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Comunidades tradicionais e povos indígenas

     Você sabe quais são as diferenças que existem entre nós, as comunidades tradicionais e os povos indígenas ???
     Atualmente, temos ouvido falar muito sobre a valorização e o reconhecimento de comunidades tradicionais e povos indígenas, mas, mesmo assim, grande parte de nossa sociedade não sabe exatamente quais são as diferenças existentes entre esses dois grupos e o restante de nós.
     De modo geral, a sociedade brasileira pode ser dividida nesses três grupos citados: (1) o nosso grupo, que é o maior e que aqui chamaremos de sociedade urbana-industrial; (2) as comunidades tradicionais e (3) os povos indígenas.
     Os povos indígenas e as comunidades tradicionais se diferenciam de nós (sociedade urbana-industrial) em vários aspectos. Enquanto que nossa sociedade vive em torno das cidades, os índios e as comunidades tradicionais vivem em áreas geográficas particulares, geralmente distantes dos centros urbanos, onde demonstram as seguintes características: (a) ligação intensa com os territórios ancestrais; (b) auto-identificação e identificação pelos outros como grupos culturais distintos; (c) língua própria ou regionalismos lingüísticos; (d) presença de instituições sociais e políticas próprias e tradicionais, tais como: clãs e metades; (e) sistemas de produção voltados para a subsistência (caça e pesca, coleta, roça de várzea, roça de toco etc.).
     As comunidades tradicionais (que podem ser quilombolas, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, ribeirinhos etc.) e os povos indígenas (que no Tocantins são: Karajá-Javaé, Xerente, Krahô, Apinajé, Avá-canoeiro, Tapirapé, Tuxá, Guarani e Krahô-Kanela) podem ser considerados “sociedades parciais”, inseridas dentro de uma sociedade maior (a nacional), onde as cidades exercem um papel central. Essas “sociedades parciais” estão associadas a modos de produção pré-capitalistas, ou seja, nelas o trabalho ainda não se tornou mercadoria, pois sua dependência do mercado é apenas parcial. Elas apresentam formas singulares de apropriação e uso dos recursos naturais (flora, fauna, recursos hídricos etc.), não visando diretamente à obtenção de lucro monetário, mas principalmente sua reprodução cultural e social. Enquanto que a maioria de nós adquire nas lojas, butiques e supermercados os itens básicos (comida, roupa, utensílios domésticos etc.), as comunidades tradicionais e os povos indígenas, ainda hoje, produzem-nos segundo suas práticas e conhecimentos.
     Os integrantes das comunidades tradicionais e os índios têm visões de mundo totalmente diferenciadas daquelas pessoas que vivem em centros urbanos. Suas percepções e representações em relação ao mundo natural são marcadas pela idéia de associação com a natureza e pela dependência de seus ciclos (estações do ano, ciclo lunar, cheia e vazante dos rios etc.). Essas diferentes visões de mundo e seu modo de vida voltado para a subsistência e não para o acúmulo de capital, sem dúvida alguma, oferecem inúmeros exemplos de comportamentos e práticas saudáveis, especialmente no que se referem a uma vida social mais igualitária e numa melhor consciência ecológica.
     Na nossa sociedade as mudanças e atualizações ocorrem num ritmo extremamente acelerado. As comunidades tradicionais e os povos indígenas também se transformam, sob o efeito de dinâmicas internas e externas (transformações na estrutura fundiária, consumo de produtos industrializados etc.), mas o ritmo é mais lento.
     Como conseqüência das rápidas e intensas mudanças que ocorrem em nossa sociedade, várias ações (desmatamento, queimadas, poluição dos rios, aumento de CO2 na atmosfera etc.) ocorrem de forma desenfreada, causando prejuízos enormes à natureza, levando à destruição de áreas naturais e à extinção de inúmeras espécies.
     Hoje, os órgãos ambientais (IBAMA, NATURATINS e CIPAMA) têm plena consciência que as comunidades tradicionais e povos indígenas, por apresentarem uma forte dependência dos recursos naturais, pela sua estrutura simbólica, pelos sistemas de manejo desenvolvidos ao longo do tempo e, muitas vezes, pelo seu isolamento, são parceiros necessários aos esforços de conservação.
     Alguns exemplos em vários países têm revelado que, quando se dá apoio às comunidades tradicionais e aos povos indígenas, eles são os primeiros a se oporem aos efeitos devastadores das mineradoras, dos garimpos, das madeireiras, dos latifúndios e dos especuladores. Não resta dúvida que saber conciliar a proteção da natureza e a valorização sócio-cultural de comunidades tradicionais e povos indígenas com o crescimento econômico é um dos maiores desafios que o nosso país e o Tocantins enfrentam.

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Publicado no Jornal Chico, edição n. 24, p. 05, de 01/12/2006. Gurupi – Estado do Tocantins.

Publicado no Jornal Mesa de Bar News, edição n. 408, p. 15, de 01/04/2011. Gurupi – Estado do Tocantins.


Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 06/11/2006
Reeditado em 01/01/2012
Código do texto: T283491
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
Palmas - Tocantins - Brasil
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Giovanni Salera Júnior