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História de todos nós_Parte primeira e última

Comprimidos, esprimidos entre passado e futuro, cá estamos todos. Nascemos livros e em páginas morreremos_sempre na última página, que é o lugar já de antemão, reservado a todo e qualquer final. Bem, se estamos livros, cheios do vigor das páginas em branco, apressemo-nos_com a calma de uma ária de Bach_a colocarmo-nos em tocata e fuga traçando em voracidade, as linhas sem nexo com ar de empesteado significado postero.
Impressionemos literalmente, os livrescos de capa dura, com o desenrolar da história que nos cabe delinear em escritos_ora aventuresco, retórico, passando a prosaico humor descastelado, indo de encontro aos soturnos dramas apinhados de sofrimentos; tudo muito ao gosto empertigado dos infames. Desenvolvo minha história. Nela, me tenho como sobrevivente sagaz. Disponho de armas elegantes para envernizar minhas amarguras, interpretadas por quase todos os muitos, como filigranas da nata, do creme envenenado.
Tracei um roteiro e seguirei a roto; sem desvios. Tenho esse poder? De segurar meu destino em atos capitulados, em tomos; semicerrando a visão do entendimento, tentando enchergar as sombras entre o vazio das entre-linhas?
Não tenho apêndices. Minha história é traçada nas linhas do dia-a-dia; é movida a emoção_que tanto paraliza-me o entendimento claro, no subjugo de minha voz indescritível. No afã de superar-me em eloqüência de terceira categoria, subscrevo-me no pós escrito clamante à minha consciência mal esclarecida, em frases de roda-pé.
Na infância, aventurei; no romance desventurei; no drama alimentei fantasmas; na misericórdia criou-se o suspense; na epifania, derramei lágrimas de esperança, como se o manuscrito fulgurasse o brilho da libertação.
Ao findar oblata obra, vejo-me exaurido dos volumes despejados em tantas letras de meus caracteres, que mal leio-me, que mal me pergunto: o que se passou de tão árido, insignificante? No capítulo final, serei desvelado como o vilão dos soberbos inocentes, e como salvador da egrégora triunfante dos mendigos do perdão.
Não há mocinho, não há bandidos; somente imperfeitos, informados. Nem perca tempo_como se possível fora o tempo ser medida de perda e ganho_em ler-me ou ler-se, pois tudo não passa de mais uma história última de final, igual a tantos que iniciados foram.
Nos vemos por aí, ou, acolá.
leandro Soriano
Enviado por leandro Soriano em 16/07/2005
Reeditado em 08/10/2007
Código do texto: T34748
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Sobre o autor
leandro Soriano
Santos - São Paulo - Brasil, 59 anos
199 textos (8378 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 03:07)
leandro Soriano