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Melancolia de um lamento

Melancolia de um lamento

A andorinha chorou por não mais ouvir o cochicho da floresta subindo pelos úmidos igapós,
como quem foge do rugido d’algum jacaré feroz.
Caia o silêncio.
Mas o espaço etéreo era crivado por gases sangrentos de balas perdidas, que corpos iam flechando diuturnamente, fazendo inveja dos tempos idos em que quietude purificava ruídos para se ouvir o crepitar da chama das Conquistas magnas.
Efetivamente, regrediu o mundo quando suas asas abertas lhes proporcionaram o vôo arbitrário inconseqüente, matando-se e matando céus e praias, que ora soluçam vendo-o doente de amnésia coletiva.
Desde que a humanidade esqueceu sua herança divina sucumbiu em naufrágio grave e exacerbado, com relógios batendo horas em casa vazia, cujos ex-moradores proliferam os abismos na terra, impregnados de vociferação e súplicas.
Como desfrutar do sorriso no rosto invisível da noite, o sobressaltado pela voz de sombra causando tensão e covardia àquela alma nascida pura, que hoje vive em tensão a esperar um Milagre?
As cachoeiras balbuciam seu canto mágico para expectadores inaudíveis, que fomentam ataques mortais em nome da vida, acabam  mortos em vida.
Bomba atômica, bomba caseira, míssil, gás letal...é este o aprendizado que governa as manchetes,enterrando palestinos cujos descendentes revidam mortes com mortes, lançando mísseis artesanais contra os inimigos.Mísseis artesanais!, ora vejam o que diriam nossos ancestrais virgens da maldade progressista, acostumados a usar as mãos para artesanar cerâmica, gesso, madeira,algodão, telas? Seu lema era a Beleza,destruição nunca.
E o que diria o Deus habitante no interior de cada ser, extraditado a cada dia, trocado por emoções enforcadas, que confinam os homens ao medo, à culpa, à desesperança,
à penúria, à iniqüidade?, sem propósitos válidos nem seus próprios sonhos lhes restando, exceto sonhos de outrem, sonhados em exibição pública de teatros, vestindo a pompa consumista e simulada que assola todo o universo!

Uma pausa bastaria. Uma única, para refletir sobre a vantagem em matar a Terra, suas águas oriundas da placidez dos Mistérios, seus aromas encantados das matas virgens, a fertilidade do solo frutífero, por razões perdidas no fio da meada envelhecida.
Enfatiotada de sangue, depois ossos secos, o que nutriria sonhos, em quais sonhadores, em qual paraíso?

No entanto, a lua continua gotejando seu mago incenso prateado sobre as mentes calejadas de sonhos mortos,
que ressuscitarão em amanheceres térreos,
inundados em destroços da hipocrisia,
até que se reciclem anseios viáveis, prioritários e imediatos pelo bem comum e se aja,
principalmente.

Santos-SP-09/09/2006

Inês Marucci
Enviado por Inês Marucci em 09/09/2006
Código do texto: T236555
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Sobre a autora
Inês Marucci
Santos - São Paulo - Brasil, 54 anos
584 textos (23416 leituras)
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Inês Marucci