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Durante muitos anos,...

Durante muitos anos, sempre tive a pressa como aliada, naquela fase de querer chegar primeiro, correndo, correndo e correndo, incessantemente. A pressa era a minha aliada, fiel aliada. Isso não faz muito tempo, mesmo. Tinha que correr, correr contra o tempo, correr contra a miséria, correr e correr, para não ser atropelado pela ação do tempo que nunca estava a favor. Durante anos a fio, essa corrida desenfreada era levada em conta para alcançar a segurança, como diziam alguns, o status, como diziam outros. E não havia meios de parar a correria. Nada. Céus, quanto tempo passei correndo! De um tempo para cá, também há alguns anos, a caminhada tomou
outro rumo e muito mais calmo. A corrida diminui drasticamente, mas a perseguição aos objetivos não. Muito pelo contrário, ficaram mais fortes. Pensei que ficaria para trás, afinal vinham aos milhões me passando na mesma pressa desenfreada que tinha me imposto durante anos. Passei até a achar que não chegaria a lugar algum, e se chegasse, mesmo atrasado, nada encontraria, perdido para aqueles que estavam muito à minha frente. Aliando conhecimento, é claro, os caminhos começaram a mostrar alternativas, cada vez mais viáveis, trilhas novas, atalhos e mais atalhos. É o que chamam de encurtamento do caminho pela sabedoria. Nem sempre a trilha mais curta, mas a mais justa. E em cada ponto que queria chegar, ainda pensando que encontraria verdadeiras multidões, o espanto de quase ninguém encontrar.
Continuando a caminhada, os poucos que se apresentavam, vinham na mesma toada, no mesmo encurtamento do caminho. E os apressados nem apareciam no caminho, nem saberia dizer onde estavam. E, em meio as incertezas que acabam povoando a mente, pensava no que poderia ter acontecido, uma vez, que mesmo nessa calma, em que alguns, assim como eu, iam encontrando respostas, encontrando novos caminhos e seguindo em frente. Não tem nada de ser perfeito, não tem nada de ser melhor que os outros, não tem nada de mostrar algum tipo novo de lição, mesmo porque os apressados continuam se avolumando quando nos colocamos a caminho de um objetivo. Talvez o que lhes falte é a providencial paciência, a qual, com o passar do tempo, aprendi a melhor conhecê-la.

Peixão89
Peixão
Enviado por Peixão em 02/05/2005
Reeditado em 29/03/2008
Código do texto: T14208
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Peixão
Santo André - São Paulo - Brasil, 57 anos
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