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Bunda Gloriosa

Depois de um banho demorado, um desses que a gente capricha, com sabonete especial de ervas aromáticas combinado com óleos essenciais, e sai do banheiro mais cheirosa que loja de perfumes do shopping, é hora da sessão de cremes.
Dá-lhe massagem com anti celulites, anti rugas, hidratantes para o corpo, outro para as pernas e um poderoso levantador de peito. Isso tudo é ritual de todos os dias, e nem pensar em fugir.
Encarar o espelho todos os dias é um exercício de auto estima, é olhar e se gostar mesmo que nem tudo esteja no mesmo lugar do dia anterior. Pra olheiras um bom corretivo, pra que o seio fique olhando pro céu, depois de um creme combinado e com bolso e massagem, só  um bom meia taça, que deixa ele empinadinho sob a roupa.
Tá certo que hoje mesmo quando se passou a casa dos "enta" o charme não perde espaço no dia a dia, aliás em muitos casos só aumenta, mas competir com tantos jovens bumbuns durinhos é muito difícil. Tem tanto peitinho mesmo pequeno sem precisar meia taça pra pedir olhares gulosos, que virou uma angústia, aí o charme fica por conta do conjunto e da curiosidade que podem despertar as mulheres mais experientes. Normalmente são mulheres resolvidas, independentes e sabedoras do que querem.
Mas não tem coisa que mais derruba que uma bunda caída... aquele infernal testinho do lápis todos os dias acabou ficando imprescindível. Num país onde o que te apresenta onde quer que vá, é a bunda,  é  quase imperdoável não ter uma bunda gloriosa!
Vale estar com uma ruguinha aqui e outra ali, vale uma gordurinha a mais ( até dá pra disfarçar um pouquinho) mas bunda caída, não! Bunda caída é um tédio, não tem roupa que combine, não tem jeans que dê jeito. Não adianta fazer caras e bocas se quando você virar de costas aquela bunda caída vai te jogar no chão, literalmente. Bunda caída mata qualquer charme.
Basta uma caminhada na rua pra sentir o quanto te gostam, de costas, é aquela conferida básica, e se prestar atenção, nós mulheres também reparamos mesmo que sem querer, e  quando nos surpreendemos, estamos lá de olho grudadinho nos traseiros. Putz!
Por que me ensinaram o tal teste do lápis? Eu me contentava com o que via no espelho, agora vivo essa angústia todo dia, que além de fazer um esforço tremendo de tentar ver por todos os ângulos  a  minha potência, ainda tenho que  torcer para que o bendito lápis nunca fique preso na curvinha.
Até ser bunda mole a gente suporta, mas uma bunda despencada acaba com o tesão de qualquer um. A bunda caída é o marco do fim, ou a  gente dá uma turbinada ou assume o fim de cabeça erguida, já que a bunda tá mesmo caída.
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 19/06/2005
Reeditado em 19/06/2005
Código do texto: T26076

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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25 áudios (3274 audições)
1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter