Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

PEQUENO ENSAIO SOBRE A DÚVIDA ( I )

Deixo-me levar pela famosa frase Shakespeareana, “to be or not to be...” e mergulhando fundo em minhas emoções, em meus sonhos mais profundos, pesadelos, medos e prazeres; escrevo. Trago em minhas palavras a melancolia de eras antigas, de tempos perdidos em páginas amareladas de livros de História; procuro capturar a essência de homens distantes. Homens que em suas épocas se sabiam donos de tudo e de todos. Tento responder perguntas e resolver questões que talvez sejam insolúveis ou banais até...não sei. Como esse texto não fala de certezas e sim de dúvidas, deixemos de lado a lógica matemática, cálculos exatos da física, cadeias químicas de carbono e até dogmas religiosos; que em sua certeza absurdamente inexata e impalpável pretendem nos empurrar goela abaixo, regras prontas de como viver a vida.

Como são cruéis as dúvidas humanas...dizem por aí. Cada um com a sua, ou com as suas. Há pessoas que parecem colecionar dúvidas e fazem delas domínio público. Transferem suas dúvidas para todos a sua volta. Vivem questionando amigos, parentes e conhecidos sobre seus problemas. Faço isso ou aquilo? Me caso ou compro uma bicicleta? No mínimo curioso. E não raro, encontram grandes respostas  até mesmo aquelas que estavam procurando, perfeitas, sob medida para a dúvida ser tirada. Engraçado um sujeito assim, que consegue expor suas mais íntimas e importantes dúvidas para os outros. De qualquer forma ele certamente atinge seus objetivos.

Há ainda aqueles que guardam as dúvidas para si. Elas nem sequer chegam a ser uma dúvida, já que não existem o suficiente no mundo externo para que possamos contestá-la, analisá-la. Dúvidas de cunho secreto e muito íntimo devo dizer. Não são dúvidas banais e nem mundiais, dessas que se vê por aí como: Existe vida em Marte? Ou então como nasceu o universo? Essas dúvidas estão presentes em nosso dia-dia e não precisam necessariamente de respostas, afinal; qual seria a graça em construirmos foguetes e treinarmos homens, para ficarem trancafiados dentro deles; sem dormir e comer direito, se soubéssemos toda a verdade escondida nas estrelas?

Falo de dúvidas existenciais. Essas sim atormentam o homem moderno. Dúvidas que levam, as vezes, uma vida inteira para terem respostas. Dúvidas que se arrastam, martelando dentro de nós e que guardamos, bem escondidinhas, lá no fundo do nosso coração, onde nenhum olho consegue alcançar, nenhum de nossos sentidos consegue tocar. Porque fazemos isso? Porque deixamos que nossas dúvidas mais essenciais, sobre nós, sobre o que somos e o que nos faz feliz, durem e perdurem por tanto tempo, adiando a nossa verdadeira felicidade? Mais uma dúvida. O Homem vive tentando responder questões fora de si, mas e as dúvidas que encerra em si mesmo? Essas são tão importantes que explodem de repente, sem mandar recado. Mas o Homem, sorrateiro e dissimulado, prefere viver uma vida mentindo, traindo a si mesmo, seus sentimentos, sua verdadeira índole, seus instintos mais puros e sinceros; a se deparar com o desafio da dúvida e a busca pelas suas respostas.

Buscar respostas não é fácil. Tentar novos caminhos, aqueles que estão já traçados dentro de nós, encerra o maior dos desafios humanos, mas é preciso ter obstinação e enfrentá-los. Só se dissolvem dúvidas, com coragem, humildade e honestidade. Coragem para enxergar o que as vezes é impensável, humildade em admitir que se quer tentar e honestidade consigo mesmo e seu coração, para deixar que a verdadeira felicidade chegue, venha ela de onde e como vier.


Obs: Esse ensaio é bem sintético e não pretende ser o único mas sim, o primeiro de uma série de ensaios sobre dúvidas e incertezas humanas. Sem pretensão alguma, esses ensaios têm como base minha própria experiência e a de todos aqueles que me rodeiam e me agraciam com suas histórias de vida maravilhosas. Faço uso também de toda a psicologia e filosofia “de boteco”, como se diz por aí, já que não cito e nem comento nenhum grande autor, quer ele clássico ou contemporâneo. Agradeço, acima de tudo, a existência do ser humano, porque sem ele, nada teria eu para preencher páginas e páginas em  branco.
Mari Mérola
Enviado por Mari Mérola em 19/09/2006
Reeditado em 19/09/2006
Código do texto: T244459
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Mari Mérola
São Paulo - São Paulo - Brasil
29 textos (2256 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 06:57)
Mari Mérola