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Tudo Tende a Incoerência

Não precisamos analisar as nossas vidas para ver, ou melhor perceber, que nada, mas absolutamente nada, faz algum sentido. Realmente, tudo tende a incoerência. Todo esse tudo é nada. Todo esse tudo, ainda, será sempre tudo que eu quiser que seja, será ou não será precisamente, pelo que definir minha subjetividade no momento. Esta minha inquietude em relação a este fato mostra algo interessante; estamos sempre em busca de líderes, de guias, ajudadores, doutrinas, verdades, certezas, pranchas as quais gostaríamos de nos apegar para o resto da decrepitude  de nossa miserável ausência convertida em "existência". Uma vez li que não somos e sim, estamos, simplismente, acontecendo e, como tudo, isso diz muito pouco para não ser uma pessimista padrão e afirmar que não diz nada. É tão melíflua nossa capacidade de abordar a realidade, quase tanto como negá-la. Nietzsche dizia que a questão central para um espírito livre ou livre pensador é: 'Quanto de verdade eu posso suportar'?
A verdade objetiva contrasta tanto com nossa "razão", mas, ironicamente, é real, mas há quem diga, num equilíbrio dissonante, que o real é racional e que o racional é real...(!).
Quando se procura um sentido para a vida, algo que te prenda aqui,mais que as funções orgânivcas ainda ativas, mais que o hábito da autodestruição e comenta isto, as pessoas, de maneira geral, ficam estupefatas e veêm nisso algo de confuso, inatingível e inaceitável. Isso exaspera-me grandemente, e minha revolta, nestes momentos, é como os versos de um poeta medíocre. Normalmente o que simbolizada a niríade de "sabedoria" das nações é: 'Mas isso é normal, a vida é assim...'; 'Se ficar pensando muito nisso pode desencadear uma depressão...', blá, blá, blá...Eu nem posso mais citar outros tipos de exemplos, que seguem na mesma vertente de metafísicas rotas aprendidas, escravas do medo a e da imposição, da preguiça, da alienação e do  cansaço.
Meus olhos vagueiam pela multiplicidade de existências e só pousam sobre o mesmo vácuo perene.
Temos que acreditar nas nossas próprias mentiras!
Por que não se entende que tudo isso é um absurdo?! É uma perplexidade?!
Nunca desejei tanto desaparecer, nunca!
Melhor que desaparecer é sequer ter existido, sob qualquer forma que se conceba. Onde estamos? No incerto, o vácuo é logo alí, logo ao lado ou bem embaixo dos meus pés, vai-se trilhando por tábuas incertas, quiçá o último passo - depois vaga-se, sem entender-se nada, muitos, no entanto, concebem, quixotescamente, tal vagar como experiência, estes os grandes "sábios"...Todo este tudo, todo este excesso idiossincrático...Depois, o ato final que encerra a comédia-pastelão infame, útimo ato da tragicomédia que ensangüenta o lodo, morte.
Campanário
Enviado por Campanário em 28/09/2006
Reeditado em 04/08/2011
Código do texto: T251576
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Campanário
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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