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G -- DOZE, O NÚMERO ASTROLÓGICO

   Há cerca de oito ou dez mil anos, os sábios Caldeus dividiram o ano em doze partes, correspondentes às dose constelações zodiacais, às quais atribuíram sinais, que foram chamados “Signos” (posteriormente, apareceram os meses). Temos, assim, os 12 Signos do Zodíaco e os 12 meses do ano. Na verdade, quem primeiro se preocupou com essa divisão do tempo foi Rama, citado, nos Vedas, como o criador, orientador, instrutor e primeiro rei da “quinta raça”. Na Bíblia, o 12 é citado através dos doze filhos de Jacó (Antigo Testamento) e dos doze Discípulos de Jesus (Evangelhos), sempre relacionados com os Signos.
   Há um livro de Alice Bailey que relaciona os 12 trabalhos de |Hércules, também com os 12 Signos.
   No Tarô, o arcano 12 é  “O Sacrifício”, também chamado “O Enforcado”. A figura é a de um homem pendurado pelo pé esquerdo numa trave apoiada em dois postes; ele está de cabeça para baixo; sua perna direita, dobrada no joelho e por detrás da perna esquerda, forma a figura de uma cruz, o que caracteriza o “sacrifício”.
   Na Cabala, o “caminho” 12 representa o “Pilar da Estrutura” (sem comentários).
   Vamos, agora, falar de “tempo”, ou melhor, de “medição de tempo”; na remota antigüidade, Religião e Ciência eram uma coisa só. Os Magos Sacerdotes tinham o conhecimento científico e explicavam, ao povo, os fenômenos do Mundo Objetivo (Ciência), indicando as causas desses fenômenos, no Mundo Subjetivo (Religião). Isso demorou muito mais tempo do que, geralmente, percebemos. À medida que o conhecimento científico se tornou acessível a maior número de pessoas, a classe sacerdotal foi perdendo o poder. A ciência da Astronomia foi desenvolvida, pelos  homens, com  raízes  na  Astrologia.
   A primeira medição do tempo ocorreu  observando-se o “nascimento” do Sol e seu ocaso; esse tempo foi dividido em 12 partes, a que se chamou “hora”; calculou-se que o mesmo número de horas ocorria entre o ocaso e o novo “nascimento”. A esse conjunto de 24 horas, deu-se o nome de "dia".
   Foi observado, também, que o Sol não “nascia” sempre no mesmo lugar e que isso só acontecia decorridos 365 dias e mais ou menos 6 horas, período a que se deu o nome de “ano”. Então Júlio César, de Roma, baseado nos estudos do astrônomo Sosígenes de Alexandria, estabeleceu, no ano 44 aC, o que se chamou “Calendário Juliano”, onde os anos tinham 365 dias e as 6 horas restantes,
de quatro em quatro anos, formavam mais um dia; quer dizer: de quatro em quatro anos, o ano teria 366 dias e seria chamado “ano bissexto”.
   Mais tarde,  em 1582, verificou-se que havia um erro de 12 dias, no calendário. Então, o Papa Gregório XIII estabeleceu um novo calendário, onde os anos múltiplos de 4 eram bissextos, mas os anos seculares (os terminados em 00), só o eram, se múltiplos de 400. E, para corrigir o erro, determinou que se adiantassem 12 dias. Esse calendário é conhecido por “Calendário Gregoriano” e vigora até os nossos dias.
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   Sempre terminamos os nossos ensaios com uma historieta, de algum modo relacionada com o tema principal. A de hoje não foge à regra.
   Conta a lenda que havia, na Europa, um nobre tido como “feiticeiro”. Prefiro chamá-lo de “Mago”. Diziam que ele tinha feito um pacto com o Diabo, segundo o qual, o Demo, em troca de sua Alma, dar-lhe-ia uma vida de luxo, com perene mocidade e riqueza. Então, a vida do Mago foi uma permanente  festa, com jantares, bailes e teatro, sempre com muitos jovens, filhos das melhores famílias e muitas mulheres lindas e alegres. O Demônio teria dado um prazo: viria buscá-lo à meia-noite da Sexta-feira 12 de agosto de 1582.
   Esse dia chegou. Talvez como despedida,  o Mago resolveu dar um grande jantar, com toda a habitual e alegre companhia. É claro que o Diabo compareceu a esse jantar, em traje de gala, com a aparência de um nobre senhor. Perto da meia-noite, Ele foi colocar-se ao lado do Mago.
   -- Ainda não está na hora, – disse o Mago
   -- Eu sei, -- disse o Diabo. – Vou dar-lhe mais um minuto. Executarei a minha sentença ao fim do primeiro minuto do dia 13 de agosto, minha data preferida (como todos sabem, o dia 13, principalmente de agosto, é tido, pelos supersticiosos, como um dia de mau agouro).
   Quando começaram a soar as 12 badaladas, o Mago mandou que o criado fizesse entrar as pessoas esperadas. Entraram dois monges, ostentando, nos seus hábitos, o escudo do Vaticano.
   O Diabo, dando uma gargalhada, disse:
   -- É com “isso” que você quer me assustar?!...
   O Mago, sem responder, dirigiu-se aos visitantes e perguntou:
   -- Que tendes a dizer?

   Um dos monges respondeu, solenemente:
   -- Por decreto de Sua Santidade o Papa Gregório XIII, estamos no primeiro minuto  do dia 25 de agosto de 1582!!!...
   Em meio ao silêncio que se seguiu, o Diabo, vermelho de raiva, desapareceu, deixando uma nuvem de fumaça, com um horrível cheiro de enxofre.
   Diz a lenda que o Mago era, nem mais nem menos, que o Conde de Saint Germain.


Julio Sayão
Enviado por Julio Sayão em 09/02/2006
Reeditado em 18/11/2006
Código do texto: T109776
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Sobre o autor
Julio Sayão
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 93 anos
65 textos (39426 leituras)
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Julio Sayão