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Na Calada da Noite - lV -

Na calada da noite...
...Quando a ansiedade toma conta do meu coração,
quando a voz presa na minha garganta
é proibida de se mostrar,
quando o medo de sucumbir ao comodismo
é maior do que a confiança de ser quem sou,
quando a pulsação do meu cérebro
representa mudanças repentinas,
iminentes,
inevitáveis,
transformadoras...

Sinto apenas o tempo passar,
o dia correr e a noite me engolir...
Sinto os dias se fundirem,
as semanas se abraçarem,
os meses darem as mãos
e os anos andarem lado a lado...

Sinto o universo paralelo me obrigando
a ser o que mais repudio;
o universo transcendente,
a me tornar um mestre de cerimônias,
ou simplesmente me saturar em rituais...

Sinto-me só.
Uma criança ansiosa pelo presente
no dia do seu aniversário,
mas ele não vem por quê?
Porque o presente já chegou,
há muito tempo,
e ainda está guardado na embalagem...

 
Existe algo mais familiar do que voz de mãe?
Existe algo mais gostoso do que água
quando há sede?
Existe melhor sensação do que
mergulhar em um rio num dia de calor?

Existem diferenças sem se ter o que é comum?
Existe lágrima sem se ter sentimento?
Existe amor sem ter quem amar?
Existe solidão quando não se está só?

Eu, você, nós
partilhamos de um mesmo lugar, mas,
diferentes ideais...
Partilhamos de um mesmo sol, mas,
de diferentes olhares,
que às vezes se completam,
às vezes se afastam,
às vezes se machucam,
às vezes se apaixonam...
Mas sempre se relacionam.

E assim a distância se torna obsoleta,
e as ligações seja pelo que é comum,
ou pelo que é diferente,
se tornam necessárias...

E aí,
quando a ansiedade toma conta do meu coração,
quando a voz presa na minha garganta
é proibida de se mostrar,
quando o medo de sucumbir ao comodismo
é maior do que a confiança de ser quem sou,
quando a pulsação do meu cérebro
representa mudanças repentinas,
iminentes,
inevitáveis,
transformadoras...

Sinto apenas que o tempo não existe mais,
e que mesmo uma gota de boas lembranças,
pode se tornar um oceano de grandes realizações,
basta dar uma chance a si próprio,
ajustar o alcance da visão,
e entender que a cada esquina da vida,
a cada sol que se põe,
a cada dia que nasce,
podemos perceber o presente,
e não mais esperar o dia do aniversário chegar,
mas simplesmente abri-lo,
e vive-lo.

(Série crescente: Na calada da noite, nº4)
Marcelo Maia
Enviado por Marcelo Maia em 11/11/2006
Código do texto: T288043
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marcelo Maia
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil
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