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Pecados Capitais

Há muito tempo, nós mulheres, somos detentoras do título de vaidosas, há muito tempo mesmo, mas se olharmos para trás, com cuidado, veremos que o homem nunca ficou isento da mesma, embora a fama tenha ficando sempre conosco.
O diabo é que a vaidade do homem cresceu tanto que ele agora disputa de igual pra igual, salão de beleza, estética, lipo, plástica e atenção. Entretanto essa disputa é quase perfeitamente aceitável, vemos os homens se embelezando querendo tanto quanto a mulher parecer sempre jovem, o que estimula muito os relacionamentos.
É sempre gostoso ver um homem que se cuida, que dá atenção ao vestuário, à pele bem cuidada, aos pés, que tem tudo coordenado; via de regra esse homem também sabe cuidar do seu guarda-roupa, gosta de organização, de carro limpo e claro, de  mulheres bonitas, apesar de competir com ela. A verdade, é que  parece que o homem quer agora estar na vitrine também e ser tão cobiçado como as mulheres sempre foram.
Em tempos de igualdade é natural que não haja mais espaço nem pra machistas  e nem pra feministas, chega de chauvinismo, haveremos de encontrar um senso comum. Será?
As mulheres trabalham tanto quanto os homens, então aí dividem despesas, divide-se também obrigações domésticas, pouco ainda, muito distante do que deveria ser o ideal.
E como há muito mais mulheres do que homens, os homens estão numa posição confortável, eu diria, vexatória, por que passaram a ser disputados como troféus, e com isso o ego masculino que já era grande; massageado, cresce a cada dia.
É claro que na mesma proporção cresce a vaidade feminina, que investe maciçamente na tecnologia que lhe garante recursos para se manterem jovens e gostosas por muito mais tempo, e a luta desenfreada entre os sexos ficou acirrada, palmo a palmo.
A medida que a vaidade de ambos cresce, a ponta do iceberg aponta para a inveja, que só era muito notada, pela maternidade e por um mero apêndice; coisas, que agora já nem tem mais tanta importância, já que a disputa corre solta por tantos outros terrenos.
O que sobra disso tudo é uma grande insatisfação, e uma enorme solidão, porque ambos consomem e se consomem, mutuamente, com tanta voracidade, que acabam não achando mais prazer em nada, mal começam um relacionamento e tudo já foi consumido, e se por algum motivo não se puder consumir nas primeiras horas; míngua o interesse.
Avidamente devorado, um pelo outro; nem sentem bem o sabor da convivência porque a ansiedade de provar outros e outros, sufoca o paladar, como se fosse uma droga que precisa ter a dose aumentada sistematicamente para surtir efeito.
A vaidade que deveria ser um tempero, usado em doses exatas, só pra acentuar o sabor das coisas do dia  a dia, ultrapassa a medida, e vira erva daninha que cresce desordenadamente e mata sufocado qualquer predicado,  afasta inexoravelmente quaisquer interesses.
Mas ao que parece, não se vê muita gente preocupada com qualidades outras; ao mesmo tempo que se mata a gentileza o cavalheirismo, a discrição e a ética, lustra-se mais o ego, ou se assume o alter ego de vez.
Lamentável que, por conta de dois pecados capitais (inveja e vaidade) o homem fica cada dia mais mesquinho. E o que era um charme feminino para se tornar atraente aos olhos masculinos, virou um pústula de ambos os sexos, acelerada pela inveja.
 E uma confusa disputa coloca ambos num patamar muito acima da cordialidade, onde cada um olha para o seu próprio umbigo, sentindo em si o seu Narciso declarado, evidenciando assim cada vez mais o egocentrismo e a egolatria, que grassa solta e sem freios.
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 21/06/2005
Código do texto: T26557

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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Angélica Teresa Almstadter