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VALORES DA UNIVERSIDADE LATINO-AMERICANA

VALORES DA UNIVERSIDADE LATINO-AMERICANA
PROFESSADOS E REAIS

Duas imagens opostas caracterizam a Universidade Latino-Americana. A primeira, um tanto irreal, acaba por colocá-la de forma a que ninguém possa vê-la com respeito ou agir com responsabilidade diante das lealdades quase absurdas, professadas por certo tipo de aluno. Refrões e frases retóricas insistem em colocar a universidade numa posição empírica, destacando-se utópicas atribuições quanto ao comportamento e os sentimentos humanos dos estudantes, algo impossível de ser atingido.
A falsa premissa de que o universitário vá conquistar para a pátria a prosperidade material, a facilidade espiritual, alegria intelectual e tranqüilidade moral, são definições que, antes de identificar a universidade com o universitário, só fazem aliená-la de si mesma. A universidade real com a impureza que os acadêmicos tradicionais preferem desconhecer, conhecendo-os, é cheia de elementos inconformados e descontentes que a tornam incômoda e perigosa, passível de transfigurações.
O ensino superior na América Latina e em particular, no Brasil, não é nada alentador. Pelas estatísticas depreende-se que, relativamente à universidade nos Estados Unidos, estamos atrasados mais de 50 anos e até com relação a alguns países da América Latina, a Argentina, por exemplo, estamos bem aquém.
A desproporção gritante da oferta do ensino superior no Brasil, fica evidenciada ao constatarmos que em 1960, com 70 milhões de habitantes, dispúnhamos de 100 mil estudantes matriculados em curso superior. Em 1900 os EUA com a mesma população de 70 milhões já chegavam a 240 mil estudantes em cursos superiores.
Em 1965 a Argentina tinha uma proporção de 95 matrículas para 10 mil habitantes, a Venezuela, 46 para 10 mil e o Peru, 59 para os mesmos 10 mil.
Esses números evidenciavam que o Brasil é muito carente de universidade. Dai o ensino superior abrigar uma pequena elite em detrimento do desenvolvimento da cultura e do próprio desenvolvimento social brasileiro, por extensão.

A OUTRA IMAGEM

Para os agentes da modernização reflexa a universidade é um conglomerado educacional que habilita uma juventude de elite, ao exercício profissional liberal, ao governo ou empresas produtivas, sendo ainda uma instituição social que consolida a ordem vigente, consagrando e difundindo a ideologia da classe dominante.
Algumas universidades européias, em circunstâncias históricas especiais em períodos de intensa transformação social, passaram a ser agentes de integração cultural e unificação nacional (França de Napoleão Bonaparte) - órgãos formuladores de ideologias nacionais, definidores dos caminhos do desenvolvimento autônomo (Universidade alemã do século XIX), instituições incorporadoras e difusoras do saber científico e tecnológico na cultura nacional em prol da superação do atraso (Universidade Japonesa) e instituições que programaram a preparação de cientistas tecnólogos e profissionais ideologicamente preparados para a transformação revolucionária da sociedade, a exemplo da universidade soviética.
As políticas públicas, as metas a serem alcançadas e as verbas  públicas consignadas em orçamentos pluri-anuais, tanto federais quanto  estaduais para a universidade pública e gratuita, deixam a desejar.
E não faltam argumentos demagógicos de financiamentos salvadores, que contemplam parte insignificante da demanda estudantil oriunda do 2º grau, como soluções mágicas para a inserção da classe menos favorecida no ensino superior. Na verdade, a política de inclusão da criança na primeira infância, ainda encontra resistência no governo do ano 2005, quando os discursos se afastam cada vez mais da prática. E se não há política para a infância, como pensar na inserção dos adolescentes numa escola pública de qualidade e ainda mais em nível superior? Estas indagações não chegam a sensibilizar o nosso governo, infelizmente.
Mesmo com a criação de algumas universidades neste ano de 2005, o governo não sinaliza para uma melhor distribuição da riqueza intelectual no Brasil. As universidades públicas existentes estão sucateadas, os professores são mal remunerados e os alunos pensam em terminar o curso e prestar concurso público para garantia do seu futuro. Assim, a concepção da primeira parte destas nossas reflexões soa como totalmente falsa.
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 01/08/2005
Código do texto: T39433

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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