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Arte e Religião

Desde os primórdios da humanidade, a história da “Arte” está intimamente ligada às práticas religiosas. E, surpreendentemente essa união “Arte-Religião” pode ser vista até os dias de hoje em todas as culturas, por todo o mundo, passando pelas grandes crenças universais (Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Budismo, Xintoísmo etc.), como também por todos os rituais mágicos e cultos animistas e totêmicos das comunidades tradicionais e povos indígenas.

A Religião é o conjunto de crenças ligadas ao mundo sobrenatural, divino e sagrado, bem como a soma dos rituais, práticas, ensinamentos, mandamentos e leis que estão embasadas nessas crenças.

Portanto, a “Arte Religiosa” é a manifestação humana por meio das diferentes formas artísticas que estão associadas às crenças, aos cultos espirituais ou aos inúmeros rituais dedicados aos deuses, seres ou forças sobrenaturais. De modo geral, a “Arte Religiosa” objetiva promover na pessoa ou grupo religioso sentimentos de contrição, piedade, fervor, reverência e envolvimento em cerimônias ou práticas religiosas.

No mundo ocidental, com a união do Império Romano ao Cristianismo a Arte esteve fortemente ligada à Religião até poucos séculos atrás. Durante toda a Idade Média, a “Arte Religiosa” tinha o valor de ensinamento e de exaltação dos sentimentos religiosos da Cristandade. Após o período do Renascimento, com todas as mudanças ocorridas nas Ciências e com o surgimento do Estado laico, a Arte desvencilhou-se das “Igrejas Cristãs”, surgindo daí manifestações artísticas desassociadas da Religião.

De acordo com a definição clássica, a Arte pode ser agrupada em 7 categorias, sendo elas: Música, Dança, Pintura, Escultura, Literatura, Teatro e Cinema. Mas, além destas, há um rol de outras atividades e práticas humanas que podem ser enquadradas como trabalho artístico, tais como: Arquitetura, Circo, Ópera, Desenho, Gravura, Colagem, Fotografia, Graffiti etc.

Hoje, é de consenso geral no meio artístico que a “Arte”, em todas as suas distintas áreas, possui uma produção totalmente independente do mundo religioso. Mas, mesmo assim, em muitas localidades, especialmente em pequenas cidades e em países pouco industrializados, existem poucos espaços para a promoção da “Arte”, sendo que em muitos casos os “artistas” só encontram espaço para mostrar e aprimorar seus talentos artísticos nas Escolas e nas Igrejas.

Assim, esse trabalho propõe avaliar brevemente a presença da “Arte” em “Igrejas Cristãs” da cidade de Gurupi, sul do Estado do Tocantins, com o objetivo de levantar uma reflexão sobre o papel das instituições religiosas na promoção artística local. Vale destacar que essa pesquisa é uma complementação de outro trabalho intitulado “Marketing Religioso”, que pode ser acessado no seguinte endereço: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/1710376

Primeiramente, apresento uma série de considerações genéricas sobre a presença das inúmeras manifestações da “Arte Religiosa”, e posteriormente enfoco em aspectos específicos da presença de cada ramo artístico nas diferentes “Igrejas Cristãs” da Capital da Amizade.

A cidade de Gurupi possui uma ampla variedade de denominações religiosas cristãs, e em todas elas é possível identificar similaridades quanto à prática litúrgica, ou seja, todas as “Igrejas Cristãs”, de modo geral, apresentam um padrão estereotipado para suas cerimônias religiosas (cultos, batizados, consagrações, santa ceia, eucaristia etc.), sendo que esses eventos envolvem basicamente momentos de oração, louvor, pregação da palavra e apresentação de testemunhos.

Assim, é facilmente reconhecido por todos que a “Música de louvor” ou “Música gospel” é a Arte mais popular entre todos os religiosos, independentemente do segmento cristão a que pertença.

De modo geral, o Cristianismo é uma religião fundamentada nos ensinamentos presentes nas Escrituras Sagradas e pelas tradições que se consolidaram ao longo dos séculos por inúmeros estudos, reuniões, cismas e concílios. Além do mais, na quase totalidade dos ramos do Cristianismo há a exigência de formação específica, em seminários, mosteiros ou universidades, para que o clérigo, pastor ou teólogo possa dominar os ensinamentos e práticas cristãs. Tudo isso fomentou uma riquíssima literatura religiosa. Dessa forma, é visível em todas as pequenas paróquias e congregações cristãs de nossa cidade e de diversas outras localidades de nosso país o incentivo a produção da “Música” e-ou da “Literatura” cristãs.

Existem inúmeras referências da “Dança” em passagens da Bíblia, especialmente no Velho Testamento, mas genericamente pouco se fala na atualidade sobre “Dança Cristã”. Alguns exemplos sobre o enfoque que as diferentes “Igrejas Cristãs” locais dão à essa Arte serão abordados posteriormente.

O “Teatro” nasceu entre os gregos e certamente que é uma das 7 Artes Clássicas que tem menos espaço dentro da história do Cristianismo. Recentemente, vários ramos do Cristianismo têm incluído o “Teatro” como forma de enriquecer suas cerimônias e cultos, especialmente em datas comemorativas do calendário cristão.

O “Cinema” é tido como a “Sétima Arte”, tendo sido criado há pouco mais de um século, e juntamente com o “Teatro” tem ocupado pouco espaço dentro da “Arte Religiosa”. É certamente a Arte mais cara e mais difícil de ser produzida localmente, mas ainda assim pode ser considerada de fácil acesso, mesmo em pequenas cidades, especialmente nos dias de hoje onde a internet permite o acesso fácil à cinematografia produzida em qualquer parte do mundo.

A “Pintura” dentro do Cristianismo possui uma vasta e ampla história. Já nos primórdios os cristãos manifestavam sua subjetividade por meio de pinturas em catacumbas e sarcófagos de pedra. Posteriormente, com união do Império Romano ao Cristianismo, a “Pintura” ganhou enorme destaque juntamente com a “Escultura” e “Arquitetura”. Assim, foram construídas igrejas, basílicas, catedrais, mosteiros, sempre decorados com esculturas e pinturas sacras.

Hoje, parte de toda essa produção artística está preservada em museus e instituições de pesquisa de várias partes do mundo. Vale lembrar que a sacralização da “Arte Cristã” chegou a seu apogeu no período “Barroco”, época de exaltação religiosa no Catolicismo europeu. Ressalto ainda que a espiritualidade artística estendeu-se também às diversas Colônias européias, como se pode apreciar nas catedrais barrocas do continente americano, como por exemplo, em cidades no Nordeste brasileiro (Recife, Olinda, Salvador etc.) e do Estado de Minas Gerais (Mariana, Ouro Preto, São João Del Rei e Congonhas). Essas últimas cidades foram agraciadas nos séculos XVIII e XIX com o trabalho do escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como “Aleijadinho”. Não poderia deixar de mencionar as cenas da vida de São Francisco, que foram pintadas em meados do século passado por Portinari na pequenina e admirável igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Relembro ainda que tais manifestações artísticas não são reconhecidas pelos segmentos cristãos protestantes.

A “Escultura” é a arte de representa imagens plásticas em relevo total ou parcial. Historicamente, a “Escultura” sempre andou de mãos dadas com a “Pintura” e a “Arquitetura”. Existem várias técnicas pelas quais se podem trabalhar os diferentes tidos de materiais empregados em esculturas, tais como, a cinzelação, a fundição, a moldagem ou a aglomeração de partículas para a criação de um objeto. Vários materiais se prestam a esta Arte, uns mais perenes como o bronze ou o mármore, outros mais fáceis de trabalhar, como a argila, a cera ou a madeira. Tradicionalmente, o foco principal da “Escultura Religiosa” é representar o corpo de santos, profetas ou de divindades. É importante dizer que a “Escultura Religiosa” não é prática recorrente entre os cristãos protestantes, que consideram, de modo geral, tal aspecto não condizente com sua interpretação das Escrituras.


Após essa primeira parte, inicio a etapa que apresenta o enfoque específico desse trabalho que é direcionado para o levantamento que realizei acerca da “Arte Religiosa” das “Igrejas Cristãs” de Gurupi. Aqui, nessa parte, além dessas 7 Artes Clássicas (Música, Dança, Pintura, Escultura, Literatura, Teatro e Cinema), esse estudo aborda também outras manifestações artísticas locais das quais pude obter alguns dados, como é o caso da “Arquitetura”, “Desenho” e “Fotografia”.

E, destaco inicialmente, que a ordem de abordagem das Artes enfocadas seguirá de modo geral a apresentação realizada na primeira parte. Assim, iniciaremos pela “Música de louvor”, que certamente aos olhos de leigos e eruditos é a Arte mais acessível aos religiosos, pois qualquer pessoa que participar pela primeira vez de um culto poderá sem muita dificuldade participar do momento de louvor.


MÚSICA

Nesse quesito, é importante lembrar que existem inúmeras diferenças entre a liturgia das cerimônias religiosas realizadas entre a “Igreja Católica” e as “Igrejas Protestantes”, mas recentemente as missas católicas têm absorvido muitos aspectos dos evangélicos, principalmente no movimento de Renovação Católica Carismática (RCC). Além disso, é importante lembrar que entre as Igrejas Protestantes há diferentes modos de se conduzir o momento do louvor, que será abordado com mais detalhes de forma mais específica logo a seguir.

Assim como no trabalho anterior, é possível agrupar as “Igrejas Cristãs” de Gurupi de acordo com a forma que se pratica o louvor. Então, identifiquei 03 (três) grupos distintos. O primeiro deles reúne uma série de Igrejas que possuem uma visão exclusiva de louvor, ou seja, que produzem um louvor do tipo clássico, fundamentado nas tradições e com pouca abertura para a produção de música por membros locais. Além disso, nesse primeiro grupo estão incluídas as Igrejas cujos membros, genericamente, não ouvem música em casa, nem promovem eventos de louvor fora de suas sedes de culto. O segundo grupo reúne Igrejas com louvor mais tradicional. E, o terceiro grupo, abarca as instituições que possuem um louvor moderno. A seguir tais denominações em seus respectivos grupos serão apresentadas

1ª GRUPO – LOUVOR CLÁSSICO E EXCLUSIVO

Conforme dito anteriormente, esse primeiro grupo reúne as denominações religiosas que possuem um louvor que pode ser definido como clássico, pois é pautado exclusivamente nas tradições e no estilo musical que teve origem quando da “criação” de cada respectiva Igreja. A classificação exclusiva tem relação direta com a idéia recorrente em cada uma dessas denominações que, de modo geral, não mantém vínculo com as demais instituições religiosas definindo, por isso, seu louvor como “exclusivo” e “único”.

A Congregação Cristã do Brasil (CCB) se destaca no quesito “Música Religiosa”, pois é a “Igreja Cristã” tida como sendo a detentora da maior orquestra do mundo.  O culto nessa denominação religiosa é conduzido de forma bem peculiar, e as músicas de louvor são realizadas com instrumentos clássicos. A CCB, assim como outras “Igrejas Cristãs”, possui um “Hinário” específico que é produzido exclusivamente pela denominação e não pode ser adquirido em lojas de artigos religiosos. A CCB não produz nenhum tipo de material de divulgação de suas músicas, e não há entre os membros dessa Igreja a prática do louvor em casa ou em outro ambiente qualquer que não seja a Congregação. Nessa Igreja não há a produção de CD’s e DVD’s e os músicos de sua orquestra só tocam durante as cerimônias religiosas realizadas nas Congregações. Nesse aspecto, essa denominação religiosa se assemelha à outras instituições que também  praticam o louvor quase que unicamente durante as reuniões nas suas sedes de culto, como por exemplo, as “Testemunhas de Jeová”, a “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” e a Igreja Cristã Maranata.

Conforme dito, a Igreja de Jesus Cristo do Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como “Igreja dos Mórmons”, também possui um louvor no estilo clássico, com emprego de piano e instrumentos de sopro. Além disso, faz parte da tradição dessa Igreja a formação de coral. Não produzem material de divulgação das músicas compostas por membros da instituição, e assim como outras “Igrejas Cristãs” possuem músicas próprias, que estão reunidas um “Hinário” específico, chamado de “Hinos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Quase todas as composições desse “Hinário” são de origem norte-americana, pois a sede mundial da instituição fica naquele país. Diferentemente da maioria dos grupos evangélicos, os Mórmons não realizam eventos em locais públicos e fora dos templos.

As “Testemunhas de Jeová” fazem um louvor clássico, quase sempre sem o emprego de instrumentos de música moderna, como por exemplo, violão, guitarra e bateria. Essa instituição religiosa possui o “Cânticos do Reino”, que reúne suas músicas de louvor, produzidas quase sempre por membros da Igreja nos Estados Unidos, que são traduzidos para diversas línguas. Não há estimulo a produção local de música, e os membros dessa instituição na costumam ouvir músicas da Igreja em casa, pois assim como os crentes da CBB e os Mórmons não produzem CD’s e DVD’s.

A Igreja Cristã Maranata (situada na Avenida Santa Catarina, esquina com a Rua 04, centro) é uma entidade religiosa bem parecida com as Igrejas citadas anteriormente. Parte das músicas de louvor cantadas nessa instituição pode ser observada em outras Igrejas Evangélicas. Assim como ocorre entre os membros da CBB, “Testemunhas de Jeová” e Mórmons, entre os membros da “Igreja Cristã Maranata” não há estimulo a produção de música local.

A "Igreja em Gurupi" (situada na Avenida Minas Gerais, esquina com a Rua 05) tem pouca relação com as demais “Igrejas Cristãs”, o que acaba refletindo nas músicas cantadas por essa instituição religiosa. Parte das músicas de seu “Hinário” são aquelas que podem ser encontradas nos “Hinários” de outras Igrejas, e o restante é quase todo de origem chinesa, onde o alicerce dessa denominação foi estabelecido.


2ª GRUPO – LOUVOR TRADICIONAL

Esse grupo reúne as “Igrejas Cristãs” de Gurupi que possuem um louvor mais tradicional, mas que é em maior ou menor grau partilhado por diversas instituições diferentes. Geralmente, as Igrejas aqui agrupadas recebem e toleram certa influência musical de outras denominações cristãs. Esse enquadramento não quer dizer necessariamente que tal denominação se enquadre como “Tradicional” ou “Renovada”. Relembro que o termo “Renovação” se refere às instituições religiosas que adotam o “Batismo como o Espírito Santo” e o “Dom de falar em línguas” com sinal de renovação espiritual.
 
Diferentemente do que isso possa parecer, identifiquei o “Louvor Tradicional” desse segundo grupo como sendo aquele pautado fortemente nos “Hinários”. Dessa maneira, as Igrejas que praticam o louvor com ênfase nos “corinhos” e nas músicas veiculadas pela mídia gospel fazem parte do terceiro grupo e são enquadradas como praticantes do “Louvor Moderno”.
 
Relembro ainda que grande parte das músicas cantadas pelas Igrejas desses dois grupos é comum, especialmente nesses últimos tempos. Anteriormente, em décadas passadas era impensável ver numa missa católica a presença de músicas compostas por evangélicos e vice-versa. Da mesma forma, hoje, isso também ocorre em outras Igrejas Protestantes, como por exemplo, na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Os Adventistas do Sétimo Dia tradicionalmente mantém uma postura de pouco vínculo com as demais “Igrejas Cristãs”, mas recentemente é impossível saber quais são as músicas que são produzidas exclusivamente por membros dessa instituição e quais são as canções que vem de outras instituições religiosas.

Reforço ainda que no primeiro grupo de “Louvor Clássico e Exclusivo” o que se vê é uma separação clara entre as músicas de cada instituição, pois relembro que o louvor nessas instituições é pautado sempre pelo uso constante e quase que exclusivo do “Hinário”.

Assim, nesse segundo grupo que engloba as “Igrejas Cristas” de “Louvor Tradicional” podem ser incluídas diversas denominações, tais como: (1) Igreja Petencostal Deus é Amor (IPDA); (2) Igreja Luterana do Brasil; (3) Igreja Metodista Wesleyana; (4) Igreja Adventista do Sétimo Dia; (4) Igreja Assembléia de Deus, vinculada ao Ministério de Anápolis; (5) Igreja Assembléia de Deus, vinculada a Convenção Internacional das Assembléias de Deus/ Serviço de Evangelização Tocantins-Araguaia (CIAD/SETA); (6) Igreja Assembléia de Deus “Missão”; (7) “Igreja Assembléia de Deus Missão do Brasil”, conhecida popularmente como “Igreja do Alto Falante”, por causa das pregações que são transmitidas através de um alto falante no alvorecer do dia pelo Pastor Sebastião Paulino de Sá; (8) Igreja Batista Tradicional, vinculada à Convenção Batista Brasileira (CBB) está presente em Gurupi com cinco Igrejas, sendo elas: 1ª Igreja Batista (Rua 04, entre as Avenidas Goiás e Pará, Centro), 2ª Igreja Batista “Peniel” (Rua 07, entre as Avenidas Piauí e Pernambuco, Centro), 3ª Igreja Batista “Nova Jerusalém” (Avenida Rio de Janeiro, entre as Ruas 07 e 08, Centro), 4ª Igreja Batista (Avenida Rio Branco, entre as Ruas 11 e 12, Centro) e a 5ª Igreja Batista “Nova Esperança” (Setor Casego); (9) Igreja Presbiteriana Tradicional; (10) Igreja Cristã Evangélica; (11) Igreja Presbiteriana Renovada, que faz a divulgação de seus trabalhos por meio do “Jornal O Evangélico”, e é uma das Igrejas Cristãs responsáveis pelo sucesso da Aliança de Ministros Evangélicos de Gurupi (AMEG); (12) Igreja Tabernáculo da Fé; (13) Igreja de Deus no Brasil; (14) Igreja Petencostal Restauração de Filadélfia (Rua 14, entre as Avenidas Pará e Goiás, Centro); e (15) Igreja Internacional do Poder de Deus (Avenida Piauí, entre as Ruas 12 e 13, Centro).

Em geral, todas as Igrejas Evangélicas fazem uso da “Harpa Cristã” da Igreja Assembléia de Deus, mas algumas delas possuem Hinários próprios que são adaptações da “Harpa”. A Igreja Presbiteriana do Brasil possui um “Hinário” chamado “Novo Cântico”; as Igrejas Batistas usam o “Cantor Cristão”; e a Igreja Adventista do Sétimo Dia usa um “Hinário” próprio.

A Igreja Evangélica Assembléia de Deus (IEAD), do Ministério Madureira, merece um parágrafo aparte, pois ela possui diversas características bem peculiares no que se refere a pratica do louvor. Hoje a IEAD conta com site na internet, programa de rádio e de TV, jornal impresso e uma gama de atividades para levar adiante sua missão de evangelismo. Ademais, existem diversas bandas de louvor, grupos de dança e teatro, e já é realidade a produção de música gospel por membros que atuam no louvor de Gurupi.

Da mesma forma que a IEAD, outras Igrejas que fazem parte do grupo “Neopetencostal” precisam de um enquadramento específico, pois elas reúnem uma serie de aspectos diferenciais. Assim, agrupei a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) e a Igreja Mundial do Poder de Deus como parte desse segundo grupo, pois, a meu ver, elas apresentam de modo geral um “Louvor Tradicional”, centrado na pessoa do dirigente do culto. Percebo que nessas denominações não é comum se ver o membro da Igreja se dirigir ao altar para fazer uma apresentação de louvor. Isso ocorre de forma rara, por que a condução das reuniões é realizada, quase que exclusivamente, pelos pastores e bispos. Informo ainda que elas valorizam enormemente a produção de músicas próprias, por meio das gravadoras que fazem parte do grupo de empresas associadas à Igreja. Em geral, nas reuniões não há bandas tocando no altar e nem se faz uso de corais. A IURD possui o “Louvores do Reino” que reúne suas músicas, em parte produzidas por membros da Igreja.

A Igreja Católica Apostólica Romana apresenta na maioria de suas missas um louvor mais pacato, mas normalmente nas reuniões do grupo de “Renovação Católica Carismática” e nos eventos especiais realizados em momentos específicos, como é o caso da programação de Carnaval, os católicos fazem uso constante do louvor com cânticos e corinhos. Destaco a presença constante de músicos e cantores católicos nos “Festivais de Música’ que são promovidos pelo SESI e pela Fundação Cultural de Gurupi.

A Igreja Apostólica, vinculada ao Ministério Sagrado da Santa Vó Rosa, que fica na Rua 04, Lote 12, Quadra 18, nº 262, Setor Jardim Eldorado, foi enquadrada aqui, meramente por não ter conseguido obter informações necessárias ao adequado posicionamento. Abro um parêntesis aqui para externar um descontentamento pela grande dificuldade que tive no levantamento de boa parte das informações para a maioria das instituições consultadas.

3ª GRUPO – LOUVOR MODERNO OU LOUVORZÃO

Esse terceiro grupo reúne as “Igrejas Cristãs” que fazem pouco uso dos “Hinários” e empregam de forma constante o “louvor de corinhos” durante suas cerimônias religiosas. Esse “Louvorzão” é assim chamado por envolver instrumentos elétricos, equipamentos de som de última geração, e além do mais há sempre a produção de muitos decibéis de som. Esses cultos geralmente podem ser ouvidos a muitos quarteirões de distância, e não raro geram polêmica entre essas Igrejas e suas circunvizinhanças.

Entre as Igrejas que praticam o chamado “Louvorzão”, cito: (1) Igreja do Evangelho Quadrangular; (2) Comunidade Sara Nossa Terra; (3) Comunidade Fonte da Vida; (4) Comunidade Evangélica, Ministério Comunidade Adoração; (5) Igreja de Cristo, vinculada ao Ministério Nova Terra; (6) Igreja Videira (antiga Igreja Vida Nova); (7) Igreja Evangélica Avivamento Bíblico; (8) Igrejas Batistas Renovadas, vinculadas a Convenção Batista Nacional (CBN) que são três em Gurupi: Igreja Batista Sião (Avenida Ceará, próximo da Rodoviária), Igreja Batista Filadélfia (Setor Nova Fronteira) e Igreja Batista Ebenézer (Avenida Alagoas, esquina com a Rua 17); (9) Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus (ITEJ), mais conhecida como “Casa da Benção”; e (10) Igreja da Tenda do Pastor Sérgio (Avenida Paraíba, esquina com a Rua 10, próximo à Rodoviária).


LITERATURA
     
O Cristianismo certamente é uma das religiões que mais produz literatura específica. Da mesma forma como ocorre com a “Música”, a “Literatura Cristã” está presente de forma ampla em todas as pequenas paróquias e congregações de nossa cidade e de diversas outras localidades de nosso país.

Entre os diversos segmentos cristãos observa-se genericamente um incentivo a produção de livros e demais obras literárias por membros locais. Em Gurupi, existem vários livros publicados com a temática religiosa por membros de diferentes Igrejas, principalmente pela Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Relembro também que várias “Igrejas Cristas” de Gurupi possuem membros, evangelistas e pastores que publicam regularmente textos informativos e testemunhos em jornais e revistas de circulação local.

Em geral, algumas poucas “Igrejas Cristãs” não incentivam a produção de material impresso em nível local, como é o caso das “Testemunhas de Jeová”, que utilizam todo material produzido em gráficas de outras localidades. Isso de modo nenhum quer dizer que o membro local não pode publicar nada, pois caso queira fazê-lo o cristão poderá enviar sua colaboração para a equipe da “Torre do Vigia” ou para sede da instituição que poderá aproveitar seu texto ou testemunho em uma publicação que será usada pela Igreja em todo o mundo. Semelhante postura é adotada pelos Mórmons e por algumas “Igrejas Neopetencostais”, tais como, Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) e a Igreja Mundial do Poder de Deus. Essas últimas denominações podem usar a produção local nos materiais (jornais, revistas, sites etc.) publicados em outros Estados e usados de forma ampla em todos os lugares em que a denominação está presente.

Há ainda as exceções de algumas “Igrejas Cristãs”, como por exemplo, a Congregação Cristã do Brasil, que não publicam nenhum material de divulgação de sua doutrina.


DANÇA E TEATRO

Existem inúmeras referências da “Dança” em passagens da Bíblia, especialmente no Velho Testamento. O “Teatro” nasceu entre os gregos há cerca de dois milênios e ainda hoje essa Arte não tem muito destaque dentro do Cristianismo.

Recentemente, vários ramos do Cristianismo têm incluído a “Dança” e o “Teatro” como formas de enriquecer suas cerimônias e cultos, especialmente em datas comemorativas do calendário cristão.

De modo amplo, pode-se dizer que as Igrejas que mais usam a “Dança” e o “Teatro” são as chamadas “Neopentencostais”, e também aquelas que praticam o “Louvorzão”, como é o caso do grupo de “Renovação Católica Carismática”. Mas, de modo geral, quase todas em alguns momentos especiais usam tais “Artes” em seus cultos religiosos.

Relembro ainda que muitas “Igrejas Cristãs” de Gurupi possuem “Grupos de Dança e Teatro”, com destaque para a Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Evangélica Assembléia de Deus, Igreja de Cristo e Igreja Batista Sião.


CINEMA

O “Cinema” é tido como a “Sétima Arte”, tendo sido criado há pouco mais de um século, e juntamente com o “Teatro” tem ocupado pouco espaço dentro da “Arte Religiosa”. É certamente a Arte mais cara e mais difícil de ser produzida localmente, mas ainda assim pode ser considerada de fácil acesso, mesmo em pequenas cidades, especialmente nos dias de hoje, onde a internet permite o acesso fácil à cinematografia produzida em qualquer parte do mundo.

Curiosamente, vejo que muitas “Igrejas Cristãs” são rígidas no que se diz ao uso de “Músicas” e “Literatura” produzida por outras denominações religiosas, mas no que se refere ao “Cinema” isso geralmente é menos abordado dentro das Instituições. Por exemplo, qualquer membro de uma “Igreja Evangélica” pode assistir um filme com temática “Católica”, ou mesmo uma “Testemunha de Jeová” poderá assistir um filme produzido pela “Escola de Cinema dos Mórmons”. Na verdade isso ocorre não porque os membros de tais Igrejas estão sendo adeptos do “Ecumenismo” ou qualquer coisa parecida, mas é recorrente muito mais pela dificuldade de se separar claramente o que é produzido e mais adequado para seu grupo religioso específico.

Como normalmente os membros das Igrejas assistem tais filmes nas suas residências em companhia dos familiares, e a procura por esses filmes é feita sem muitos detalhes pela internet ou na locadora do bairro, esse fato acaba se tornando presente no dia-a-dia de muitas Igrejas. Assim, observo  que na maioria das “Igrejas Cristãs” de Gurupi há um cuidado maior no policialmente e no repasse de informações sobre a “Literatura” e o tipo de “Música” que devem ser consumidos pelos membros do que em relação às obras cinematográficas que podem ser alugadas na diversas locadoras de cidade ou acessadas pela internet.


PINTURA, ESCULTURA E ARQUITETURA

Conforme dito anteriormente, os estudiosos da “Arte Religiosa” consideram a “Pintura”, a “Escultura” e a “Arquitetura” como as principais fontes de inspiração para os artistas.

Mas, é importante destacar que essas “Artes” estão fortemente presentes no Catolicismo, e de modo genérico não se vê sua presença no “Protestantismo”, especialmente no Brasil. Portanto, é visível uma valorização dessa produção artística entre os membros do Catolicismo Romano e sua pouca relevância entre os evangélicos.

Ainda assim, é possível observar em Gurupi que a Congregação Cristã do Brasil (CCB) é a Igreja Cristã com maior valorização da “Arquitetura” para a construção de seus locais de culto. Toda Congregação Cristã do Brasil tem um padrão arquitetônico bem peculiar que pode ser facilmente perceptível por qualquer pessoa. Há uma única forma e uma cor específica (cinza) para todas as sedes de culto dessa denominação.

Além do mais, internamente todas CCB’s possuem a mesma organização, com a mesma disposição de entradas, corredores, localização e formato do altar, tamanho e forma das janelas, entre outras coisas. Até mesmo o formato e tamanho e cadeiras dos bancos são idênticos para todas as Igrejas. Curiosamente, todos os bancos são de madeira e possuem um “genuflexório”, que é uma parte específica que serve para que o cristão apóie seus joelhos durante as orações. O emprego desses critérios arquitetônicos e decorativos é realizado sempre com o intuito de levar as pessoas a terem comunhão com Deus.


DESENHO E FOTOGRAFIA

A prática do “Desenho” com temática religiosa é mais forte entre os Católicos do que entre os Evangélicos. Esse fato está associado à idéia fortemente presente entre os Protestantes que assoceiam o “desenho religioso” a “criação e valorização dos ídolos”, o que segundo pensam não condiz com os ensinamentos bíblicos.

Portanto, é praticamente impossível encontrar um cristão evangélico que goste de desenhar e expresse seu talento artístico apresentando cenas da Bíblia ou de sua subjetividade espiritual. Mesmo nas Igrejas Evangélicas que possuem salas especiais para crianças, geralmente, não se vê professores incentivando às crianças a desenharem temas religiosos. Normalmente, entre os “Evangélicos” há um incentivo claro para a realização de “pinturas”, “colagens”, “artesanato” e “desenhos” com temática abstrata ou retratando temas do cotidiano, entre outros motivos, mas muito raramente com enfoque à temas ligados a religiosidade.

Relembro ainda que existem poucos espaços onde o artista evangélico pode usar sem restrição seu talento associado a “Pintura”, ao “Desenho” e as artes plásticas de modo geral. Tal produção artística pode ser usada, principalmente, no enriquecimento da arte gráfica empregada na produção de folhetinhos evangelísticos, Bíblias ilustradas para crianças e no planejamento gráfico das revistas usadas nas Escolas Bíblicas.

Atualmente a “Fotografia” tem se tornado uma experiência cada vez mais presente no dia-a-dia de todos. A chegada da tecnologia digital tem modificado abruptamente os paradigmas que norteiam o mundo da “Fotografia”. Os equipamentos, ao mesmo tempo que são oferecidos a preços cada vez menores, disponibilizam ao usuário médio recursos cada vez mais sofisticados, assim como maior qualidade de imagem e facilidade de uso. Tudo isso tem proporcionado o registro fácil e barato das cerimônias religiosas. Assim, por meio da internet, os cristãos tem propagado sua fotos para todas as partes do mundo.
Mas, genericamente, da mesma forma que é possível ver uma distinção clara entre os Católicos e Evangélicos no que se diz ao incentivo e valorização da “Pintura”, da “Escultura” e do “Desenho”, há também uma diferenciação nos temas da “Fotografia Cristã”. Além disso, não há entre alguns poucos grupos de “Igrejas Cristãs” o incentivo da prática da Fotografia em suas cerimônias religiosas, como é o caso da Congregação Cristã do Brasil.


A “Parábola dos Talentos” (Mateus, cap. 25, 14 a 30) contada pelo Senhor Jesus Cristo é uma das mais lindas ilustrações acerca de princípios do reino de Deus, em relação ao serviço que prestamos a Ele, antes de sua volta. Ela pode ser interpretada de diversas maneiras, sendo uma das quais associando os “talentos” aos “dons artísticos” que cada cristão pode usar a serviço de Deus.

A “Parábola dos Talentos” retrata a situação de um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou seus servos, e entregou-lhes os seus bens. Ao primeiro deu cinco talentos, ao segundo, dois e ao terceiro, um. Os dois primeiros servos negociaram os talentos recebidos e devolveram, respectivamente, dez e quatro talentos. O terceiro servo devolveu apenas o que havia recebido. Os servos que multiplicaram seus “talentos” ganharam novas intendências. Mas, o que o guardou, até este o amo lhe tirou, dizendo: "Porque  a todo o que já tem, dar-se-lhe-á, e  terá  em abundância; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem".

A “Arte” como qualquer outra manifestação cultural humana pode ser considerada uma dádiva divina, e pode ser utilizada para união de pessoas e grupos, reafirmando valores, estabelecendo laços e concordância.

Em algumas sociedades, as pessoas consideram que a “Arte” pertence à pessoa que a criou, mas geralmente entre os judeus, cristãos e mulçumanos o artista é tido como uma pessoa especial que usa seu “talento” ou “dom artístico” na produção e criação das diferentes obras de “Arte Religiosa”. Assim, enxergam que esse “talento” é um dom individual que deve servir a coletividade, levando seu grupo a ter comunhão com o sagrado.

A “Arte” independente de ser “Religiosa” ou “Secular” possui por si só um valor inestimável; tem sempre uma função transcendente. É incrível como poucos rabiscos num papel, pequenas cifras ou simples versos são capazes de reunir uma gama enorme de idéias e conceitos, e de um jeito único podem tocar profundamente qualquer pessoa, independente de classe social, status econômico ou formação acadêmica.

A “Arte” é capaz de mexer conosco de uma forma incrível, pois somos os únicos nesse mundo capazes de usar esses “dons divinos” para criar coisas e expressar os mais diversos estados de consciência, abrangendo percepção, emoção e razão.

Produzir “Arte” é algo que nos torna diferentes de todos os demais seres à nossa volta e é algo que nos liga a um mundo além daquele que conseguimos tocar e sentir por meio dos cinco sentidos. Por meio da “Arte” viajamos por outros mundos, por lugares distantes e maravilhosos. Com ela, somos capazes até mesmo de ir ao Céu ...

Acredito que a produção da “Arte” deve ser valorizada e incentivada em nossa comunidade, não só com fins imediatistas e pragmáticos, pois ela deve servir para um fim maior, não ficando unicamente restrita a um grupo especifico, nem somente a um único objetivo.

É certo que as “Igrejas Cristãs” locais tem um papel fundamental na promoção dos talentos de nossa comunidade, o que deve ser reconhecido e melhor estudado !!!

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Gurupi – TO, Julho de 2009.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

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Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 22/07/2009
Reeditado em 19/04/2012
Código do texto: T1713425
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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
Brasília - Distrito Federal - Brasil
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