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Um aluvião pelo espelho

Olha-me profunda e atentamente, diante dos teus olhos atentos está ainda um resto de razão que pede para não morrer; porém eu digo que se tenho os pés no chão nesse exato momento é unicamente para te proteger do meu caos.
Não entenderias a insanidade bruta que conduz, esse desvelo desregrado de muitas horas, nem saberias o que fazer com esse furacão que me varre na extensão do dia, ou nem te darias conta dos meus vulcões em erupção contínua. Te digo que ligo e que medito sobre a castidade que me condena a ansiedade nos intermináveis passeios pelos átrios dos meus pecados. E quem poderia em riste me apontar, se me guardo nos meus silêncios pensados e traduzidos em falas densas, se escorro em linhas ardentes qual labareda que se consome em suas próprias brasas?
Não, francamente não conheces meu pouco bom senso, nem te atreverias pisar nos meus rastros ardentes, já que neles a utopia cavalga sem censura. Já disse e repito sou uma mistura de anjo e demônio que se esconde sob o fio tênue da razão, e que se guarda em muitas linhas mestras que convergem pra dentro de mim, é claro que se causo espanto; também sou temida pela enxurrada de sensações e arrepios; coisas que não se acha em parcelas ou metades, mas que expostas nesse aluvião de palavras bem ou mal organizadas, lambem o pouco de sossego que se pode guardar sem susto.
Ao contrário do que prega o meu lado angelical, que preserva meus relevos  dentro de contornos mansos, que me faz servil e dócil, ao contrário do que me prega em alto e bom som, as regras da saudável consciência, estão os desejos loucos os motivos da reclusão estúpida e a jornada maluca que se desenrola nesse ciclo infindável de idas e vindas sem raízes e sem lastros.
Assim, mais que um relance de olhos pelo espelho que me acusa na tua retina e se agita na tua pele nua, fica refletido em muitos focos; meus sussurros, ficam gravados no eco dos teus sentidos a minha presença longínqua e próxima, como a dizer, que se a insensatez é uma certeza e a razão uma fuga; está ao alcance de cada um de nós os desafios a se vencer em cada etapa dessa levada louca que é nossa passagem pela vida.
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 01/06/2005
Código do texto: T21272

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter