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Poucos,verdadeiros e loucos amigos!

Muitas vezes me interrogaram sobre a amizade e, se de alguma forma eu saberia responder quantos amigos tenho.
Confesso que hesitei em responder...pensei, pensei e em meio ao silêncio fui questionado pela segunda vez: “Não sabe quantos amigos têm?”
Na verdade eu sabia, mas naquele momento o silêncio era preciso, não pra contar nos dedos ou relembrar os nomes, mas pra calar em mim um triste questionamento: a ausência da verdadeira amizade.

Amigos? Eu tenho. Talvez até conte nos dedos e os nomes, esses, eu os sei decorados.

Conheço muitas pessoas: umas aqui, outras ali... Algumas convivem comigo e me definem sem hesitar de “amiga”; outras, riem comigo, saem comigo, me abraçam, me procuram na necessidade - mas em momentos de aperto apenas lamentam e nada fazem, nada oferecem ; a essas, certamente, não atribuo tal substantivo.

Meus amigos vieram do acaso, meio sem querer... Foram vindo, se mostrando e assim ficando.
 
Vieram com risos frouxos, tímidos... Abraços largos e um ombro que não tinha tamanho.

Ah, esses ombros! Esses já me foram muitas vezes necessários.

Com o tempo vamos percebendo nossos amigos... Sim, é verdade, isso acontece lentamente, passo a passo.
 
Meus amigos vieram da noite agitada, do dia tranqüilo, da casa ao lado ou simplesmente do nada, mas vieram...

Tenho amigos que comigo desabrocham risos soltos, gargalhadas sem nexo... Amigos que fazem de um dia bobo, um momento inesquecível.

Quero meus amigos próximos ou distantes, que compreendam meu silêncio em dias de festa... Que chorem comigo e que me liguem sem hora marcada, apenas pra perguntar como estou.

Não quero amigos que me tragam respostas previsíveis, mas que unidos possamos encontrar o manual para entendê-las.

Não quero o sorriso mal dado, nem o abraço afastado...

Quero e preciso da intensidade dos atos, do abraço não esperado... Da conversa séria nos momentos precisos e do puxão de orelha na hora do erro.

Meus amigos sobrevivem assim: na ausência, na presença, virtualmente ou simplesmente ligados a mim.

Meus amigos deixam em mim um pouco de suas loucuras e levam parte do que sou , do meu riso...saudades;

Dos meus amigos quero a verdade, a diversão, a seriedade... Quero a mistura completa de qualidades e defeitos;

Dos loucos e sãos amigos, quero a cara lavada, a criança levada, a imaturidade em baixas doses;
 
Quero a aventura de um dia diferente e o bom humor nos meus piores dias...quero a verdade na hora exata, a sinceridade nos conflitos e o perdão quando for preciso.

Sim, mas voltando a pergunta anterior... Eu tenho amigos! Poucos, mas verdadeiros e com uma combinação perfeita do que preciso.
 Tenho um pouco de tudo neles: o que me atrai e o que me afasta, mas necessariamente não precisamos da perfeição em tudo - a verdade dos sentimentos em si já me basta!

Ana Clea Bezerra de Abreu
Enviado por Ana Clea Bezerra de Abreu em 27/03/2006
Código do texto: T129129
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Sobre a autora
Ana Clea Bezerra de Abreu
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 39 anos
49 textos (3783 leituras)
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Ana Clea Bezerra de Abreu