Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto
A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE



Robson Gomes Barbosa


RESUMO

Este artigo reflete a história da educação na Antiguidade, especificamente, nas regiões da Mesopotâmia, Egito, Grécia e Roma. O papel da história da educação é elucidar o processo através do qual o homem adquiriu seus conhecimentos, observa-se, então, o aprimoramento cultural das civilizações antigas. Os povos da Antiguidade contribuíram à educação de hoje, portanto, o presente é a soma dos conhecimentos do passado. As primeiras civilizações apresentavam um processo educativo voltados à solução dos problemas cotidianos e, pois, como no passado, a educação é o caminho para o desenvolvimento de qualquer sociedade. A filosofia grega contribui para o desenvolvimento da educação, porém, vê-se que o processo educativo é ainda elitizado, como era nos tempos antigos.


Palavras-chave: História. Antiguidade. Educação.


1 INTRODUÇÃO

       Falar de história da educação é falar da própria história, com suas teorias e, consequentemente, do seu papel como ciência, representativa do passado das sociedades. Através dos tempos, o homem buscou formas de educar-se, quer para sua sobrevivência ou seu aperfeiçoamento cultural. Logo, foi através do acúmulo dos fatos históricos, que se observou o aprimoramento e o desenvolvimento da educação.
No que diz respeito à educação, ao longo dos séculos, as novas descobertas da ciência impuseram mudanças nos processos educacionais, por consequência, foi imposto ao ensino, a busca de alternativas aos problemas surgidos na relação: homem-natureza-sociedade.
       Portanto, percebe-se que a educação da Antiguidade, neste contexto, esteve nas mãos de uma seleta parte da sociedade, hoje, vê-se que o processo educacional é ainda seletivo as sociedades privilegiadas. Este fato revela-se que a educação é inerente à condição humana, dessa forma, educar é: transformar o homem, do modo selvagem, à inserção na realidade econômica, cultural e social. Entretanto, no que diz respeito ao ensino desses valores à humanidade, apesar de que a educação teve seu papel importante no crescimento intelectual, ela veio impregnada, ao longo dos séculos, da ideologia educacional das sociedades dominantes.

2 EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE

       A educação engloba o ato de ensinar e aprender. Na realidade, ela tem nos seus objetivos fundamentais, a busca contínua de transmissão dos saberes. Este fenômeno é observado em qualquer sociedade, pois ela é responsável pela manutenção e perpetuação das ciências humanas.
       O processo educativo passou e passa por constantes mudanças através da história das civilizações. Além disso, evidenciam-se “pedaços” de culturas antigas em nossa educação contemporânea, como afirma Marrou (1975, p. 4): A história da educação na Antigüidade não pode deixar indiferente nossa cultura moderna: ela retraça as origens diretas de nossa própria tradição pedagógica. Somos grego-latinos: o essencial da nossa civilização veio da deles: isto é verdadeiro, num grau eminente, para nosso sistema de educação.
       Pode-se afirmar que, a educação de hoje é o conjunto do desenvolvimento da educação do passado. Ela é fundamental para a transmissão dos valores das sociedades, pois qualquer nação que não prioriza a educação apresenta reflexos na vida social dos cidadãos.
A Idade Antiga ou Antiguidade foi o período que se estendeu desde a invenção da escrita (4000 a.C. a 3500 a. C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e início da Idade Média (século V). Neste período foi desenvolvido a escrita, o que propiciou uma maior fidelidade nos registros históricos das civilizações antigas, contudo esse processo deu-se devido às mudanças sociais. Logo que, o homem alterou seu modo de vida, de nômade para sedentário. Com isso, os grupos sociais se fixaram e começaram a desenvolver a agricultura, assim, deu-se o surgimento de uma nova sociedade humana.
       Consequentemente, o homem começou a permanecer em um mesmo lugar, à medida que surgiram pequenos agrupamentos e cidades, o que propiciou o desenvolvimento da economia, com isso, diversos povos se desenvolveram na Antiguidade, as civilizações hidráulicas (Egito, Mesopotâmia e China), as civilizações clássicas (Grécia e Roma), os Persas, os Hebreus, os Fenícios, além dos Celtas, Etruscos, Eslavos etc.
       Por isso, a Antiguidade foi um período muito importante, pois foi nesta época que se deu a formação de Estados e cidades. E ainda, algumas religiões tiveram origem nessa época, como exemplo: cristianismo, budismo, confucionismo e o judaísmo. Além do mais, o estudo da história começou, neste período, com Heródoto e Tucídides .

2.1 EDUCAÇÃO NA MESOPOTÂMIA

      Mesopotâmia é um vocábulo de origem grega, e que significa “Terra entre rios”, pois esse nome era usado para as áreas banhadas pelos rios Eufrates e Tigre e seus afluentes. A região compreende, atualmente, as terras do Iraque e uma parte da Síria. No período mesolítico, quando se iniciou o processo de sedentarização das populações nômades, então a região da mesopotâmia começou a ser ocupada. Têm-se os registros das primeiras civilizações, em torno de 400 a. C., mas também, é nesse período que se deu o crescimento das cidades e o aparecimento da escrita cuneiforme.
       Pode-se destacar que as contribuições provenientes dos povos mesopotâmicos, entre outros, foi a criação de um processo comercial, códigos jurídicos, escolas, princípios matemáticos e médicos, e principalmente, a invenção da escrita cuneiforme e construções de templos religiosos.
A escrita cuneiforme teve uma importância e status aos escribas, que para desenpenharem o ofício era necessário passar por umlongo tempo na edubba, local destinado à educação e treinamento dos escribas. Eles frequentavam a escola, desde a juventude até a idade adulta para adquirirem o status de profissionais. A partir da segunda metade do 3° milênio a.C. , houve um aumento no sitema escolar sumérico.
        Os sumérios desenvolveram sua civilização na região sul da Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre, área do Crescente Fértil. Esse crescimento escolar deu-se com a finalidade de formar os escribas para trabalharem nas tarefas econômicas e administrativas do reino e nos templos. A escola era no início, junto aos templos e depois nos palácios, que preparava escribas às necessidades dos palácios, assim, com o tempo o ensino escolar tornou-se um foco da cultura e do saber.
        Um dos ensinos na Mesopotâmia era a literatura, os poemas, obras literárias e os provébios e ditos populares que faziam parte dos trabalhos dos escribas, que serviam aos membros da realeza. A organização social era dividida em membros da família real, nobres, sacerdotes e numa esfera mais baixa ficavam os artesões, componeses e os escravos.

2.2 EDUCAÇÃO NO ANTIGO EGITO

       O Antigo Egito foi uma civilização que se desenvolveu no nordeste do continente africano, onde atualmente localiza-se o país do Egito.O Egito tem como fronteira ao norte o Mar Mediterrâneo, a oeste, o deserto da Líbia, a leste, o deserto da Arábia e ao sul, a primeira catarata do rio Nilo. A história do Antigo Egito iniciou-se por volta de 3150 a. C. e terminou em 30 a. C., quando o Egito sob dominação de outros povos se transformou numa província do Império Romano.
        A educação no Antigo Egito dá-se de forma emônica, repetitiva, baseado na escrita. Os ensinamentos são voltados à formação do homem político, assim, sua educação é direcionada à retórica. Observa-se, também, que a obediência aos estudos era primordial para não sofrer castigos.
Os estudos começavam bem cedo, pois esse povo era prático por natureza, logo, toda ciência era voltada às soluções do dia a dia. A matemática, como por exemplo, procurava soluções para as medições das terras ou construção de pirâmides. Os egípcios tiveram que desenvolver técnicas e ciências para resolver seus problemas cotidianos.
        Para Kant (1996, p. 20), "a educação prática e moral é aquela que diz respeito à construção do homem, para viver como ser livre [...] o qual pode bastar-se a si mesmo, constituir-se membro da sociedade". No Antigo Império, a educação visa o homem político, capaz de dominar a arte da retórica. As escolas eram utilizadas pelas classes dominantes para fortalecer e assegurar o seu poder. Também havia as escolas esotéricas e sagradas que formavam os sacerdotes. Os ensinamentos também eram, desenvolvidos através da fala, da obediência e da moral. Estes ensinamentos eram transmitidos sob a forma familiar, de pai para filho ou escriba para discípulo, porém a subordinação era constante e era necessário, às vezes, o castigo fazia parte da instrução. Já as classes menos favorecidas, não eram alfabetizadas, pois poucas pessoas sabiam ler e escrever.
        Quase todas as escolas funcionavam nos templos, pois os sacerdotes eram os únicos que podiam exercer a função de mestre. E, também, o regime escolar era de internato ou semi-internato e a família era responsável pela alimentação dos filhos. Como todo sistema pedagógico, a cultura egípcia evidencia-se na organização, portanto, a educação era voltada à transmissão dos saberes divinos. Já que o saber religioso representou, para os egípcios, o principal objetivo da educação.


2.3 EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA

       A Grécia Antiga compreendia as regiões do Chipre, Anatólia, sul da Itália e França, costa do mar Egeu, entre outros. Foi nessa região que se criou vários valores que hoje usamos em nosso mundo, assim, herdamos dos gregos, os conceitos de cidadania e democracia, a filosofia e os fundamentos da ciência e do teatro.
        A educação não era um sistema desenvolvido nem rigidamente definido, porém em geral, as mulheres até aos sete anos, eram educadas no gineceu, na companhia da mãe. Os rapazes, entre os 7 aos 14 anos, eram ensinados na ginástica e na música e no final do século V a.C. surge o professor de “grammatistés” para ensinar as crianças a ler e escrever. Esses educadores eram contratados pela família, que dependia do poder financeiro dos pais. Os alunos aprendiam a cantar e recitar os poemas antigos de Homero e Hesíodo , cuja filosofia era a tradição heróica com elevado conteúdo moral, como afirma Marrou (1975, p. 17): É de Homero que nossa história deve partir: é em Homero que começa, para não mais interromper-se, a tradição da cultura grega: seu testemunho é o mais antigo documento que podemos proveitosamente, compulsar acerca da educação arcaica. O papel de primeiro plano, desempenhado por Homero na Educação clássica, convida-nos, por outro lado, a determinar com precisão aquilo que podia já representar, para ele, a educação.
       Foi na Grécia que surgiu o termo pedagogia é de origem grega e deriva da palavra “paidagogos”, nome dado aos escravos que conduziam as crianças à escola. A Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia, até porque era justamente nessa região, que tem início as primeiras reflexões acerca da ação pedagógica, porque tais reflexões iriam influenciar por séculos a educação e a cultura ocidental.
       A filosofia grega levou, ao longo dos séculos, consequentemente, despertar o lado crítico da educação para o aperfeiçoamento do indivíduo na sociedade. No decurso da história da educação, a filosofia contribui na forma de pensar, refletir e interagir com o senso crítico. Percebe-se que ela é um instrumento aperfeiçoador da educação. Dessa forma, LUCKESI (1990, p.33) afirma: “a reflexão filosófica sobre a educação é que dá o tom a pedagogia e dos valores que, hoje, direcionam a prática educacional e dos valores que deverão orientá-lo para o futuro.” No mundo grego, a filosofia contribuiu à educação na busca do interagir o homem na sociedade, por isso, pode-se dizer que a educação grega tinha a finalidade do desenvolvimento do cidadão.
        Com esse fato, verificou-se o surgimento de uma modalidade de ensino, os sofistas. Eles eram uma nova concepção de educadores que ofereciam o ensino da virtude e da política, que transformaram a educação em uma arte. Por outro lado, nos séculos V e VI a. C., a cultura grega foi impulsionada pelas transformações sociais e econômicas e assim, surgiu um modelo de educação.
        A Paideia, que busca a formação do homem na vida social, política, cultural e educativa. Assim, essa nova concepção de educar constituiu a formação do homem como cidadão, buscado conhecimentos necessários de forma individual para que ele pudesse ter harmonia consigo e com a sociedade.
Pode-se destacar, neste âmbito, alguns filósofos gregos que deram suas contribuições à educação. Sócrates considerava que o homem deveria procurar conhecer a si mesmo, procurando elementos que o aperfeiçoasse na vida e na educação.
        Platão, um discípulo de Sócrates, não concordava que a educação fosse baseada nos heróis da época, mas que a poesia fosse limitada ao mundo artístico.
Aristóteles, discípulo de Platão, desenvolveu uma teoria educacional voltada ao realismo, que tudo tem uma explicação. Ele também elaborou a educação da imitação, como afirma (PILLETI, 1990, p. 35):
O que nos animais é apenas capacidade imitativa, no homem se converte numa arte. O homem se educa na medida em que copia a forma de vida dos adultos. Ele se educa porque atualiza as suas energias. Segundo a doutrina de Aristóteles, o educando é potencialmente um sábio e, com a educação ele converte em ato o que é suscetível de desenvolver.
        Portando, a educação formal teve início na Grécia antiga, com o descobrimento dos valores educacionais gregos, sob vários aspectos que coloca o homem no desenvolvimento da sua personalidade, no conhecimento da razão, inteligência crítica, liberdade individual e política.

2.4 EDUCAÇÃO NA ROMA ANTIGA

        A história de Roma foi desenvolvida numa região de economia baseada na agricultura e nas atividades pastoril. A sociedade da Roma Antiga era constituída por patrícios e plebeus e o sistema político era a monarquia. A origem de Roma é controversa, alguns historiadores dizem que foi fundada em meados do século VIII a.C., por uma mistura de povos itálicos que viviam na região do Lácio desde o século X a. C.; outros defendem que foi fundada pelos etruscos, que viviam ao norte, e ainda, temos o mito que diz que a sua formação se deve a Rômulo e Remo.
A cultura romana foi muito influenciada pela cultura grega, assim, os romanos adotaram muitos aspectos na arte, pintura e arquitetura. O cristianismo influenciou muito a educação de Roma, e aos poucos, a Igreja Católica se institucionalizou e o clero exerceu o domínio na educação.
       Segundo Giordani (1972), A educação familiar tornou-se decisivo na educação da criança, e aos sete anos a crianças eram influenciadas pelos pais, as meninas eram preparadas para os ofícios do lar, já o menino eram ensinados a seguir seus pais na aprendizagem dos segredos da vida pública e para o futuro profissional.
Quanto à escola secundária, os alunos estudam com os “gramáticus”, que os ajudava na perfeição da linguagem e dos estudos dos poetas clássicos. Os estudos superiores, naquela época, eram realizados no pátio ou em uma sala que objetivava a transmissão do conhecimento da oratória.

3 CONCLUSÃO

      Destaca-se que a educação da Antiguidade era privilégio das classes dominantes e que sua clientela era a elite social. Sabe-se que as influências dos povos da Antiguidade, como a filosofia, as artes plásticas, a arquitetura, o teatro, enfim, de muitas ciências do passado antigo deram origem às atuais ciências humanas, exatas e biológicas.
        A história da educação é fundamental para que se entenda a educação atual, pois a educação presente é ao mesmo tempo, pedaços do passado e preparação à educação do futuro. Ela nasceu como forma de ensinar e aprender, a princípio de modo espontâneo pela necessidade de sobrevivência; depois, se tornou elaborada para suprir, no contexto humano, a formação do indivíduo.
O estudo da historicidade educacional irá nos servir de alicerces para entender o presente, pois o caminho de uma educação ao pleno desenvolvimento do homem e do cidadão depende dos valores educacionais aplicado à sociedade.
       Portanto, o presente permitirá desenvolver uma nova forma de ver a educação do passado. As propostas emergem da realidade vivenciada na história, pois é reconstruindo os valores dos saberes que o homem progrediu no tempo.

4 REFERÊNCIA

GORDANI, Mário Curtis. História da Antigüidade Oriental. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1972.

KANT, I. Sobre a Pedagogia. Trad. Francisco Fontanela. Piracicaba: Unicamp, 1996.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1990.

MARROU, Henri-Irénée. História da educação na antigüidade. 4. ed. São Paulo: E.P.U., 1975.

PILLETI, Nelson. História da educação. São Paulo: Ática, 1990.
Robson Gomes Barbosa
Enviado por Robson Gomes Barbosa em 07/10/2012
Reeditado em 16/10/2012
Código do texto: T3920034
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Robson Gomes Barbosa
Tubarão - Santa Catarina - Brasil
136 textos (22289 leituras)
3 e-livros (97 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 29/11/14 05:19)



Rádio Poética