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APENAS UM PINGO NO I EM VIII CAPÍTULOS

                                                    I
A Estética Imperialista Vilã  Ironizada no Show , Explicitada no Filme
e Viva no Dia a Dia do Reinado de Fogo

                                                   “O forte deve proteger o fraco”
                                    Antoine Fucua – diretor de Lágrimas do Sol

“Para que o mal triunfe
Basta que o bom, não
Faça nada”
Thomas Burke

Com cidadãos de determinada etnia, povo refugiado - fugido, corrido em êxodo, espantado pelo processo de limpeza étnica em curso na Nigéria -  na fronteira Nigéria/Camarões, dançando e cantando loas em volta do filho sobrevivente da família presidencial, brutalmente assassinada, o consangüíneo  herdeiro do trono – Arthur Azuka. E os heróis americanos, seguindo, em helicópteros para suas bases, embalados por música étnica africana de extrema elegia e comoção, termina o filme “Tears of the Sun” – em bom português Lágrimas do Sol.
Não acaba o filme sem o reforço da frase:

“Para que o mal triunfe
Basta que o bom, não
Faça nada”
Thomas Burke

A “coisa” é esta, deixando para trás o pretexto “A América para os americanos”, insensíveis heróis de guerra – SEAL’s -  tornam-se sensíveis ante a animalesco e selvagem extermínio unilateral de uma etnia nigeriana pela cobiça do poder. Genocídio com a beleza, plasticidade e tecnologia hollywoodiana. Um espetáculo. Eu, chorei...E como não chorar? Por “tudo” o que esteve ali explicito, chorar foi o  mínimo que pude  fazer.

Ter que aturar o algoz fazendo caras de herói é de fazer chorar e muito. Um filme com a absoluta prepotência norte americana, fundamentado é claro no velho e idiota conceito do Pan Americanismo. O filme é dirigido pelo excelente diretor negro, Antoine Fucua.

Assisti novamente a este filme ontem (18 jun 05), um dia após ter assistido ao Falcão, do Rappa, expressar-se ironicamente em show da V Expo Iguaçu, na Rio Sampa/N.Iguaçu: Falcão dividiu o palco em duas porções imaginárias e, atribuiu um lado as “bandinhas, moedinhas americanas” e o outro a Bandas Brasileiras. Falcão sabe bem do mal que existe na presença, força e mensalão do mundo fonográfico – ali conhecido como jabá. Falcão sabe também da influência contida na imagem, postura e até no discurso de tais “moedinhas, bandinhas americanas”, apesar de ser certo, que a maioria dos ouvintes, fãs e tietes de tais moedinhas, sequer entendem, o que é dito. Valeu a ironia pelo fato de representar desagravo não somente as bandinhas, mas a seus representantes diretos, as gravadoras, transnacionais que conseguem modificar o modus vivendus   e operandus  dos agentes de comunicação de massa nacionais – mídia eletrônica e impressa – leia-se rádios, tv’s, jornais e revistas, como também o comportamento pessoal, de arranjos e temáticas das bandas daqui.
Eu, não ouço somente música brasileira e  quando a ouço, muito do que ouço está  contido de influência estrangeira: O Rappa é um grande exemplo disto. Coisas dos mundos do Sul, coisas de ex-colônia (ex?). Coisas da invasão cultural. Coisa da globalização e do imperialismo, estética vilã que nos assoberba.

                                                II
                                     A Gênese do Mal

“Deus já abandonou a África”
Ten. Waters –BRUCE WILLIS/ Lágrimas do Sol

A Declaração da Independência, primeiro passo para consolidar as guerras pela independência promovidas pelas treze colônias americanas, o alargamento das fronteiras territoriais e a expansão para o Oeste, Secessão de 1861 a 1865, depois um Pacto Federativo com força suficiente para dar potência a cada unidade da federação, pronto, estava consolidado o Estado Nacional Norte Americano, os Estados Unidos da América, daí, depois da Doutrina Monroe com “A América para os americanos”, uma questão geopolítica advinda do pensamento de Mahan, vieram a emenda Platt, o Big SticK – o grande porrete sobre a América Latina – as zonas de controle perpétuo e muitas outras ações de coerção e de caráter imperial.
Ações que em conjunto a outras criaram a nação mais poderosa do mundo

                                                  III
                                O Nascimento das Diferenças

“A felicidade é um estado de espírito; por conseguinte, não pode ser duradoura. É um nome abstrato composto de algumas idéias de prazer”
                                                                      Voltaire

Da implantação de entrepostos comerciais, passando pelas grandes navegações e “descobertas”, até a consolidação de colônias ultramarinas, a Europa viu passar algum tempo, como profetizara Camões. Muita riqueza passou por suas naus, caravelas, mapas e documentos, hoje históricos, guardados e reservados a museus e arquivos nacionais, na América e em solo diversificado do território Europeu.
Ásia, África e América, conflitos com populações locais, batalhas incontáveis, escravidão e pobreza, riqueza e nobreza. Das plantations nas Américas até a Revolução Industrial, passando pela Revolução Francesa e a famigerada necessidade de mais matéria prima e da conquista de mais mercados consumidores: mais conflitos com populações locais, batalhas incontáveis, escravidão e pobreza, riqueza e nobreza.
O Tratado de Versailhes, segurou essa onda em conjunto com o desmembramento do monstro, o Império Austro-Húngaro, através do Tratado de Saint-Germain e do surgimento de novos Estados (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Iugoslávia).
Nos anos 40, mais um monstro havia crescido bastante e avançava...Era a Alemanha de Hitler. A Europa penou e pagou caro, ficou física, econômica, política e socialmente arrasada. Depois de Yalta e Potsdam, os companheiros aí de cima os E.U.A, deram uma mãozinha com o Plano Marshal. Uma injeção de capital da ordem de 13 bilhões de dólares foi o ânimo necessário para fazer com que os europeus se lembrassem da Paz de Westfallia. Primeiro veio a Benelux, daí a reunião em Maastricht em 91 e a constituição da U.E foram cerca de 47 anos de prosperidade e domínio, que estará consolidado se o bloco não rachar diante do NÃO francês e holandês, contra a Constituição Comum.

Amiga de Areia Branca, hoje com cidadania francesa, casada, com filho e morando lá, afirma provocada por mim em e-mail recente, que o NÃO é um voto contra a possível entrada da Turquia no bloco: “Aquele país seria a porta de entrada para os loucos terroristas com aquela religião, que mata e come pessoas de outras religiões e ainda submete as suas mulheres a castigos físicos e outras atrocidades”, do tamanho das cometidas pelos nigerianos do filme citado acima.

                                                   IV
                         Crime e Castigo – A Esperança e o Golpe

“Ou você está vivo e orgulhoso ou você está morto.
E quando está morto não se incomoda com nada”
                                       Steve Biko

O demilecinco de Tom Zé (Jornal do Brasil, caderno B, 02 de Jan 05) é um ano muito importante para o mundo: Ano de Cervantes, 60 anos do fim da 2º G. M e também dos malditos campos de concentração do holocausto (os judeus israelenses deveriam pensar nisto todo o dia e parar de foder os palestinos) e toda sorte de perseguições e atrocidades cometidas pelos porcos nazistas alemãs, Aniversário de 60 anos de Bob Marley (morto faz aniversário?), Ano do Brasil na França e ainda rola um ventinho de lembrança das comemorações por Getúlio e o Golpe Militar.
O dois mil e cinco dos brasileiros comuns tem um novo golpe, um golpe branco, sem armas de porte, parecido com o de Lacerda contra Getúlio.
O dois mil e cinco daqueles que como eu tem carteirinha de filiação partidária com o partido da estrela, aquele que elegeu o Dom Quixote, o engenhoso fidalgo de La Mancha, para lutar, patético, sonhador, guerreiro e homem, contra os moinhos do campo desértico da realidade da elite intransigente do Brasil, o insistente Lula do PT, é de vergonha, o que é que eu vou fazer com esta carteirinha? – NÃO VOU NÃO – Isto eu não faço, bundinha que mamãe botou a mão não é lugar para isto. Como olhar para os amigos e inimigos advindos das discussões acaloradas?

                                                V
                                 Terra de Filhos da Puta

“A história não é mais que uma seqüência de crimes e de desgraças”
                                                              O Ingênuo/ Voltaire

No show do Rappa, já comentado acima, um outro episódio foi marcante: Quando minhas pernas já doíam além do que seria agradável e ainda além do que aprendi a suportar (nos amargos tempos de Terceiro Sargento de Infantaria do Regimento Sampaio), Falcão surge com mais um discurso em meio ao ataque visual de imagens que irrompiam dos telões convergentes ao som hipnótico, indecifrável e lisérgico - hardcore – Falou ele, sobre os filhos da puta que gravitam na vida pública brasileira. Sobre os filhos da puta que habitam o Congresso Nacional. Sobre os filhos da puta que promovem um golpe no Brasil a custa da pobreza, fome, sede e violência que aqui reina, sobre os filhos da puta que me traíram e também a muitos que otários estão filiados a um bom número de anos. Falou enfim sobre os filhos da puta filhos da puta, que são uns filhos da puta...da pobre e coitada puta, que também deve ser uma boa filha da puta e novamente coitada.

                                                VI
                                         A Favela Chic

“Na verdade nunca, jamais, em nosso passado histórico, tivemos ao alcance de nossas mãos tantos utensílios e ingredientes para o preparo da mais deliciosa refeição para a felicidade de todos os homens. Mas o que cozinhamos é um angu de caroço infernal. Sobra-nos poder.Falta-nos sabedoria.”
                   Rubem Alves – Conversas Com Quem Gosta de Ensinar, pg131

O ano de Cervantes, é mundial. Acredito que deva haver culturas que não absorveram tal  literatura. Poucas com certeza. Se quase todas as culturas do mundo consomem Paulo Coelho, é impossível que um número distante do nulo, rejeite a Cervantes. Mas...sabe-se lá!!
O que é fato é que as esperanças em melhora e boa vontade, este ano, de forma simbólica podem estar mais fortalecidas, pois do grego, simbolus  é o que junta, agrega, une...Apesar da xenofobia de minha amiga brasileira na França (engraçado, pensei que as grandes metrópoles dessem ao ser humano a grande noção do cosmopolitismo universalista com todas as liberdades que ele contém – principalmente a nós brasileiros e belforroxenses)  e também da dos franceses e holandeses que  com certeza estão se vingando dos desgovernos que os leva a miséria do desemprego, do aumento de impostos e das crises econômico-sociais (nada comparada a que se pode ver no bairro Sta Thereza , aqui em Belford Roxo), precisam eles, os Europeus de lembrar de Westfallia, de Hugo Grotius e principalmente de Thomas Hobbes e o Leviatã. Devem lembrar do mal contido naquelas páginas e naqueles anos de guerras contra pares, primos e irmãos. Devem correr a trocá-lo nas livrarias por Don Quixote, pois que, tudo que se fragmenta vira diabolos, do grego, desagregar.
Agregados os jamaicanos, seguiram Bob Marley, junto aos seus ensinamentos e pregações que “invadiriam o mundo como as ondas do mar invadem a praia”, através da música Reggae. Enlevo para o povo negro, enlevo para a dança, para a alegria – Música - prova de que é possível chegar lá , é possível sair do gueto e da favela (mesmo que, como afirma Mano Brown, sempre a carreguemos dentro de nós).

                                                   VII
                                             Além do Texto

“Êcrassez l’ínfâme (Esmagai o Infame)”.
                                    Voltaire

Como ir além deste texto?Como unir as arestas, pontas e idéias que puderam surgir ao longo deste discurso escrito?Temos aqui a esperança quixotesca embalada pela música reggae jamaicana e a brutalidade humana expressa na prepotência de SER  solução , enquanto que  É a causa. Temos a própria solução em fato verdade, surgida da esperança  e um ranço histórico de amplo espectro, uma herança de destruição e ódio gerida e parida pela ganância e pelo colonialismo, repetida pelo neocolonialismo e vai amontoando-se na globalização e no neoliberalismo: “O Estado contemporâneo foi uma criação da civilização européia”, “Nos séculos XIX e XX, o neocolonialismo europeu - deflagrado pela Revolução Industrial – traçou fronteiras políticas na Ásia e na África”, “De 1876 a 1915, aproximadamente um quarto da superfície do planeta foi distribuído entre um pequeno número de .potências industriais. A parte de cada uma delas na dominação dos territórios e mercados do mundo foi determinada pela sua força naval, militar e econômica: Assim a Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Bélgica e Holanda, nesta ordem* seguidas das recém formados nações Itália e Alemanha e das lendárias  e épicas* Portugal e Espanha”. (A Nova Geografia – Estudos de Geografia Geral, Demétrio Magnoli e Regina Araújo – ed. Moderna, pgs.44 e 45/* do autor).
Afinal e então quem criou as duras tragédias sociais, econômicas e políticas no mundo Africano, principalmente na África subsaariana? Quem sangra como porco ou galinha o povo africano? A realidade dos Estados e fronteiras da Africa, é africana? Ou uma exportação da Europa e América, uma herança maldita da maldita colonização?
A integração espacial dos negros norte-americanos está consolidada?
Os negros entraram naquele império a contra gosto e pela porta dos fundos, Maryland e Virginia, foram essa porta. Hoje são cerca de 12% da população daquele país – a 13º , 14º e 15º emendas, deram direitos que somados a outros e outros, levaram Collin Powell, Condollessa e outros “bons americanos negros”, a linha de frente do poder nos Estados Unidos – Estão eles lá a fazer para os negros, o que está a fazer aqui  Pelé  – Merda nenhuma!!
E o negro  Antoine Fucua – diretor de Lágrimas do Sol, ainda diz:  “O forte deve proteger o fraco”. Na terra do Self Made Man e do Do It Yourself? Hu, hum!!Eparrê Misinfim!!
Já ouviram falar, na Law Jim Crow? Lei do Zé Urubu, antigo conjunto de leis segregacionistas americanas, que já não existem mais. Apesar das políticas positivas em favor das minorias étnicas, lá tanto quanto aqui, na África e Europa os maiores índices de desemprego estão entre os negros, a região mais pobre dos Estados Unidos está no velho Sul, região com passado marcado pela escravidão: Martin Luther King, Malcom X, Mohammad Ali, James Brown, Mike Tyson, Michel Jackson...Quem será a próxima vítima??????

“Não é com ódio que se mata, mas com o riso...
De toda a verdade que não é acompanhada por um riso,
Pelo menos deveríamos dizer que é falsa”
                                                                Nietzsche

Quem não cuida de seus negros vai cuidar dos negros do outro???
E para quem não cuida de seus filhos e de seu povo? Devo indicar o show do Rappa ou um passeio na Nigéria, de Lágrimas do Sol, com direito a ter o queixo decepado por facão para que não possa mais falar, o que não pode ou não quer cumprir??
E minha carteirinha??Engrosso o caldo com o PT ou me alinho às fileiras da militância para repudiar o golpe em um desagravo afinado??
Seriam Roberto Argh Jéferson e Zé Dirceu farinhas do mesmo saco? Ou ainda chega a ser melhor Jéferson, pois que a sua história, não lhe nega a imoralidade ato contínuo e contrário ao nobre “companheiro”, militante antigo e de longas guerrilhas? E Zé Genoíno, é mesmo genuíno ou aquele ficou lá no Chambioá?
Ou terei ficado, eu mesmo, realmente um esdrúxulo prolixo, maluco e doente pois que, juntar “Lágrimas do Sol”, O Rappa, A formação da Estética Imperialista Vilã dos E.U.A e da U.E, O Importante ano de 2005 – com suas nuances especificadas, O Caso e o Descaso com a Negrada Norte Americana, e dos diversos países da África Negra (cada um é um com diferenças a dar com o pau) buscando formular uma estética do colonialismo contemporâneo que circula pelas vias culturais, que privilegiadas pelo processo de circulação de mercados, mercadorias e fluxos de capital tem determinado quais seguimentos do pensamento devem, podem e precisam ser seguidos em detrimento do olhar necessário, sugerido por Cervantes ou por Bob Marley e até mesmo bravamente panfletado por Marcelo Falcão?

                                                  VIII
    Durante  todo esse tempo, não me escapou um sorriso que não me   parecesse um crime – Voltaire sobre o caso La Barre

Impõem-se a saída e o abandono do possível que existe na esperança e na fé que se encontra sem o sacrifício do intelecto, fora da religião e, que está sob o teto do concreto, para dar vida a fixidez do impossível, do desespero residente nas ações extremadas, que vão de encontro ao humanitarismo, querendo fazê-lo vivo sob outras óticas e ideologias. É esse espetáculo de fé e sacrifícios que encontraram “alguns daqueles homens loucos e barbudos do Islã” , que reclama e alfineta no voto NÃO, minha amiga franco-brasileira. Na África, diversos países já são casulos desse mal. Também na América Latina o espetáculo do mal tomou lugar. Na América do Sul a antiga América Espanhola, vários países desabam lares e homens sob as ações do extremado terrorismo. E o Brasil...?

Daquele lado, bandinhas, bundas-moedinhas americanas...
Deste lado Bandas brasileiras.
Daquele lado ideologias neoliberopuritanas de texturas xenófobo-eugênicas
Deste lado frevo, maracatu, samba e liberdade
Daquele lado a bancada de Filhos da Puta do Roberto Argh Jefferson, do Mensalão, do escândalo dos correios, da empresa de resseguros(...) e dos Filhos da Puta no PT e do Brasil
Deste lado meu filho, seu filho, nossos filhos e o futuro do Brasil

“Esmaguemos os fanáticos e patifes, suas hipócritas declamações, seus miseráveis sofismas, a história mentirosa, o amontoado de absurdos. Não permitamos que os possuidores de inteligência sejam dominados pelos que não têm – e a geração futura nos deverá a razão e a liberdade”.

“Êcrassez l’ínfâme (Esmagai o Infame)”.
Voltaire
Sylvio Neto
Enviado por Sylvio Neto em 21/06/2005
Código do texto: T26659
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Sobre o autor
Sylvio Neto
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