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O Niilismo Como Condição Psicológica - Crítica Nietzscheana do Niilismo

Nietzsche, em suas teses filosóficas, exorta-nos no sentido de construção de um novo homem, o super-homem, utilizando sua expressão, para a superação de toda a laicização da cultura e dos moralismos impostos que não nos levam a nada e que criam em nós, de forma ampla, o niilismo.
Segundo Nietzsche, o super-homem, venceu o niilismo, disto advém a idéia de que o niilismo é apenas uma das fases da transição para o novo homem. O niilismo, em certo ponto, deve ser então superado.
Só o niilismo não nos levaria a construção de um novo homem livre de moralismos e vícios de civilização rotos e angustiantes por toda uma existência.
Analisando a questão dialeticamente, ou seja, pressupondo que exista uma tese, uma antítese e uma síntese, teremos que o niilismo, como condição psicológica, aparece, em uma fase “inicial” logo que sejamos forçados a dar a tudo que acontece, que gravita, enfim, ao nosso redor  e constitui nosso protomundo um “sentido”, que aí, segundo Nietzsche, não se encontra. Este raciocínio, levado as suas conseqüências terminais nos dá a idéia de que, quem tanto procura acabará por perder a coragem; e também a razão que julga ter para tal empreendimento, eu acrescentaria. O niilismo será o conhecimento/desconhecimento sincero de um longo desperdício de força, a tortura que ocasiona esse “em vão”, a incerteza cruel e que tira-nos o sono por vezes, a falta de oportunidade de se refazer de qualquer maneira que seja, de tranqüilizar-se em relação ao que quer que seja – a vergonha de nós mesmos, como se fôramos ludibriados por longo tempo...Voltando ao sentido, talvez fora: ou o não-cumprimento de um cânone moral superior em tudo o que tem ocorrido, ou, em outras palavras, mais secas, o mundo moral; ou o aumento do amor e harmonia nas relações entre os seres ou parte da realização do estado de felicidade universal, ou até a marcha para um não-ser universal.  Uma finalidade qualquer produzirá um sentido. Todas essas concepções, segundo Nietzsche, têm em comum o fato de quererem alcançar algo pelo seu processus – e logo se percebe que todo esse “eterno vir-a-ser”  nada realizou e nem vai realizar, nada atingiu e tampouco atingirá...Assim, mais uma decepção quanto a um pretenso alvo do “eterno vir-a-ser” é a causa do niilismo: ou essa decepção relaciona-se com um propósito de antemão determinado, ou de maneira geral, percebe-se que todas as hipóteses de uma dada finalidade, quanto à “totalidade” de suas respectivas evoluções, são insuficientes (o homem não mais se apresenta como o colaborador e, menos ainda, como o centro do “eterno vir-a-ser”).
Podemos avançar para um segundo ponto do niilismo como condição psicológica, logo que se estabeleça uma totalidade, uma sistematização, uma organização em tudo o que se sucede atrás e a frente de tudo que sucede...o intelecto fica sedento de respeito e admiração e começa  a navegar na idéia de categorias ou domínios superiores, procura uma forma qualquer de unidade que na realidade objetiva não existe , como conseqüência desta crença o homem, num sentimento de profunda conexão e dependência frente a frente de um todo que lhe é infinitamente superior, sente-se a forma material da divindade. No fundo, é como se o homem tivesse perdido a crença em seu valor, desde que não é um todo infinitamente precioso que atua por ele: o que equivale a dizer que concebeu este todo a fim de poder dar crédito ao seu próprio valor.
O niilismo como condição psicológica, possui ainda uma terceira e última forma. Aceitos estes dois pressupostos: a saber, que pelo “devir” nada deve ser realizado e que o “devir” não é regido por uma grande unidade, onde o indivíduo possa inteiramente prender-se como um elemento de valor superior: resta-lhes o subterfúgio de condenar a totalidade daquele do  “devir” porque é pura ilusão, e encontrar um mundo além deste, mundo que será o mundo-verdade, este mesmo mundo ainda terá sido concebido por ele, este mundo somente foi edificado para responder ás necessidades psicológicas e que este, tal como o outro, não tem fundamento algum, neste momento, nasce-lhe uma forma suprema de niilismo, forma que abarca a negação de um mundo metafísico, - que exclui a crença num mundo –verdadeiro (deus sabe o quanto acho pueril aquele tal Platão com seus dois mundos possíveis...). Por este ângulo admite a realidade do “devir” como única realidade, proibindo qualquer desvio que leve a um além e a falsas divindades e não tolera mais este mundo embora não queira negá-lo.
Disso tudo temos uma certa síntese que expressa que o indivíduo passa pelo sentimento de não-valor e passa a compreender que não poderia interpretar o caráter geral da existência nem pela concepção de “finalidade”, nem pela de “unidade”, nem pela de “verdade”. Nada consegue nem obtém por meio delas, falta a unidade que intervém na multiplicidade dos acontecimentos: o caráter da existência não é verdadeiro ele é falso...decididamente não tem mais razão de se persuadir da existência de um mundo-verdade. As categorias “finalidade”, “unidade” e “ser”, pelas quais demos um valor a este mundo são retiradas por nós  e desde então o mundo tem o caráter de algo totalmente sem valor....É uma coisa...
Mas, Nietzsche nos leva para uma outra linha de raciocínio ainda, por que em termos desprezado mesmo estas categorias (finalidade, unidade e ser) o mundo já não pode mais ser interpretado, e nem desvalorizado.
Tem-se um possível resultado (se não soar cético demais): a crença nas actegorias da razão á a causa do niilismo, temos medido o valor do mundon de acordo com categorias que se relacionam a um mundo puramente fictício.
E mais eu digo todos estes sentimentos que experimentamos até o presente, fruto de nossas avalições pejorativas do mundo é uma ingenuidade hiperbólica bem característica de nós, indivíduos, que nos consideramos o sentido e a medida de todas as coisas...
A conclusão niilista (a crença no não-valor) conseqüência da avaliação moral: perde-se o gosto do egoísmo (embora todos sabemos muito bem, bem lá no fundo, que não existe ato nosso não-egoísta); perdemos o gosto da necessidade (embora reconheçamos também  que é possível esta tal liberdade inteligível). Compreendemos que não alcançamos a esfera onde colocamos os nossos valores – mas, por este fato, a outra esfera, aquela onde vivemos, nada ganhou em valor: ao contrário, estamos (estou) agora fatigados, por que temos perdido nosso estímulo principal. Em “vão” até então. Não conseguimos suportar passivamente todo esse nada, mas não não alcanço, em contrapartida, nada além disso.
O niilismo radical é a convicção da absoluta insustentabilidade da existência...A insustentável leveza do ser...quando se refere aos valores superiores que se aceitam, acrescente-se a isso o sabermos que não temoso menor direito de fixar um além ou um “em si” das coisas.
Esse conhecimento é a continução do que gostamos de pensar seja um “espírito verídico”, perquiridor, que se desenvolveu em nós: e também a conseqüência da fé na moral. Eis aqui, gritante, a antinomia: enquanto cremos na moral condenamos a existência.
Levar a dialética do niilismo até as últimas conseqüências traz-nos a noção amarga de falta de valor, falta de sentido em tudo, para tudo, sempre a questão de como as escalas de valores morais se encontram atrás de todos os outros valores superiores. Em Nietzsche temos uma conclusão veemente: as escalas e valores morais são condenações, negações; a moral afasta da vontade de viver...





Campanário
Enviado por Campanário em 28/09/2006
Código do texto: T251567
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Sobre a autora
Campanário
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