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TUDO SERÁ COMO ANTES



     Um olhar complacente, no Infinito, a tudo observava... Os raios solares eram observados. Até mesmo a Terra era observada das Alturas. Nem mesmo a poluição ou a falta da camada de ozônio, destruída, deixaria que aquele olhar de candura ficasse desatento ao que estava a acontecer...
         Se bem próximo a Terra, cúmulos nimbus ofuscava aquela tarde onde o Sol não ousara mostrar sua face na selva de pedras, a Vida ousava dar mais um sinal pois, estrondosos trovoes e raios cortavam os céus fazendo com que os apressados transeuntes ficassem mais apressados e a seguirem seus ignotos destinos enquanto faróis de carros eram acesos a fim de que a escuridão que se formara no final dquela tarde, ficasse menos intensa.
           Naquela sombria tarde, o par de olhos, à distancia, parecia estar próximo aos transeuntes. Transeuntes que não sabiam da Sua presença, seus atos ou observâncias...
            Quando mais uma vez os trovoes vomitaram sons e raios iluminaram os céus, parecia que se uniram a determinar que os cúmulos nimbus já podiam lavar a mesma selva de pedras. E no instante seguinte, até os ambulantes que nada pareciam perceber, mais que depressa arrumaram seus apetrechos e tentavam desaparecer das ruas de bueiros obstruídos que não deixavam que as águas escoassem. Foram apenas alguns minutos para que todos se apercebessem de que a metrópole estaria inundada em poucos minutos por uma espécie de mini-dilúvio...
            O olhar no Infinito, parecia não se comover com o que em pouco tempo ocorrera pois, em seguida, um forte vendaval, seguido de um raio mais forte que os anteriores, desceu e até um terreno baldio. Não houve danos... apenas o raio transportou algo do espaço à Terra...
            E a tarde se fora rapidamente e, rapidamente, tornou-se noite. Naquela noite tudo parecia fazer complô... além das pesadas nuvens, além da poluição, a lua dos amantes não apareceu. E as ruas desertas foram sendo iluminadas por lâmpadas de mercúrio que pareciam mais frias que aquela noite.
             Para que e por que aquele mundo estaria a ser observado? Não haveria explicação a tais interrogações? Sim! Tinha o porque... aquelas almas fujonas estavam sendo observadas das Alturas... altura onde há altura superior...
              Aos poucos, tímidos e esquálidos pedestres de faces enrugadas, pareciam vagar... quase todos pareciam iguais... eram homens sem vidas sem ainda terem morrido. Todos tinham olhar vago, olhar perdido num horizonte não existente. Mas, dentre eles, surgiu um esquálido e maltrapilho Homem diferenciava dos demais; Ele saíra de um terreno baldio onde o ultimo raio atingira... o Mesmo tinha um brilho no olhar, direcionado para o Alto... e parecia olhar um horizonte existente.
            As ruas... Se as ruas não mais estavam desertas e, se mesmo artificialmente as mesmas estavam iluminadas, tudo parecia voltar à normalidade. Menos no sentindo e quantidade do fluxo dos carros e nos apressados transeuntes que naquele momento, tinham movimentos morosos e vasculhavam sacos de lixos frente a restaurantes. E a disputarem, com vadios cães restos de alimentos encharcados.
          O olhar que a tudo observava, pareceu reprovar o olhar daquele mendigo que tinha o brilho no olhar e mirava o horizonte. E na face do homem, uma única gota caiu a molhar seu rosto...
            Aqueles zumbis, depois de quase gladiarem-se por restos, tentaram abrigar-se do frio juntos aos pilares a fim de passar a noite menos sofrida, pois onde o frio cortava as carnes qual navalha. Em grossos cobertores, que antes estavam sobre vossos corpos sujos, foram lançados no frio chão.
            Se trovoes pareciam ter dado trégua, mais uma vez voltaram trazendo consigo fortes raios a cruzarem os céus e forte chuva acompanhada de ventos... depois de mendigos buscarem restos de comidas em lixeiras, por fim, tudo parecia acalmar-se; tudo parecia não parecer mais que um rápido pesadelo...
Quando surgiram, de repente, faróis de viaturas policiais, enquanto os homens enrolados por grossos e velhos cobertores tentavam correr, os homens uniformizados atiraram, e todos os homens que antes buscam restos de alimentos, foram almejados...
            E não mais se ouviu tiros, barulhos de carros desordenados ou mesmo os ambulantes nas ruas, nem mesmo... sentiu frio e sim, apenas uma voz das Alturas se fez ser ouvida, a se lastimar, foi ouvida pelo homem que tinha apenas inerte o corpo...
          – Há, Filho! Nós sabíamos que isso iria acontecer e Você insistiu...
          Saibas Tu que só Te deixarei voltar daqui a mais dois mil anos... se até lá eles não tiverem destruído o seu próprio lar. Se não tiverem destruído, você se sentirá muito sozinho pois eles a cada dia, serão menos humanos...
   
      Cabisbaixo, todo de branco, caindo uma lágrima da sua face, falou:

      – Mas tentei, Pai... Perdoe-me!!!
      E sentiu uma suave mão, de compreensão e candura, a tocar-lhe a cabeça enquanto enxugava-lhe a lágrima, por estar decepcionado com os homens...
   


Este trabalho está registrado na Biblioteca Nacional-RJ
carlos Carregoza
Enviado por carlos Carregoza em 08/11/2006
Código do texto: T285369
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Sobre o autor
carlos Carregoza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
102 textos (5962 leituras)
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carlos Carregoza