia de São Paulo.
O clínico geral e psiquiatra exerceu amplamente as funções de docente, e.g., nas disciplinas Antropologia Física e Psicologia Experimental, na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe; Medicina Legal e Psicologia Médica, na Universidade Federal de Sergipe; Medicina Legal, nas Faculdades de Direito (Bahia); Direito (na Universidade Federal do Paraná) e na Escola Paulista de Medicina.
Silva (2004) faz um levantamento histórico do Curso de Medicina e se reporta à idéia da criação da Faculdade de Medicina de Sergipe, no início da década de 50.

Nessa época, Sergipe contava com um hospital bem aparelhado, o Hospital de Cirurgia, e com uma expressiva classe médica composta de profissionais que possuíam grande prestígio na sociedade sergipana. Um grupo de médicos, componente do Centro de Estudos do Hospital de Cirurgia, freqüentemente discutia essa possibilidade em suas reuniões científicas e levou adiante essa idéia.
Como resultado desse movimento, em reunião realizada no Centro de Estudos no dia 12 de junho de 1953, foi criada a Sociedade Civil Faculdade de Medicina de Sergipe como entidade mantenedora da futura Faculdade de Medicina. Também foram escolhidos os médicos que seriam os futuros professores da faculdade de Medicina:
(...)
Sexto ano
• Geraldo Magela Meneses – Clínica Médica
• Manuel Carlos Neto Souza – Clínica Cirúrgica
• José Machado de Souza – Clínica Pediatra
• Hugo Bezerra Gurgel – Clínica Ginecológica
• Hercílio Cruz – Clínica Neurológica
• Juliano Calazans Simões – Clínica Oftalmológica
• João Batista Perez Garcia Moreno – Clínica Psiquiátrica. (SILVA, 2004, p. 9-11)

O Dr. João Batista Perez Garcia Moreno foi também vice-presidente da primeira diretoria empossada em 30 de junho de 1953. O presidente, Dr. Augusto César Leite, segundo Silva (op. cit, p. 11), atribuiu a idéia da criação da Faculdade de Medicina ao Dr. Garcia Moreno.
Na pesquisa de Silva ainda é citado o nome do médico Garcia Moreno, quando da oportunidade em que era novamente o vice-presidente da segunda diretoria (1959) cuja presidência estava com o Dr. Benjamim Alves de Carvalho.
Quando da consolidação e eleição da diretoria da Faculdade de Medicina de Sergipe no dia 21 de janeiro de 1960, ocupa o seu principal cargo o Dr. Antônio Garcia Filho (fundador do Movimento de Apoio Cultural Dr. Antônio Garcia Filho).
No dia 11 de janeiro de 1961, o então Presidente da República, Juscelino Kubitscheck, assinou o decreto n° 49.864, autorizando o funcionamento do Curso de Medicina, sendo o primeiro vestibular levado a efeito no dia 16 de fevereiro de 1961 e oferecendo 20 vagas. Entre os nomes dos primeiros aprovados pelo Ministério da Educação para lecionar no curso médico estava o de Garcia Moreno. A disciplina: Medicina Legal, ministrada no quinto ano.
No ano de 1962, a partir da fusão da Sociedade Civil Faculdade de Medicina de Sergipe com a Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, novamente o Dr. Garcia Moreno surgiu como convidado a lecionar no 2° ano do curso médico a disciplina Psicologia Médica e, no 5° ano, Medicina Legal e Deontologia .
No dia 28 de abril de 1968, a Faculdade de Medicina, instituição particular Faculdade de Medicina, foi incorporada à UFS e, Garcia Moreno passou a ser um de seus diretores no período de outubro de 1968 a janeiro de 1969.
No ano de 1970, em virtude de reformas administrativas que levaram à criação do Curso de Odontologia, passou a Faculdade de Medicina a se chamar Faculdade de Ciências Médicas. O seu primeiro diretor, João Batista Perez Garcia Moreno, permaneceu no cargo no período de setembro de 1970 a outubro de 1972.
Garcia Moreno se notabilizou pelo seu caráter humanista, pela sua atividade médica e por sua produção escrita dedicada à literatura da medicina e ao belo literário.
Silva (op. cit, p. 29) inicia a exposição das fotografias dos formandos a partir da turma de 1966. Entre os formandos das turmas de 1993/1, 1995/2 e 1998/2 encontram-se os nomes de Pedro Henrique Costa Cabral Garcia Moreno, Fabiana de Azevedo S. Garcia Moreno e Daniela Garcia Moreno Cabral Machado. A família se destaca pelo traço da intelectualidade, seja na Medicina ou no cultivo das Letras. O patriarca da família, Pedro Garcia Moreno, também demonstrou seu gosto pela escrita em São Sebastião de Poço Verde (notas, impressões e reflexões acerca de uma excursão). O trabalho foi mandado editar pelos professores Epiphânio da Fonseca Dória e Manoel da Rocha Franco, com a colaboração do Dr. João Batista Perez Garcia Moreno.
Além de médicos e escritores, há juízes de Direito, como a Drª. Maria Angélica Garcia Moreno Franco e o Dr. João Batista Perez Garcia Moreno Neto (netos de Garcia Moreno).

O MÉDICO – A PSIQUIATRIA E O SOCIAL

QUINTA/D. Sebastião, rei de Portugal .

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a sorte a não dá
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nella ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver addiado que procria?

Garcia Moreno prestou considerável contribuição à Psiquiatria e ao social, escrevendo, pesquisando e participando de atividades as mais diversas.
Temas de Medicina Legal, o estudo que o médico e professor universitário dedicou aos seus alunos da Faculdade de Direito de Sergipe, aborda aspectos importantes da Medicina Legal: A psicologia da mentira; Aplicação judiciária de narco-análise; e, Aspectos médicos legais da psicocirurgia.

"Quem mente enfrenta uma luta ou realiza uma fuga. Luta contra a verdade ou foge dela. Abaixo da experiência consciente da fraude, que pode ser dissimulada, há toda uma sintomatologia de fenômenos corporais involuntários, que correspondem à emoção da mentira. Emoção de mêdo . O mêdo de ser pegado (fear of being caught) e tratado conforme aos rigores da verdade". (MORENO, 1960, p. 9-10)

Um estudo vanguardista foi elaborado pelo Dr. Garcia Moreno à época em que exercia os cargos de Diretor do Serviço de Assistência a Psicopatas de Sergipe; Vice-presidente da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Brasil (Recife); Sócio correspondente nacional da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal (Rio de Janeiro) e representante da Classe Médica de Sergipe na Comissão Estadual de Fiscalização de Entorpecentes. A obra, ainda útil e atual, é intitulada Maconha: Aspectos do maconhismo em Sergipe:

"Originária da Ásia, onde floresce espontaneamente, nas montanhas além do lago Baikal, a maconha chegou ao Brasil no bojo dos navios negreiros, como planta mágica, de gôsto e evasão, em meio à bagagem cultural com que o africano saltou na colônia portuguêsa. (MORENO, 1946, p. 5)

Na sua busca incessante para compreender o funcionamento da mente, os seus meandros e mistérios, o psiquiatra e clínico sergipano não economizou empenho e dedicação. Tinha posições firmes e definidas no campo da medicina. Era avesso à eutanásia, condenava o materialismo, o interesse centrado no lucro e a extrema especialização médica.
Preocupado com o social, o médico humanista elaborou um Tratado sobre os Institutos de Aposentadoria e Pensões, suas funções nos problemas Assistenciais no Brasil: Seguro-doença nos meios urbanos e rurais . Ele considerava que “No Brasil, como em toda parte, o liberalismo econômico criou para as massas trabalhadoras um clima hostil de desamparo e de miséria”. (MORENO, 1945, p. 1/7)
Neste mesmo estudo, o autor afirmou que as funções de assistência se encontram “aquém das necessidades dos trabalhadores”, sendo a doença o maior risco social. (idem, p. 16)
O Hospital Psiquiátrico Dr. Garcia Moreno, localizado no município de Socorro/SE, durante décadas prestou assistência a pessoas portadoras de deficiência mental.

O PRESIDENTE DO IHGS (INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SERGIPE)

O laranjeirense Garcia Moreno exerceu o cargo de Presidente do IHGS  no qual tomou posse a 9 de agosto de 1947,

"Às vinte horas, no edifício do Instituto, presentes vários sócios, entre êles a maioria dos membros da Diretoria, presentes também autoridades civis, militares e eclesiásticas, docentes e discentes de estabelecimentos de ensino desta Capital, cavalheiros senhoras e senhorinhas da sociedade local, foi aberta a sessão pelo presidente, Dr. José Calazans" . (Texto da ata de posse)

O governador do Estado, Dr. José Rollemberg Leite, deu posse ao novo Presidente, Dr. João Batista Perez Garcia Moreno.
Em documentação pesquisada sobre a realização do evento encontra-se registrado: “Ata da sessão da Assembléia Geral do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, de 06 de agosto de 1951”, às dezessete horas, Garcia Moreno abriu a sessão e explicou aos presentes os objetivos da reunião:

"Tomar deliberações de interesse geral para o sodalício e dar posse à nova Diretoria e às comissões permanentes de licitação para o biênio 1951-1953, declarando não ser ela solene por estar em obras o edifício social ".

O presidente do IHGS empossado na sessão de 06 de agosto de 1951 era o Dr. Felte Bezerra , natural de Aracaju.

A CADEIRA N° 15

A cadeira n° 15, cujo patrono é Manoel Armindo Cordeiro Guaraná, foi fundada por Helvécio Ferreira de Andrade, sucedido por João Batista Perez Garcia Moreno. Encontra-se atualmente a cadeira n° 15 sob a responsabilidade de Francisco Guimarães Rollemberg.
Manoel Armindo Cordeiro Guaraná, o nome completo do sancristovense, nascido a 4 de agosto de 1848 (séc. XIX), bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife. Além de jornalista e escritor, foi Procurador Público, Procurador Fiscal, Juiz de Direito e Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, Juiz Federal do Ceará. Suas obras publicadas foram: Dicionário Bibliográfico Sergipano; Província de Sergipe e Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro.
Os editores do Dicionário Bio-Bibliográfico Sergipano  apresentam uma extensa nota sobre o seu autor e oferecem informações importantes, entre outras, que Armindo Guaraná, filho do advogado provisionado Theodoro Cordeiro Guaraná e D. Adrelina Muniz de Menezes Guaraná, era versado no latim; foi o único colaborador de Dicionário Bibliográfico, do Dr. Sacramento Blake; pertenceu, como político, ao Partido Liberal e ocupou cadeira na Assembléia Provincial de Sergipe; sua última obra foi o Dicionário Bio-Bliográfico Sergipano (publicação póstuma).
O médico e escritor Helvécio Ferreira de Andrade nasceu em Capela(SE) (Sítio Chapada), a 06 de maio de 1864 (século XIX).
Garcia Moreno, em seu opúsculo Cadeira n° 15, traça o perfil de Helvécio como o de um educador preocupado com a educação nacional. Tinha estilo, respeitava as tradições brasileiras, era um nacionalista e um inovador de métodos na educação sergipana, introdutor das idéias e das práticas pregadas por mestres da psicologia infantil no que diz respeito ao campo da afetividade. Reconhecia na escola função e responsabilidade social.

"Helvécio Ferreira de Andrade não pertenceu à grei dos esculápios que fecham os livros ao abrir consultórios. Era um estudioso. Dia por dia, multiplicava os conhecimentos na clínica e nas leituras. (...). Criou, em Sergipe, uma cátedra popular de medicina. De medicina preventiva, sobretudo. Artigos de jornal e conferências públicas levaram-lhe os ardores da palavra apostolar à inteligência de todas as classes. Foi, vale dizê-lo, um médico educador". (MORENO, 1942, p. 27-28)

A OBRA IMORTAL (PESQUISA CIENTÍFICA E CRÔNICAS)

Garcia Moreno, aos 32 anos de idade, tomou posse na ASL – cadeira n° 15, no dia 18 de janeiro de 1942 e, segundo o discurso proferido por José Calazans  “não precisou percorrer a estrada de Damasco para chegar ao cenáculo dos imortais sergipanos. Não necessitou fazer penitência à porta do templo”.
Em sua obra Eletroconvulsoterapia, Moreno estuda o eletrochoque, a eletroconvulsão, técnica, indicações, contra-indicações, complicações, mecanismo de ação e casuística. Para a elaboração da pesquisa, o autor consultou mais de trinta referências bibliográficas.
Um outro trabalho de importância é o A propósito da insulinoterapia endovenosa (Separata de “Neurologia”) , no qual Moreno conceitua, indica a técnica, refere-se ao coma prolongado e apresenta casuística da insulinoterapia endovenosa. Para tanto, consultou dezenove títulos de estudiosos, a exemplo de Jessener, Polatin, Ribeiro, Krauls, Sherman, Mahoney, etc.
Penicilinoterapia na demência paralítica, tema defendido em tese por Garcia Moreno (concurso à docência livre para a Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia), divide-se em três capítulos: 1° – Aspectos da malarioterapia; 2° – Penicilinoterapia na demência paralítica; 3° – Casuística pessoal .
Há mais contribuição da pesquisa científica de Garcia Moreno, a exemplo de: Maconha – Aspectos do maconhismo em Sergipe (1946) ; e Dois médicos  (1946); Assistência à psicopatas no Brasil, obra em que Moreno buscou reformular o processo tradicional da segregação compulsória dos insanos.
Assim como em Dois médicos focalizou João Firpo e Heráclito Diniz Gonçalves, em Perfil de um mestre, Garcia Moreno evidencia a figura de Dr. Augusto Leite:

A maior realização de Augusto Leite é sem dúvida, o Hospital de Cirurgia. Não o fez com a exclusiva materialidade das pedras, dos tijolos, do cimento, do barro, das madeiras, e das telhas com que se edificam as casas comuns. Soprou no fundo dos alicerces a espiritualidade dos seus “anseios”, dos seus “grandes sonhos”, das suas mais temerárias profecias de felicidade para o futuro. (MORENO, 101-102)

A dedicação do médico Garcia Moreno lhe valeu a homenagem da Academia Sergipana de Medicina com o patronato da cadeira n° 17 cujo fundador, 1° e atual ocupante é o Dr. José Augusto Soares Barreto.
As crônicas produzidas por Moreno revelam um estilo claro e conciso no qual transparece uma fina ironia. Sobre Cajueiros dos papagaios, uma coleção de crônicas com cheiro e gosto de boa literatura, Mário Cabral diz (na orelha do livro) que “Garcia Moreno, sem sombra de dúvida, é uma das mais legítimas expressões da intelectualidade sergipana”. Fazem parte de Cajueiros dos papagaios: O homem que lavou o cérebro I e II, Paris depois de Aracaju, Carvalho Neto, Machado de Assis, Missa cantada, etc.
O humor moreno em Cajueiros dos papagaios aponta em trechos como: “Parece que o Brasil já está exportando, ao lado do espírito engarrafado de seus vinhos, o espírito livre de suas anedotas”. (MORENO, 1959, p. 175)
Doce província , outro livro de crônicas no qual o autor se delicia e delicia o leitor com histórias de Aracaju/SE. Entre elas, 7 de Setembro; Strip-tease médico; A mosca e o leite, Quintino.

"O dia 7, se vinha marcar a data do centenário da independência política do Brasil, chegaria com o destino de ser o da minha estréia de orador. Da janela enfeitada de minha casa fiz o meu primeiro discurso, isto é, honestamente falando, declamei para a multidão festiva de escolares e gente do povo, uma alocução decorada, de dez minutos, que meu pai havia escrito e colocado na minha cabeça a cocorotes  patrióticos, com ensaios diários, durante o mês de agôsto, no fundo do quintal, onde a beira da cacimba  era o pedestal de cimento de minhas precoces glórias oratórias". (MORENO In: 7 de Setembro, p. 11-12). (Ver anexo G) – (texto integral de 7 de Setembro)

As orelhas do livro de crônicas Doce província contêm opiniões emitidas por Flamínio Fávero (São Paulo); Luiz da Câmara Cascudo (Natal); Olívio Montenegro, Aníbal Freire, Peregrino Júnior (Rio de Janeiro) e de Celso Oliva (Aracaju). Este último afirmou: “prende realmente a atenção do leitor mais exigente. Linguagem fácil, elegante, assética, como aliás convém a um médico”.
Letras vencidas e outros escritos são crônicas morenas, a exemplo de, Festa do estetoscópio e Festa da saudade, reveladoras da alma romântica do médico. Além das crônicas, há estudos sobre cadeiras acadêmicas e personalidades sergipanas; e artigos  jornalísticos.

"A saudade, velho arquivista de coisas bôas, que mora em nossa alma, guardou-me para sempre, no coração, a lembrança suavíssima das histórias bonitas que, na meninice, tantas vezes me adormeceram, desfeitas em mel na voz dulcíssima de minha mãe". (MORENO, 1955, p. 11)

O médico escritor dedicou suas letras também à arte da oratória, como em Pequenos discursos , distribuídos entre: Palavras a Zoraide Aranha (Uma saudação à jovem declamadora baiana, na sessão da ASL de 21/07/1943), Palavras a Heitor Fróes (Saudação ao Acadêmico baiano, na sessão de 17/07/1945) e O retrato de Artur Fortes (palavras pronunciadas na sessão de 23/07/1945, realizada no IHGS, em nome dos amigos do poeta).
No que concerne à peças oratórias, Garcia Moreno assim concluiu a sua fala quando tomou posse na cadeira n° 15 da ASL, no ano de 1942:

"Só Deus criou do nada. Nós criamos do que está em nós e sobre nós. A originalidade é, apenas, a fisionomia do espírito que se não basta a si próprio; antes se tem de nutrir da tradição".
Costa (1984, p. 128) elaborou uma pesquisa sobre Garcia Moreno, o homem e a obra. O estudioso se refere às origens do médico psiquiatra, à sua vida de estudante, de intelectual e de suas realizações. Menciona as obras Farmácia União (romance); Lição de Jurisprudência Médica e o seu primeiro trabalho literário: Árvore Morta no Comércio de Maruim.
Outras produções da inspiração morena listadas por Costa são: Jardineiro de Outono (crônica); Resposta (crônica); 5 Aulas de Psicologia Individual (apontamentos taquigráficos); 10 aulas de Psicanálise (apontamentos taquigráficos), etc.

"Viajando pelos caminhos da eternidade, com os olhos mergulhados nas alvoradas e nos crepúsculos, vamos em busca do mar da serenidade, ora sorrindo, ora chorando, realizando, assim, os nossos destinos. Oxalá todos nos tornemos conscientes destas verdades. 'Na plenitude de todos os seus dons literários”. (COSTA, op. cit, p. 134)

A preocupação com a palavra e o encantamento de Garcia Moreno pela beleza do ato da comunicação do ser humano é evidente nas palavras que dedicou à declamadora baiana Zoraide Aranha, na sessão da ASL, em 21 de julho de 1943:

"Não sei se alguém sabe o dia em que a garganta humana arrancou da confusão dos gritos selvagens o primeiro som articulado. Erecto e já obreiro, o homo faber dos primeiros dias do mundo vivia num quase silêncio de assombrado, estalando as cordas vocais em pobres e inexpressivos cacarejos". (REVISTA DA ASL – n° 11, p. 43)

O gosto pela literatura freqüenta o texto científico do Imortal da Cadeira n° 15 da ASL. Note-se como coloca de forma brejeira o aspecto folclórico do uso do entorpecente cannabis sativa.

Há, entre viciados, aqueles que celebram em versos suas preferências pela maconha. O ganhador Enoque, segundo José Calazans, é um deles:
"Eu sou Enoque afamado
porque não tem cerimonha
Em todo lugar que canto
Minha cara é sem vergonha
deixei de beber cachaça
agora só tomo maconha". (MORENO, 1946, p. 11)

A mesma qualidade de estilo é ressaltada pela historiadora Nunes (1976) : “A especialidade que, como médico escolheu, a psiquiatria, ainda mais reforçaria a formação humanista, e que era tão visível na forma simples e elegante de seus escritos, mesmo os de cunho científico”.
Na oportunidade em que o Colégio Jackson de Figueiredo completava o 25° aniversário, os seus proprietários e diretores, Benedito e Judite, publicaram o livreto 25 anos de missão educativa (1964). Garcia Moreno fez a introdução com o texto Algumas palavras, no qual se reportou à importância da instituição escolar, tanto para sua vida quanto para a sociedade aracajuana.

"Quando se completa o 25° aniversário do Ginásio “Jackson de Figueiredo”, enche-se-me o espírito das melhores alegrias. Feliz do homem que assiste ao lançamento de uma semente, acompanha-lhe a germinação, vê crescer o tronco, repontar a floração e amadurecerem os frutos. E, no chão, estender-se a suavidade de uma grande sombra".

No ano de 1968, Garcia Moreno paraninfou a turma de concludentes do Colégio Jackson de Figueiredo. Desta vez pronunciou o discurso Breves palavras, no qual fez uma retrospectiva de sua vida escolar, discorreu sobre o comportamento dos jovens, a condição do velho e finalizou declamando o poema “O Deus sem rosto”. (p. 11)

(...)
 “O Deus sem Rosto” que é um roteiro, seja qual fôr o destino que os espera. Escutem:

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas tempo e vento
desabam no abismo.

Que sabes tu do fim?

Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas.
Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão
se pressentires que amanhã estarás mudo
esgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta.

Canto. Canta para conservar uma ilusão de festa e de vitória.

Talvez as canções adormeçam as feras que esperam devorar o pássaro.

Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo.

Rumo ao céu?

Que importa a rota?.

Voa e canta enquanto resistirem as asas.

Sejam felizes!

Fonte: Biblioteca Pública Epiphânio Dória


Garcia Moreno apreciava a arte poética mesmo sem ter se dedicado à produção de poemas. A sua admiração pela poesia está demonstrada na tradução do sentimento do poeta chileno Pablo Neruda. (Texto cedido pela historiadora Thetis Nunes – acervo documental particular)


PALAVRAS DE PABLO NERUDA NO PACAEMBÚ

"Quantas coisas, quisera, hoje, dizer, brasileiros,
quantas histórias, lutas, desenganos, vitórias
que trago, há anos, no coração para dizer-lhe, pensamentos,
e Saudações. Saudações das neves andinas.
Saudações do Oceano Pacífico, palavras que me disseram,
ao passar, operários, os mineiros, os pedreiros, todos
os habitantes de minha pátria distante.
Que disse a neve, a nuvem, a bandeira? (...)"

A inteligência e espírito crítico de Garcia Moreno se revelaram em momentos nos quais alfinetou a própria Academia de Letras. A ata da sessão ordinária da ASL, de 4 de fevereiro de 1961, sob a presidência do Acadêmico João Evangelista Cajueiro, registra que o ocupante da cadeira n° 15, enviou uma carta solicitando exoneração do quadro dos Imortais. A referida carta frisava o caráter “irrevogável de renúncia”. Como não foi atendido em sua solicitação, o médico escritor enviou uma segunda carta. Entretanto, o Presidente da ASL, e Acadêmicos votaram contra a aceitação da renúncia.
Oliveira Neto e Márcia de Lima (1992, p. 78-79) se referem a estudiosos que, de uma forma ou de outra, citaram em suas obras, o médico e intelectual Garcia Moreno. Entre eles: Acrísio Torres Araújo, Antônio Vieira, Cecílio Cunha, Clodoaldo de Alencar Filho, Eunaldo Costa, Ezequiel Monteiro, Felte Bezerra, Hugo Costa, Jackson da Silva Lima, José Abud, José Augusto Garcez, Luiz da Câmara Cascudo, Manoel Cabral Machado, etc.
Cabral (1978, p. 3), citado por Oliveira Neto e Lima (op. cit, p. 79-80) tece comentários em sua crítica literária sobre Garcia Moreno. Cabral se reporta às “ricas idéias”, ao “espírito lúcido, inteligente, atualizado” do autor de Cajueiros dos papagaios. Outros aspectos evidenciados são: o lado cômico, a veia rabelesiana, a fina ironia da frase súbita, o talento, o brilho da cultura, o orador de extrema agilidade mental.
O Imortal Garcia Moreno escreveu suas crônicas com estilo e propriedade literária. Tinha os traços da irreverência, da ironia e da sutileza.
Suas qualidades de cronista estão em A Imagem (Cajueiros dos Papagaios, p. 179-182) e 7 de setembro (Doce Província, p. 11-13).
A primeira crônica narra um caso de roubo da imagem da Sagrada Família, em uma das igrejas de Laranjeiras. “Quem teria sido o criminoso infame, era a indignação de todas as bocas”. Inclusive na casa do personagem Cupertino, “pobre marceneiro carregado de filhos e mais o contra-peso da sogra”. Cupertino, um homem simples, sente-se forçado pela insistência da mulher e da sogra a dar um palpite sobre o possível ladrão: “– Quem roubou a imagem da Sagrada Família? Só poderia ter sido um sujeito solteiro!” E o marceneiro sai com uma tirada que atinge a sogra: “– A senhora acha que, neste tempo feroz, um sujeito casado, com família, iria levar p’ra casa mais 3 pessoas?”.
Moreno deixa para o leitor o deslindar do caso cuja acusação fica pairando sobre a sogra de Cupertino.
O cronista desenvolve crítica e autocrítica, trechos cheios de graça, mordacidade e inteligência.
Francisco Guimarães Rollemberg (o atual ocupante da cadeira n° 15) nasceu em Laranjeiras(SE), a 7 de abril de 1935. Graduou-se em Medicina pela Universidade da Bahia, em 1954 e, em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Uberlândia(MG), em 1976. Escritor, advogado, Deputado Federal e Senador da República. Publicou as obras: Fausto de Aguiar Cardoso; Limites Sergipe – Bahia: As razões históricas, jurídicas e sócio-econômicas; reflexões sobre a educação, entre outras. Sua posse como Acadêmico na ASL ocorreu em 25 de maio de 1979, no edifício do IHGS.
O discurso de saudação proferido pelo Acadêmico Professor Dr. Walter Cardoso, (2000, p. 16) ao receber Francisco Guimarães Rollemberg, assim o caracteriza:

"A vossa conduta de cirurgião-cristão, humilde, lembra-nos a lição inesquecível do Professor Celestino Borroud, quando em pleno vigor de uma aula prática, o docente faleceu. De imediato o grande Celestino tira silenciosamente o gorro, recolhe-se uns segundos, como se estivesse rezando e voltando-se para os alunos surpresos lhes diz com voz pausada: 'moços, a vossa profissão é bela, maravilhosamente bela, pois nos ensina a amar a vida tanto quanto a respeitar a morte". (idem)

E, quanto, ao escritor, Cardoso inclui a produção de monografias, discursos e artigos científicos, especialmente um estudo sobre Oswaldo Cruz.
Ao tomar posse na cadeira n° 15 da ASL, o Dr. Francisco Rollemberg proferiu discurso referindo-se ao seu antecessor, Dr. João Batista Perez Garcia Moreno. O orador, com o objetivo de traçar o perfil do homenageado, citou os versos de Airton Teles Barreto:

"Na Medicina dos que são maiores
todos têm vez na formação do mestre:
O ser normal, o pobre, o rico, o louco.
Mestre maior da Medicina humana,
nós nos lembramos de você assim.
Cultura enorme, inteligência, alvor,
raio de luz levando vida às palmas,
remédio heróico ao ser humano aflito.
Mestre do corpo e professor das almas". (Idem, p. 3)

Em sua peça discursiva, Francisco Rollemberg disse do seu orgulho em ter sido aluno de Garcia Moreno, no Colégio Estadual de Sergipe (na disciplina História Natural). Afirmou:

"... Garcia Moreno, sobre quem me permitam uma rememoração que sei pálida, nunca suficiente para traçar um perfil de corpo inteiro do médico, do escritor, do humanista, em sua grandeza humana e cultural". (op. cit, p. 4)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir este trabalho sobre o Dr. João Batista Perez Garcia Moreno, temos a considerar, principalmente, a necessidade de se pesquisar sobre a vida e a obra de sergipanos que marcaram a história de nosso estado.
Conhecer de perto a vida e a obra do humanista, médico, professor, pesquisador e literato, Garcia Moreno, fortalece em nós a exata noção da responsabilidade que um povo tem de cuidar e de preservar seus ícones.
Em entrevista informal realizada na cidade de Laranjeiras (15/03/2005), incluindo estudantes, constatamos que, a maioria das pessoas abordadas sequer ouviu falar de Garcia Moreno. Cumpre notar que os locais por onde passamos e entrevistamos laranjeirenses foram: a praça principal e ruas próximas, Museu de Arte Sacra, Biblioteca Municipal João Ribeiro, Cartório do 3º Ofício, Casa de Cultura João Ribeiro e o restaurante que ocupa a casa que pertenceu ao padre Filadelfo.
Seria importante preparar uma edição da obra de Garcia Moreno, revisada por estudiosos, acompanhada de notas e comentários – uma oportunidade de resgatar o pensamento científico e literário, e de oportunizar à nova geração de estudantes de Medicina, de Direito e amantes da literatura o conhecimento do trabalho do médico Imortal.
A Academia Sergipana de Letras honra Garcia Moreno duas vezes: a primeira, com a cadeira n° 15, da Imortalidade; a segunda, com a cadeira n° 08, do MAC.
Reconhecemos nossa limitada condição de pesquisadora perante o encargo de nos debruçarmos sobre a vida e a obra de Garcia Moreno. Entretanto, consideramos em algum momento haver agradado ao Pai Celestial para que nos reservasse tamanha honra, a de manter acesa a luz da cadeira n° 08.

TÂNIAMENESES
Enviado por TÂNIAMENESES em 27/11/2007
Reeditado em 27/11/2007
Código do texto: T754612
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Sobre a autora
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Aracaju - Sergipe - Brasil, 69 anos
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