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Por que o amor é estranho...

De repente me deu aquele sentimento ambíguo: vontade de ir, vontade de ficar. Vontade de dar asas à minha ira, de ter um dia de fúria, de virar o barco, e chutar o pau da barraca, de gritar, chorar, partir.
Tudo parecia sem nexo, sem sentido. As plantas, os cães, a casa tão vazia... Me senti traída.
Eu sei que ninguém é de ninguém, e eu canso de repetir isso para mim mesma, que no fundo, ainda tenho sentimentos bem medievais a respeito desse tal de "relacionamento a dois", e brigo comigo mesma para evoluir, não ter ciúmes, não me prender, e não prender o outro... mas tudo isso cai por terra quando a confiança é quebrada, quando aquele olhar de repente não diz mais aquilo tudo que dizia antes, é como um vaso quebrado.
Difícil de colar esse vaso, nem com toda a super-bonder do planeta fica igual.
Por que essas coisas a gente conquista com o tempo, quando a gente convive com uma pessoa durante algum tempo, há uma certa cumplicidade no olhar, nas palavras, nas pequenas coisas do dia-a-dia, que depois se perdem na rotina, nos dias comuns, nas manhãs sem beijo, e sem café passado...
Não sei em que ponto a gente se perdeu um do outro. Sei que estou tentando desesperadamente não me perder no meio da tempestade que se formou dentro de mim, embora sinta que minha nau sem rumo há muito´está no meio do mar, sem alento...
Estou sangrando por dentro... e não sei como estancar o sangue, como sacudir a poeira, como não pensar, como perdoar, como esquecer... como se esquece uma traição, será que há essa receita em algum manual do amor?
Como se recuperam os risos soltos, a cumplicidade dos olhares, o andar de mãos dadas, a flor no cabelo, o andar descalço na grama, o roçar de pernas à noite, na hora de dormir?
Como se recupera isso... eu adoraria saber a resposta. Se alguém tiver essa resposta, por favor me escreva.
Adoraria ter se não a certeza, pelo menos o caminho de volta.
cibele aguiar
Enviado por cibele aguiar em 07/08/2006
Código do texto: T211493
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Sobre a autora
cibele aguiar
Santa Cruz do Rio Pardo - São Paulo - Brasil, 47 anos
26 textos (1324 leituras)
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cibele aguiar