Convite & Apontamentos

i

Venha

Obviamente a palavra é um convite.

Acordar uma poesia, algo semelhante, algo igual à leitura.

Apetece-me escrever deste modo, começar assim o dia.

Imagino que te olho nos olhos.

Agora fecha os olhos:

Quero aproximar-me e olhar-te sem que me vejas. Vieste e ficas, a palavra pertence-te.

ii

Ficas

Obviamente queres saber como ficas?

É simples, abre os olhos.

Quando se quer ver melhor o que se sente fecha-se os olhos, quando se quer olhar sem sentir que se vê, olha-se apenas.

iii

Figo

Obviamente o óbvio é óbvio e nunca é óbvio.

Vistas assim as coisas, as coisas nunca são óbvias e, assim, é algo...

Chamei para um diálogo, chamei-lhe um "figo".

{Nota

Esta nota/comentário faz parte do texto.

Fico com o "figo": sabor e ar, inspiração! Aponto...}

Apontamentos

Noto

Sem sentir o que se vê

Quem lê

Mas não lê

A poesia escrita,

O poema,

Vem

Para ficar

Nota

O poema usa-se,

Pode usar-se,

Assim ..

Como uma máscara

O poeta olha

Através dele onde

É necessário deixar

A abertura para os olhos!

Solta

A poesia verdadeira

É uma ideia

Começada

Na infinitude do olhar

A necessidade

Da palavra em todo

Ou qualquer...

É a sina

Faz a assinatura! Faça-se.

{Este "Faça-se" é pouco menos que intrigante mas, para ser bem lido, é necessário acabar nele. Falta-lhe, para ser intrigante, a assinatura do leitor: leito da leitura, o ri_s_o d_um comentário alegre!}

Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 12/07/2006
Reeditado em 12/11/2006
Código do texto: T192315