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Ainda não sei

O cheiro de chuva ainda exala-se pelo ar; a terra molhada;
o verde que ainda mais verde está; o sol ainda não brilha, mas logo brilhará. Não sei que roupa porei amanhã; não sei aonde irei; como estarei; quero muito estar ao teu lado. Quero que você veja, mas o que faço é disfarcar. Não poderei pôr calçados brancos, pois então ficarão encardidos, sujos. Êh... não sei mais o que fazer. Estou tão cansado. Estou com tantas saudades, a chuva ainda cai e você, nem sei onde estás. Deveria ter ido visitar-te hoje, mas de que adianta chorar aos pés de quem não me vê? Ah saudade, que vem e me sufoca; quero cumprir tua vontade. Devo mandar-te flores, mas você não poderá sentir o aroma. Estou desapontado. Como você nos deixa assim, sem mais, sem menos. Como pôde sair de nossas vidas? Ainda chove, e tu estarias deitado em tua cama, se aquela senhora não houvesse vindo buscar-te. Tu estarias a nossa espera, para simplesmente beijarmos tua face e deixar-te descansar novamente. Estaria a nossa espera, para perguntar-nos o porque que não viemos antes, mais cedo. Eu estou a tua espera, mas sei que nunca mais poderei encontrar-te; apenas posso ver-te nas minhas lembranças,
nas minhas saudades. Não quero que as lágrimas rolem em público, mas elas constantemente vem ao meu rosto, tento apertá-las para dentro. Não quero que vejam o quanto sofro pela perda que me destes. Apenas quero sofrer silenciosamente. Nada tem sido igual, é difícil lembrar de toda minha vida, dos dias e anos, em que no momento que eu quisesse poderia estar perto de ti, é difícil lembrar e saber que não será mais assim. É impossível acreditar em tudo que tem acontecido. Não consigo crer. Finjo que tudo está normal, que nada aconteceu; mas ainda resta aquele vazio, aquele buraco. Quando poderei ver-te novamente? Não posso viver assim, longe e distante, revolto-me, enlouqueço-me. De que me adianta tudo isso? Quero descobrir a essência da vida, mas a única coisa que vejo é sua brevidade. Agradeço-te por ter me esperado, por não ter ido sem despedir-se de mim, por ter dado a oportunidade de te ver lutar; sofrer sem sofrer; desejar viver até o último instante; ser forte. Espero que tudo o que eu faça venha a te agradar como se ainda estivesses ao meu lado, me vendo. A saudade está me sufocando, mas vou vencê-la como me ensinastes: deliberadamente. Não sabia o quão difícil era, e só agora sei, mas ainda não sei o porque de tudo ser assim.
JASN
Enviado por JASN em 02/11/2006
Reeditado em 12/11/2006
Código do texto: T280409

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Sobre o autor
JASN
São Carlos - São Paulo - Brasil, 28 anos
17 textos (1110 leituras)
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