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Das características do Romantismo à obra de Almeida Garrett (1946)

É possível pontuar algumas das principais características do Romantismo em Viagens na minha Terra, de Almeida Garrett (1799-1854).

Em síntese, as características do Romantismo: ascensão da burguesia e o liberalismo, subjetivismo, sentimentalismo, pessimismo, culto ao sonho, à natureza, ao fantástico, à mulher, religiosidade, ao passado medieval, byronismo ou ultrarromantismo, etc.

“A obra fundamenta-se numa viagem realmente efetuada por Garrett em 1843, a convite do político Passos Manuel, morador de Santarém. Divide-se em 49 capítulos: os dez primeiros narram as peripécias da viagem desde Lisboa até aquela cidade, de vapor, a cavalo, de carruagem. De permeio, o narrador vai tecendo comentários e divagações acerca de vários assuntos associados com o que vê e pensa durante o trajeto: a riqueza, o progresso, a literatura, a política, a modéstia, a guerra, o clero, o amor etc. Chegado a Santarém, o escritor ouve do companheiro de viagem a narração dos amores de Joaninha, “a menina dos rouxinóis”, e Carlos, entremeada de reflexões do herói da viagem.
Os jovens enamoram-se, mas Carlos vive dilacerado pelo amor que ainda julga sentir por Georgina, que ficara na Inglaterra. Envolve-se na trama Frei Dinis, que assassinara o marido da amante, tomara hábito e era o verdadeiro pai de Carlos. Com a vinda de Georgina a Santarém, dá-se o reconhecimento e o perdão, mas Joaninha morre. Finalmente, Georgina entra para o convento e torna-se abadessa, na Inglaterra; Carlos “é barão, e vai ser deputado qualquer dia”.

MOISÉS, Massaud. “Literatura portuguesa”, São Paulo: Cultrix. P. 132.

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Eis, pois, algumas características elementares do Romantismo Português em VIAGENS NA MINHA TERRA:

a). Religiosidade articulada ao passado da História de Portugal:

"Por cima dela está uma capelinha de N. S. da Vitória: quer a tradição que fosse erguida e consagrada à Virgem pelo heróico fundador da monarquia e da independência portuguesa. Este é um dos muitos pontos em que a religião das tradições deve ser respeitada e crida sem grandes exames, porque nada ganha a critica em pôr dúvidas, e o espírito nacional perde muito em as aceitar.

Deixa-la estar a Virgem da Vitória sobre o arco de Afonso Henriques. Prostremo-nos e adoremos, como bons portugueses, o símbolo dai fé cristã e da fé patriótica levantado pelas mãos ensangüentadas do triunfador.

Mas seria ele ou não que levantou essa capelinha? Os documentos faltam, os escritores contemporâneos guardam silêncio; a história deve ser rigorosa e verdadeira...

Deve: e os grandes fatos importantes que fazem época são as balizas da história de uma nação; também eu os rejeitarei sem dó quando lhes faltarem essas autênticas indispensáveis. Agora as circunstâncias, para assim dizer, episódicas de um grande feito sabido e provado, quem as conservará se não forem os poetas, as tradições. e o grande poeta de todos, o grande guardador de tradições, o povo?

Eu creio na Senhora da Vitória de Santarém, e em muitos outros santos e santas, que a religião do povo tem por esses nichos e por essas capelas e por esses cruzeiros de Portugal, a recordar memórias de que se não lavrou outro auto, não se escreveu outra escritura, de que não há outro documento, e que os frades croniqueiros não julgaram dever escrever no livro de terça ou de noa, em nenhum livro preto nem encarnado, porque o tinham por melhor escrito e mais bem guardado nos livros de pedra em que estava."

B) Medievalismo e nativismo: o passado de Portugal em sua origem na noite dos tempos:

"Ai Santarém, Santarém! abandonaram-te, mataram-te, e agora cospem-te no cadáver.
Santarém, Santarém! levanta a tua cabeça coroada de torres e de mosteiros, de palácios e de templos!
Mira-te no Tejo, princesa das nossas vilas: e verás como eras bela e grande, rica e poderosa entre todas as terras portuguesas.
Ergue-te, esqueleto colossal da nossa grandeza, e mira-te no Tejo: verás como ainda são grandes e fortes esses ossos desconjuntados que te restam.
Ergue-te, esqueleto de morte; levanta a tua foice, sacode os vermes que te poluem, esmaga os répteis que te corroem, as osgas torpes que te babam, as lagartixas peçonhentas que se passeiam atrevidas por teu sepulcro desonrado.
Ergue-te, Santarém, e diz ao ingrato Portugal que te deixe em paz ao menos nas tuas ruínas, mirrar tranqüilamente os teus ossos gloriosos; que te deixe em seus cofres de mármore, sagrados pelos anos e pela veneração antiga, as cinzas dos teus capitães, dos teus letrados e gran­des homens.
Dize-lhes que te não vendam as pedras de teus templos, que não façam palheiros e estrebarias de tuas igrejas; que não mandem os sol­dados jogar a péla com as caveiras dos teus reis, e a bilharda com as canelas dos teus santos.
Tiraram-te os teus magistrados, os teus mestres, os teus seminá­rios... tudo, menos o entulho, e a caliça, as imundícies e os monturos que deixaram acumular em tuas ruas, que espalharam por tuas praças.
Santarém, nobre Santarém, a Liberdade não é inimiga da religião docéu nem da religião da terra. Sem ambas não vive, degenera, corrompe-se, e em seus próprios desvarios se suicida.
A religião do Cristo é a mãe da Liberdade, a religião do patriotismo a sua companheira. O que não respeita os templos, os monumentos de uma e outra, é mau amigo da Liberdade, desonra-a, deixa-a em de­samparo, entrega-a a irrisão e ao ódio do povo."

c). Idealização da mulher e os três tipos de mulheres: anjo e demônio...

Garrett assume também o papel de narrador. Isto nos ministra informações importantes sobre sua biografia, e dá ao livro um caráter de depoimento e observação histórica. Quando Garrett usa a primeira pessoa, “eu”, espreguiçar-se em considerações cheias de humor, não longe de uma atmosfera de prosa lírica. Quando usa a terceira pessoa, “ele”, e se esquece um pouco de si, passa ao tom mais grave, mais revelador, mais dramático, que ocorre, sobretudo, quando nos conta a história dos amores de Carlos e Joaninha, ou quando fala do cenário da guerra civil em Portugal.
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"Quem era essa mulher?
Aonde, como obtivera ele a posse dessa jóia, desse talismã com o qual se tinha por tão seguro para não ver na graciosa prima senão?...
Senão o que?
A inocente criança que ali deixara?
Mas não é verdade isso: outra era a impressão que Joaninha lhe fizera, fosse ela qual fosse.
O que era então?
E sobretudo, quem era essoutra mulher que ele amava?
E amava-a ele ainda?
Amava.
E Joaninha?
Joaninha era... nem sei o que lhe era Joaninha... o que lhe estava sendo naquele momento.
O que lhe era fora, assaz to tenho explicado, leitor amigo e benévolo: o que ela será... Podes tu, leitor cândido e sincero — aos hipócritas não falo eu — podes tu dizer-me o que há de ser amanhã no teu coração a mulher que hoje somente achas bela, ou gentil, ou interessante?
Podes responder-me da parte que tomará amanhã na tua existência a imagem da donzela que hoje contemplas apenas com os olhos de artista e lhe estás notando, como em quadro gracioso, os finos contornos, a pureza das linhas, a expressão verdadeira e animada?
E quando vier, se vier, esse fatal dia de amanhã, responder-me-ás também da tua parte que ficará tendo em tua alma essa outra imagem que lá estava dantes e que, ao reflexo desta agora, daqui observo que vai empalidecendo, descorando... já lhe não vejo senão os lineamentos vagos... já é uma sombra do que foi... Ai! o que será ela amanhã?
Leitor amigo e benévolo, caro leitor meu indulgente, não acuses, não julgues à pressa o meu pobre Carlos; e lembra-te daquela pedra que o Filho de deus mandou levantar à primeira mão que se achasse inocente... A adúltera foi-se em paz, e ninguém a apedrejou.
Pois é verdade; Carlos tinha amado, amado muito, e amava ainda a mulher a quem prometera, a quem estava resolvido a guardar fé. E essa mulher era bela, nobre, rica, admirada, ocupava uma alta posição no mundo... e tudo lhe sacrificara e ele exilado, desconhecido." (p.7)

Viagens na minha terra
4 jun. 2012 ... Viagens na minha terra; Almeida Garrett Considerado o primeiro autor ... Destacou-se socialmente como ―o tipo perfeito do dandy‖. "... Há três espécies de mulheres neste mundo: a mulher que se admira, a mulher que se ..."
www.slideshare.net/clauheloisa/viagens-na-minha-terra - 107k

d) Idealização da Pátria - nacionalismo:

"“Cá estamos num dos mais lindos e deliciosos sítios da terra: o vale de Santarém, pátria dos rouxinóis e das madressilvas, cinta de faias belas e de loureiros viçosos. Disto é que não tem Paris, nem França, nem terra alguma do Ocidente senão a nossa terra, e vale bem por tantas, tantas coisas que nos faltam.” (CAP. IX)

e). Liberalismo e progresso material à luz das ideias libertárias e humanistas de França e Inglaterra na pena de Almeida Garrett:

Reflexões importantes sobre o Bois de Boulogne, as carruagens de molas, Tortoni, e o café do Cartaxo. — Dos cafés em geral, e de como são característicos da civilização de um país. — O Alfageme. — Hecatombe imolada pelo A. — História do Cartaxo. — Demonstra-se como a Grã-Bretanha deveu sempre a sua força e toda a sua gl[ória a Portugal. — Shakespeare e Laffite, Milton e Châteaux-Margaux, Nelson e o Príncipe de Joinville. — Prova-se evidentemente que M. Guizot é a ruína de Albion e do Cartaxo." (p. 3)

f). Nativismo: idealização da Terra Natal:

Cá estamos num dos mais lindos e deliciosos sítios da terra: o vale de Santarém, pátria dos rouxinóis e das madressilvas, cinta de faias belas e de loureiros viçosos. Disto é que não tem Paris, nem França, nem terra alguma do ocidente senão a nossa terra, e vale bem por tantas, tantas coisas que nos faltam." http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/almeida-garrett/viagens-na-minha-terra-3.php

g). Escapismo, evasão, subjetivismo, individualismo, sonho, imaginação, melancolia:

"Viagens Na Minha Terra (Almeida Garret)
Minha avó, julguei-a cúmplice no crime; ela só o era no pecado. ..... tudo para
mim eram impressões de nunca sentida e inexplicável tristeza, Ficava-me a alma ...
www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/almeida-garrett/viagens-n - 73k"

"Com os olhos vagando por este quadro imenso e formosíssimo, a imaginação tomava-me asas e fugia pelo vago infinito das regiões ideais Recordações de todos os tempos, pensamentos de todo o gênero afluíam ao espírito, e me tinham como num sonho em que as imagens mais discordantes e disparatadas se sucedem umas ás outras.
Mas eram todas melancólicas, todas de saudade, nenhuma de esperança!..."

Viagens na Minha Terra - Capítulo XXIII - Infopédia
«Roxa é a violeta, e o junquilho cor de ouro". «Mas todas as cores da natureza  vêm de uma só, o verde. «No verde está a origem e o primeiro tipo de toda a ..."
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h). Teoria do Bom Selvagem de J.Jaques-Rousseau:"O homem em estado de natureza é puro, mas a sociedade o corrompe..."

"Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices.
O homem — não o homem que Deus fez, mas o homem que a sociedade tem contrafeito, apertando e forçando em seus moldes de ferro aquela pasta de limo que no paraíso terreal se afeiçoara à imagem da divindade — o homem assim aleijado como nós o conhecemos, é o animal mais absurdo, o mais disparatado e incongruente que habita na terra.
Rei nascido de todo o criado, perdeu a realeza: príncipe deserdado e proscrito. hoje vaga foragido no meio de seus antigos estados, altivo ainda e soberbo com as recordações do passado, baixo, vil e miserável pela desgraça do presente."

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"Reflexões importantes sobre o Bois de Boulogne, as carruagens de molas, Tortoni, e o café do Cartaxo. — Dos cafés em geral, e de como são característicos da civilização de um país. — O Alfageme. — Hecatombe imolada pelo A. — História do Cartaxo. — Demonstra-se como a Grã-Bretanha deveu sempre a sua força e toda a sua gl[ória a Portugal. — Shakespeare e Laffite, Milton e Châteaux-Margaux, Nelson e o Príncipe de Joinville. — Prova-se evidentemente que M. Guizot é a ruína de Albion e do Cartaxo."
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"Mais para a raiz do monte, em cujo cimo estou, o pitoresco bairro da Ribeira com as suas casas e as suas igrejas, tão graciosas vistas daqui, a sua cruz de Santa Iria e as memórias romanescas do seu Alfageme.

Com os olhos vagando por este quadro imenso e formosíssimo, a imaginação tomava-me asas e fugia pelo vago infinito das regiões ideais Recordações de todos os tempos, pensamentos de todo o gênero afluíam ao espírito, e me tinham como num sonho em que as imagens mais discordantes e disparatadas se sucedem umas ás outras.

Mas eram todas melancólicas, todas de saudade, nenhuma de esperança!...

Lembraram-me aqueles versos de Goethe, aqueles sublimes e inimitáveis versos da introdução do Fausto:

Ressurgis outra vez, vagas figuras,

Vacilantes imagens que à turbada

Vista acudíeis dantes, E hei de agora

Reter-vos firme? Sinto eu ainda

O coração propenso a ilusões dessas?

E apertais tanto!... Pois embora! seja;

Dominai, já que em névoa e vapor leve..."

(p.159)

 
 POSSÍVEL ESQUEMA SINÓPTICO DE ANÁLISE E CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS DA OBRA - VIAGENS NA MINHA TERRRA

"Segundo os críticos Antonio José Saraiva e Oscar Lopes, “neste livro – misto de diário, literatura de viagens, reportagem e ficção, o escritor português narra a história de um rapaz (Carlos) que se apaixona de um modo sucessivo e intenso por várias mulheres e se sente incapaz de estancar este constante fluir da vida amorosa, de fixar e estabilizar a sua personalidade afetiva. (...) Ninguém – continuam os críticos -, antes de Garrett, na ficção portuguesa, entrara tão sutilmente na análise do que há de convencional, fictício ou autêntico na vida sentimental, na confusão da verdade e da mentira, de vida atual e de sobrevivência que é o todo afetivo de cada indivíduo; e ninguém pôs em termos agudos o problema do desgarrar da personalidade na mudança de tudo, ligando-o, ao mesmo tempo, ao ceticismo superveniente a uma causa generosa que degenera: Carlos descrê de um amor verdadeiro, ao mesmo tempo que descrê da revolução...”

O romance “Viagens na minha terra” foi composto sob a forma de folhetim, bem ao gosto romântico da época. Sua narrativa, apesar de grande base descritiva, dos adjetivos em excesso, é saborosa, envolvente e apresenta temas essencialmente românticos como: natureza ativa e confessional; heroísmo; nacionalismo; lirismo amoroso e morte.
Há em Garrett um observador minucioso de fatos, excluindo-se o tom melodramático tornando-se um antecipador de Eça de Queirós. O autor usa um estilo extremamente vivo, com giros e expressões coloquiais – um estilo que se molda ao pensamento no seu fazer-se, apto a sugerir leves emoções, associações fugidias, estados de devaneio, os meandros duma nova sensibilidade.
Nesse romance, Garrett não está concentrado em narrar uma história, mas, ao contrário, parece estar-se afastando da história, para contá-la, supõe-se, mais tarde. Esta técnica de suspensão da narrativa, em favor de comentários e opiniões variados, sob o ritmo da emoção crítica e da fineza intelectual, denomina-se digressão.
Desse modo, relata assuntos sobre economia, geografia, política, literatura, arquitetura, justiça, filosofia, religião, história ou costumes sociais, sem, no entanto, tirar a unidade do livro. Pois eles convergem para dois tipos de emoção alternantes: a da observação terna e enlevada, e a do ceticismo cultural, tratado geralmente com humor crítico. É com ternura que Garrett se lembra de algumas paisagens de sua terra, das velhas histórias ligadas ao folclore ou que ele nos fala de poetas prediletos, como Homero, Virgílio, Dante, Camões, Goethe e outros. Mas é com pessimismo político que ele vê as últimas gerações de portugueses, envolvidos pela mentalidade lucrativista.

“Santarém é um livro de pedra em que a mais interessante e mais poética parte das nossas crônicas está escrita. Rico de iluminuras, de recortados, de florões, de imagens, de arabescos e arrendados primorosos, o livro era o mais belo e o mais precioso de Portugal (...) Mas esta Nínive não foi destruída, esta Pompéia não foi submergida por nenhuma catástrofe grandiosa. O povo, de cuja história ela é o livro, ainda existe; mas esse povo caiu em infância, deram-lhe o livro para brincar, rasgou-o, mutilou-o arrancou-lhe folha a folha, e fez papagaios e bonecas, fez carapuços com elas.” (CAP. XXIX)

Neste fragmento observa-se que Garrett deplora a deformação da arquitetura histórica de Portugal e critica a condição cultural portuguesa, incapaz de compreender sua tradição e sua história.
Garrett, que se embriaga com os primores estéticos da antiga arquitetura portuguesa, defende a herança do passado e se revolta contra os novos “barões”, homens que agora representam a mentalidade burguesa e insensível.
É importante ressaltar que Garrett também representa essa cultura burguesa e progressista cujos excessos ele condena. O autor foi liberal, participou da luta pela democracia, gostava do progresso e abraçava os ideais da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), porém como homem moderno, Garrett desejava que Portugal acompanhasse os demais países da Europa e não se furtasse a evolução. Assim, como homem sensível e patriota, demonstra um apego ao passado de sua terra natal, principalmente ao patrimônio artístico e cultural, ameaçado pelo crescimento do capitalismo e da burguesia que acabou transformando os valores patrimoniais.
Outra característica importante do livro está em que o narrador nos conta duas histórias, interligadas pelas circunstâncias e pelo espaço físico. Uma história refere-se a dos amores de Carlos e Joaninha. Outra é a da própria viagem que o narrador faz de Lisboa a Santarém de comboio, com a intenção de conhecer as ricas várzeas desse Ribatejo, e assim saudar do alto cume a mais histórica e monumental das vilas de Portugal.
Há que incluir ainda um pano-de-fundo histórico, que é a guerra civil que abalou Portugal, e que dividiu os contendores em realistas e constitucionalistas. Os primeiros, conservadores, queriam a monarquia absoluta. Os segundos, liberais, desejavam uma política nacional pautada pelos ideais da Revolução Francesa, e, com isso, uma monarquia mais branda.

IV – PERSONAGENS:

Personagens Principais: Joaninha e Carlos, protagonistas da história de amor.
Personagens Secundárias: A avó de Joaninha – D. Francisca, Frei Dinis, Georgina, Laura e Júlia.

V – AS TRÊS HISTÓRIAS ENTRELAÇADAS:

“Viagens na Minha Terra” é um livro difícil de enquadrar em gênero literário, pelo hibridismo que apresenta.

“O que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros, é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão. Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a matéria do meu conto para o seguinte.” (CAP. X)

Garrett narra a partir do décimo capítulo, a história dos amores de Carlos e Joaninha, começados e terminados em Santarém, lugar que o narrador escolheu como destino final de sua viagem. Garrett ficou sabendo desse rumoroso caso de amor através de um companheiro de viagem. Conta, portanto, o que lhe contaram: não é testemunha direta dos acontecimentos. Mas, como alguns dos protagonistas da história ainda vivessem na cidade, Garrett, na volta, ousou entrar em contato com eles. Por outro lado, essa história ocorreu em meio a uma guerra em que irmãos lutavam contra irmãos, guerra que Garrett havia conhecido bem de perto. Cruzam-se, portanto, três histórias: a de Garrett, em sua viagem a Santarém; a de Carlos e Joaninha, e a da guerra civil, que envolveu a todos.
No momento em que Garrett resolve contar suas impressões de viagem, ou seja, quando ele se põe a escrever seu romance, todos estes acontecimentos já tinham terminado, e ele então vai evocá-los pela memória. Mas muitos comentários trazidos à baila pela lembrança são recriados, ampliados pela imaginação e pelo bom gosto do escritor."

Viagens na Minha Terra - Capítulo XXIII. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-09-05].

Viagens Na Minha Terra (Almeida Garret) - Página 6
Ele, o frade, envelheceu de dez anos naquele dia. Os olhos sumidos, que era a feição dominante daquele rosto ascético, sumiram-se mais e mais, a estatura ...
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Enviado por J B Pereira em 04/09/2012
Reeditado em 04/09/2012
Código do texto: T3865875
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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