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ASSUNTOS CORRIQUEIROS DO TEMPO

Filosofando sozinho com o relógio...

...Calmo e pensativo analisou inúmeras vezes quais eram na verdade os fatos realmente relevantes no decorrer do seu dia. Passava-se os segundos, um a um. Ao mesmo tempo que notara o ponteiro no seu movimento cíclico denotou uma lembrança ou duas, até mais se desejasse mergulhar no passado recente de sua pequena trajetória. Uma angústia sofrível por si só. E ele ali na frente do monitor avistando o giro dos ponteiros...

Controlava um taxativo pensamento que não respondeu as tuas ausentes emoções... Cotidiano paulistano. Quais poderia ter, ou no mínimo acreditar possuir?
Inicialmente não soube responder a própria indagação, carregada de um pudor filosófico. Gostava disso, poderia até querer outros dias iguais aquele.

O silêncio colaborava para mentalizar as idéias, transpirar os projetos e por fim calcular os riscos.
Do seu modo. Justificador, dos fins. Sim, os fins sempre tornam-se justificáveis, desde que conhecido os modos pelos quais agimos no primeiro. Quase ninguém teve tempo, sabedoria ou respeito para ouvir oralmente tais pensamentos...

Pensou de imediato, ainda carregando sua admiração em acompanhar o tempo mecanizado do relógio. O momento pedia outra reflexão, desejou que fosse tão exata quanto o cálculo do tempo de seu vizinho ali na escrivaninha. O que fazer com o tempo, o nosso tempo? Quais decisões seriam tão necessárias e importantes em nossa vida? A resposta inicialmente não foi encontrada... Envergonhava-se por isso. Como decidir? Pensou, pensava e conseqüentemente dormiria pensando nisso...

Quis a todo custo redefinir a ordem de suas palavras. Geralmente metafóricas ou hiperbólicas. Daquelas que geralmente fogem do sentido habitual dos nossos princípios e dogmas, das nossas evocações paternas, dos momentos equivocados. Nos quais nossos pais preferem definir como educação familiar.

Ainda com a caneta na mão, ansiava em escrever qualquer verso ou inquietação particular. Não o fez. Nenhuma letra sequer saiu de sua tinteiro, tentou desenhar sobre a folha virgem, porém sua caligrafia tipograficamente denominada: Lucida Corsiva não se fez presente... Preferiu guardar a folha assim. Apenas com a brancura retratada do seu pensamento.

Narrativa baseada no Livro de Nietzsche: Filosofando com o martelo - uma frase que imortalizaria a Arte Marginal e a verdadeira Arte alemã depois desse grande pensador:
"Eis ai um artista como aprecio, modesto em suas necessidades. Efetivamente só deseja duas coisas:
Seu pão e sua arte".
José Luís de Freitas
Enviado por José Luís de Freitas em 30/07/2006
Reeditado em 04/11/2008
Código do texto: T205212

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Sobre o autor
José Luís de Freitas
Diadema - São Paulo - Brasil, 32 anos
466 textos (177612 leituras)
28 áudios (28258 audições)
1 e-livros (111 leituras)
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José Luís de Freitas