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Se acostumando..



A gente se acostuma a quase tudo.
O ser humano é altamente adaptável.
Se acostuma a luxos e a lixos.
Acostumamo-nos com perfumes e com  outros cheiros.
Depois de um tempo , se incorporam e nem os sentimos.

Acostumamo-nos em  ficar  com pessoas que nos desprezam,
com outras que não nos fazem bem e até  com as que nos fazem mal.
Também a sermos amados . E nos acomodanos.
Achamos  tudo normal . Porque nos acostumamos.
Com  clima quente   e depois de um tempo, suamos menos.
E aos climas gélidos.

Nos acostumamos em ser sós e  não entender como solidão.
A  pensar pouco, viver o que dá,  a observar menos,
a ouvir  com dificuldade,a olhar com desdém, a sermos superficiais .
E quando questionados sobre isso não entendemos o  teor da pergunta, porque o  contexto é esse   e estamos acostumados.

A gente se  acostuma a  se ver com uma certa indiferença,
como sendo um  grão de  poeira  sem rumo, sendo levado
por  vento  que não se  escolheu , a entender que  'Deus assim quis'.
Ou com excessivo valor,  como sendo um  semi-Deus ,
a exercer desmedida tirania ou vaidade poderosa.
A ser mais ou menos.

Acostumamos  com as saudades dos  entes que se foram,
dos que se ausentaram por decisão ;
com os caminhos  errados escolhidos pelos entes  queridos ,
sofridos... acostumamos em  aceitação.
Também com as dores e todos  os outros tipos de perdas.
Com frases  feitas.
A repetir a mesma oração.
A lutar e não receber restituição.
Fácil é se acostumar com o " bem bom".

Acreditamos que  fomos colocados na vida das pessoas por  desígnios  celestes e  resignados fazemos nossos passos e , muito ou pouco , nos esforçamos.
Ocasionalmente  nos perguntamos  o  por quê  de caírmos exatamente nesta cidade  e neste  país , neste contexto ...
mas respostas não vêm  ou não nos fortalecem.

Então nos apegamos  a  algumas coisas ;
às vezes , nos  apegamos  a  'tábuas de salvação' ...
dentro  de  um mar imenso  , mas  as  largamos pois apodrecem .
Acostumamos  a nadar  mais, ou menos,  a nos repetir  por condicionamento  , a sonhar  com  uma ilha  - a da fanatasia -ou com outra  tábua que nos
traga alguma segurança ou satisfação.

E no meio disto tudo,  estamos sempre  a nos adaptar ,
a nadar, remar,  caminhar  ,poucas vezes  tentamos  voar.
Não vou dizer que há saída para tudo ,  quase nada sei.
Somente  que somos seres  altamente adaptáveis  e ,
indo ou vindo, nos movimentando ou não, esforçando-nos
ou  desistindo  ,  a vida segue ...
Boa , apenas  satisfatória  ou  má  ,
com todas  nuances  em   formas   variadas.
Ora belas,  risonhas, felizes ,excitantes ...
Ora  bizarras, loucas,  vadias,  traiçoeiras,  enganadoras .
Tudo muito estranho. O viver é assim.

É só se acostumar.



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luferretti
Enviado por luferretti em 14/08/2006
Reeditado em 15/08/2006
Código do texto: T216347
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Sobre a autora
luferretti
Limeira - São Paulo - Brasil
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