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Na Calada da Noite - Vlll -

Na calada da noite...
...pela sinfonia do amanhecer,

Luto.
No conjunto que forma o meu ser,
uma parte não existe mais.
O fim daquele que subsiste nos frutos,
é o fim dos frutos.

Uma dor sobre-humana e imortal
fere minhas entranhas,
enfim, o fim do abstrato,
restando apenas o mórbido retrato,
de mim.

Estou nu,
e minha voz se esvaeceu junto
às águas de minha represa,
no ralo de minha covardia.
Sim, um ser tão pequenino,
de sonhos tão utópicos,
limitado à mercê de sua ilimitada essência.

Hoje o que as gélidas mãos daquela
que vaga a noite me deixou,
foi apenas um grito contrito
sendo mais um frígido silvo,
a ecoar nas cavernas ocas da minha alma.

Lágrimas não rolarão,
pois não há uma gota sequer,
que não tenha sido sugada por meus temores.
Dor, isso já é um detalhe subliminar,
para quem foi condenado a esta terra,
e no qual tem o viver como seu lagar.

Mas tenho minha dádiva por maldição,
por não ser capaz de me permitir ser... capaz?
Não por minhas impuras mãos,
mas pelas mãos daquele grande Artista,
que no qual me recolho apenas na condição
de um reles heterônimo,
do Eu que apenas vive nos instantes
eternos dos Seus sonhos,
e que talvez ali resida eternamente.

Ao contrário do porque de existir
de todos os meus filhos,
desta lamúria, não quero que sejais infectado.
Filho bastardo,
nascido da união impura de mundos opostos,
regado pela sabedoria que juntei
para guerrear em minha batalha imaginária,
arbitrária?
tendenciosa?
idealista?

ao menos,
nascida da entrega de corpos insólitos,
guiados pela perigosa sedução,
do clímax a fecundação,
e assim através do tempo sobre o Tempo,
comungar com seu insólito intento,
sabendo que já não mais espera,
um afago nas hastes de sua alma.

(Série Crescente: Na calada da noite, nº8)
Marcelo Maia
Enviado por Marcelo Maia em 12/11/2006
Reeditado em 14/11/2006
Código do texto: T288947
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marcelo Maia
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil
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