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Solidão

SOLIDÃO

Autoria - Silvana Duboc

06/11/2004


O cheiro da solidão

não é uma ilusão,

ela tem até sabor,

um gosto amargo de dor.

Ela é vazio sem significado.

Ela é silêncio redobrado.

Ela é um instinto exacerbado.

Ela é passo desgovernado.

Ela é uma ansiedade presa

em total liberdade.

Ela é um destino sem rumo,

uma falta de prumo,

um triste amanhecer.

Solidão é fim de noite acompanhada

apenas de lua desmistificada.

É raiar do dia com sono,

é cama e travesseiro em total abandono.

É não ter com quem tomar o café,

nem mesmo jantar.

Solidão é não ter com quem trocar um olhar.

Solidão é o nada acompanhado de tudo,

dos maiores absurdos.

É acordar e não ter onde ir,

e não ter sono e querer dormir.

É reler o que já foi lido

é comer o que já foi comido

é beber para ter alívio.

É tentar esquecer o que não foi resolvido.

É imaginar um amor ou pelo menos um amigo.

Solidão é falta de não sei o quê

ou de tudo aquilo que não pôde acontecer.

Solidão é uma caixinha trancada

sem chave, vazia, sem nada,

completamente danificada.

É o grito que não pode ser dado,

é uma saudade do passado,

é um sentimento desgovernado.

É a perda da auto-estima,

são palavras que não encontram a rima.

É um caminho sem chão,

um corpo sem paixão.

Solidão é um ato violento,

um acontecimento sangrento.

E ninguém nota,

ninguém percebe,

ninguém vê,

somente você.


***********************


Tua Solidão

Nancy Cobo

 

Não durmo há vários dias

Sinto tua falta

O que posso fazer para você me amar?

O que posso fazer para você sentir esse amor?

 

Estou apaixonada por você

Queria poder me deitar com você

E a luz de velas te amar, te amar até cansar

Depois fugir com você

Para um lugar onde só existisse eu e você

 

Queria poder trazer para a realidade

Todos os meus sonhos

Não sei como faço

Precisava só que você me amasse

 

Então, vem você de novo

Dizer que quer sua liberdade

Se é isso que queres, a terás

Mas se prepare

Ouvir o som de tua solidão vai ser difícil

Porque terás na tua lembrança

Tudo o que vivemos e o que perdeu

 

Mulheres vem e vão

E você ficará só

 

Então verás o quanto me machucou

E a cada batida do teu coração

Fará você recordar tudo o que vivemos

E num som cadenciado e solitário

Irás sentir tudo o que eu senti

Chorar tudo  o que eu chorei

 

Amarás o quanto eu te amei

Mas nunca mais receberás

De ninguém o amor que eu te dei.

*****************




SOLIDÃO
Lílian maial

 

 

Nenhum de nós é solto pela vida,

e o caminhar, a dois, é, tão somente,

da fruta, a polpa, a casca e a semente,

num revolver a terra concebida.

 

Nenhum de nós é corpo sem guarida,

e o aconchego é a paz, tão terna e quente,

é de um calor que aquece lentamente,

cicatrizando a mais funda ferida.

 

E o que acontece, se o outro se vai,

deixando o solo tão seco e arenoso,

e o beija-flor sobrevoando a esmo?

 

Feito a garoa que, chorando, cai,

se doa à terra, pranto generoso,

que a solidão é a falta de si mesmo.

 

Nancy Cobo
Enviado por Nancy Cobo em 18/03/2006
Código do texto: T124873
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Nancy Cobo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 62 anos
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4 áudios (1593 audições)
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Nancy Cobo