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Este texto é dedicado à uma amiga muito querida, que está merecidamente recebendo a Medalha Pedro Ernesto, Zilmar Basílio, uma mulher de verdade, que traz esperanças, faz política de qualidade!


QUEREMOS NOSSA MÃE GENTIL

O Hino Nacional é composto da música de Francisco Manoel da Silva e do poema de Joaquim Osório Duque Estrada, numa construção belíssima entre letra e melodia. Mas é cantado de forma mecânica, imposta, deixou de ser um ato cívico e acredito que a pouca compreensão do seu significado se deve ao fato de estarmos muito aquém da possibilidade de expressar aquilo que nosso hino contextualiza: 

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante 

Nossas margens já não tão plácidas e do povo heróico um brado sufocado, é este o triste cenário. 

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
 

Quiséramos que estes versos fossem a tradução da realidade, ao contrário, nossa melodia, a canção de amor do nosso país, perdeu o sentido com tantas arbitrariedades sucessivas, vivemos tempos de vergonha. 

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
 

De que igualdade estamos falando? O Brasil se transformou em algo disforme, desigual, desumano. Todos os valores se inverteram, a ética e o humanismo tornaram-se produtos de segunda linha, falar sobre isso chega a ser redundante. 

Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte! 

Isso porque o povo brasileiro é insistente, perseverante, mas, infelizmente, cego e impotente, morre por algo que já não mais acredita e recorre à Deus: a resignação, a compaixão, a sorte, numa selva arbitrária e repleta de antagonismos. 

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
 

E o refrão parece que ainda anuncia a esperança de podermos fazer do Brasil, um menino, niná-lo com carinho, com verdade, com solidariedade, atenção, com canções sinceras onde se possa, ainda, dar conta de seus enredos. 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce


Nosso hino lindo traduzia otimismo, sentimentos mais nobres, ações mais edificantes.

Se em teu formoso céu risonho e límpido
À imagem do Cruzeiro resplandece.


E o poeta fazia de uma analogia, a possibilidade da alegria.
Porque quem escreve, descreve o que está inscrito no coração do mundo ao longo dos séculos. 

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza. 

Sim, nosso país é um gigante, naturalmente belo, mas onde está a grandeza que o futuro espelharia? 

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!


Quem nos devolverá o direito de cantarmos, assim, em total honestidade, o orgulho de sermos brasileiros?

Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !


Mãe gentil? O que fizeram com a gentileza dos valores humanos? Infelizmente, no país de hoje, gentileza, significa transações que favorecem minorias, vindas de quem é a nossa voz! 

Deitado eternamente em berço esplêndido 

Somos uma nação cansada. 

Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo! 

Ao longo da História, nosso país teve mesmo aspirações de grande iluminação, infelizmente, são luzes apagadas, aplacadas por um esquema corrompido e degradante. 

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".


O que comentar à maestria do poema, se há devastação em todos os níveis? Onde estão os seios do Brasil? Que tem fome de comida, de justiça, de integridade, de moral - nosso leite foi contaminado pelo veneno da ambição.

Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!
 

E o refrão ecoante, ainda insiste, como quem clama: 
salve... salve... por favor... salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
 

Onde está o lábaro do povo brasileiro? Nossa crença já não é nos homens e a glória virou remota lembrança. 

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
 

Mas não foge mesmo, o povo vai à luta e ainda tenta se calçar nas asas da humildade, quem sabe encontrando na fé, a força divina que o sustenta em autônomas e remotas possibilidades. 

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Termino esta crônica chorando pelo meu país...

Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !


Mãe gentil, volte, estamos em orfandade! 

Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 30/08/2006
Reeditado em 04/09/2006
Código do texto: T228823

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema