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Ecos Ocos

Grito. Grito e sou atropelado por minha própria
ressonância mais a frente no caminho;
Explico. Justifico-me e sou consumido
pelos altivos olhares de meus inimigos,
e surpreendido com os tímidos olhares de meus amores.

Eternamente até este exato momento percebido,
Sobrepujo na devassidão o meu grito contrito.
Um grito silencioso, sendo mais um frígido silvo,
a embalar-se à mistura mítica da cálida noite,
a mercê da malevolência pérfida da enferrujada foice,
que estripa a raiz e embarga a matiz de minha supérflua dor.

Se me torno quem sou, e me esqueço de quem fui,
me cultivo em terra estranha e me colherei em meio ao caos;
Se me despojo de quem poderia ter sido,
e me torno quem ainda posso ser,
me semeio em meio a seara seleta do reino,
e reino dentre o seio polido da avidez... Florido de uma flor só.

Se o meu grito contrito, frígido sendo mais um silvo,
se esvaece a medida introspectiva de minha frágil coragem:

-Como poderei nutrir uma esperança manca,
calcada à base de minha invalidez
mediante a dádiva em recuperar as rédias do tempo,
sem tempo para investir o meu “eu” necessário
para o crescimento sólido e sóbrio de minha púrpura flor?

Talvez o preço de minha esférica busca seja habitar o oculto,
mesmo sabendo que bem-aventurado serei
ainda que morra crendo que a resposta jamais encontrei.
Mas prefiro cuspir na terra e através deste lodo enxergar
aquilo que sempre esteve ao alcance do meu olhar.

Pois,
“Todos aquele que sabe ver o que tem diante dos olhos
receberá a revelação do que oculto está”;
E assim feliz será o ditoso, que de tanto buscar, encontra.
E ao encontrar fica perturbado. E, tendo-se perturbado,
fica maravilhado e reina sobre tudo.

E assim poderei almejar um dia ver os frutos do meu grito,
o meu grito contrito que forma um eco
nas cavernas da minha alma,
e quem sabe na amplitude oca de minha sobrevivência
em meio a minha irreal sub-existência, poderei acompanhar
o mágico crescimento de minha flor, púrpura de vivacidade.

E assim na calada da noite,
solitário na estação de meus trinos trilhos,
poderei então entoar o meu grito contrito,
sendo mais um frígido silvo.
E à uma deforme mancha, talvez indo ou vindo,
decerto cumprindo o ás de sua invenção.
E tão certo como um eco convalesce do vazio da imensidão.
Marcelo Maia
Enviado por Marcelo Maia em 03/11/2006
Reeditado em 18/11/2006
Código do texto: T280783
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marcelo Maia
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil
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