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Pensar nos outros ?

Hoje eu tive a oportunidade de observar o trabalho dessas meninas que vendem crédito pessoal na rua. Falo do pessoal que faz o corpo a corpo com um possível cliente, tenta convencê-lo a se cadastrar, oferece brindes e tudo o mais. Percebi que uma das garotas chamava os transeuntes de “amigo”. Palavra essa que serve para demonstrar proximidade, confiança, honestidade, afeto e cumplicidade.

Na verdade, essa atitude não passa de um método de captação de cliente e isso não é nenhuma novidade. Como pode uma pessoa que quer me vender algo do qual eu não preciso me chamar de amigo? O primeiro contato com um elemento desses já me assustaria. Nem me conhece, nunca me viu, só veio falar comigo por interesse próprio e ainda por cima me chama de amigo? Não, comigo não!

Isso me fez lembrar algo que eu penso já há algum tempo. Qual seria a utilidade pública-social de um profissional de propaganda e marketing? Ele serve para me vender algo do qual eu não preciso? Serve para criar necessidades fúteis e superficiais? Ele age em interesse e conveniência própria? Todas essas perguntas possuem uma única resposta, SIM!

Mas convenhamos, um advogado serve para quê? E um comunicador de massa? E quanto ao economista? Um acionista da bolsa de valores? Um grande correntista? O dono de um banco? São todos iguais, sempre agem em interesse e conveniência própria.

Na economia capitalista, que se caracteriza por ser extremamente predatória, precisamos sempre “garantir o nosso”. Temos sempre que dar prioridade aos nossos interesses antes de pensar, ou até mesmo conhecer, os interesses dos semelhantes. Nessa sociedade, só podemos pensar nos outros depois que já providenciamos a nossa própria parte e é disso que as pessoas esquecem. Apesar de tudo ainda podemos pensar nos outros.

Desde pequenos somos educados para participar dessa competição, mas nunca nos explicam que também podemos competir de outro modo. Não devemos esquecer dos outros. É fácil compreender que uma pessoa, ou um pequeno grupo, nunca irá mudar uma sociedade super estruturada como a que temos hoje. Contudo isso não é motivo para pensarmos somente em nós mesmos.

Podemos pensar nos outros, no coletivo. Já imaginou que bom seria se todo promotor de justiça fosse feliz com seu próprio salário e dedicasse o seu tempo a investigar os corruptos, ao invés de sempre almejar muito mais do que tem? Que mundo maravilhoso teríamos se os publicitários não nos vendessem nada, mas sim, nos ensinassem e mostrassem outros caminhos para suprir as nossas necessidades. Tudo isso sem criar necessidades novas apenas para vender mais produtos de utilidade duvidosa.

Maravilhoso mesmo seria se todo comunicador de massa soubesse exatamente das conseqüências do seu trabalho e utilizasse isso para um fim benéfico, ao invés de iludir e distrair. Esse mundo pode ser utópico e estar longe de existir, mas se ele estiver presente e ativo na sua realidade, com certeza ele se mostrará para os demais e fará a diferença.
Matheus Colen
Enviado por Matheus Colen em 16/05/2006
Código do texto: T157000
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Sobre o autor
Matheus Colen
São Paulo - São Paulo - Brasil, 33 anos
22 textos (1295 leituras)
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Matheus Colen