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A LITERATURA NACIONAL

Após o descobrimento do Brasil, houve um extenso período em que as manifestações artístico-culturais da metrópole portuguesa eram praticadas em nosso meio, inclusive fazendo parte do trabalho catequético de padres e professores portugueses.

A literatura portuguesa e seus expoentes, desde Luis de Camões, com o poema épico "Os Luzíadas", Antero de Quental, Eça de Queiroz e tantos outros. Até que, na Bahia, surgiria o poeta Gregório de Matos e Guerra, também conhecido por "Boca do Inferno", autor de um grande poema, recentemente musicado por Caetano Veloso, intitulado "Triste Bahia" - "Triste Bahia/ ó quão dessemelhante..."

O poeta seiscentista Gregório de Matos e Guerra era mestre em poesia satírica e todo o seu trabalho é baseado em crítica mordaz e impiedosa aos costumes locais e aos erros do governo português, o que lhe valeu doloroso exílio na África e a proibição de voltar para a Bahia, após o cumprimento da pena. Já velho, de volta do exílio, triste e deprimido passou a residir em Pernambuco, onde veio a felecer.

O Padre Antonio Vieira deixou compendiados os seus "Sermões" que são pura filosofia e literatura de grande qualidade e esmero, na forma e estilo.

A escravidão e as lutas pela liberdade política e pela liberdade de expressão, inspiraram grandes poetas, a exemplo de Antonio Frederico de Castro Alves, que realizou uma obra magnífica, toda ela dedicada ao combate à escravidão no Brasil. Castro Alves escreveu grandes poemas dedicados a suas musas, que acabaram famosas, a exemplo da atriz Eugênia Câmara. Poemas líricos e românticos de inestimável valor que o colocaram no pedestal entre os maiores poetas da América e o maior em seu tempo. Vozes D'África, Navio Negreiro e tantos outros poemas que se juntaram a sua obra Espumas Flutuantes.

Castro Alves faleceu muito jovem, aos 24 anos incompletos, em Salvador. Natural de Cabaceiras, então município de Muritiba, iniciou o curso de direito no Recife, transferindo-se para São Paulo, onde sofreu um acidente, levando um tiro de espingarda no pé, enquanro caçava; isto lhe valeu a amputação do pé atingido. Posteriormente, contraiu uma tuberculose que o levou ao leito de morte aos vinte e três anos. Em seu poema AMÉRICA êle ensina:
"Ó bendito que semeias/ livros, livros à mão cheia/ e manda o povo pensar.../ O livro caindo n'alma/ é germe que faz a palma/ é chuva que faz o mar.../

Não se pode falar em literatura brasileira e esquecer de Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga, que foram os poetas da Inconfidencia. Muito menos a obra do grande artista - escultor Aleijadinho, de Congonhas do Campo e sua vasta obra pelas igrejas de Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e tantas outras cidades mineiras.

Por outro lado, figuras como Casimiro de Abreu, Machado de Assis - fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, exímio no linguajar erudito da língua portuguesa, José de Alencar e sua obra brasiianista, entre outros.

O grande poeta Augusto dos Anjos e sue livro "EU", que dizia em O Beijo - "O beijo é véspera do escarro/ A mão que afaga é a mesma que apedreja.../Escarra na boca que te beija.../

Já no século XX, desponta a grande obra Os Sertões do engenheiro e jornalista Euclides da Cunha, considerada a maior e mais fiel obra sobre Canudos e o beato Antonio Maciel, O Conselheiro. Esta obra relata o maior genocídio praticado pelo governo republicano contra os humildes brasileiros que habitavam os sertões nos confins das caatingas desérticas de Canudos, no Raso da Catarina, terra que ainda hoje a ninguem é dado o desejo de morar...

À época, Antonio Conselheiro era acusado de ter criado uma comunidade anárquica, o que representava sério risco para a incipiente república. Uma carnificina infame perpetrada contra o povo nordestino pelas forças federais e estaduais, com o aval da igreja católica.

O autor da epopéia, Euclides da Cunha, foi morto a tiros pelo amante da sua esposa, no Rio de Janeiro.

A Semana de Arte Moderna, que aconteceu em 1922, marca uma nova era nas artes brasileiras, revelando escritores, artistas plásticos, pontificando entre os escritores, Osvald e Mário de Andrade, Carlos Drumond de Andrade, Manuel Bandeira, entre outros tantos.

Tarsyla do Amaral, Di Cavalcante, Cândido Portinari, entre os artistas plásticos mais famosos.

No século XX, despontam Jorge Amado, Cecília Meireles, J. G. de Araújo Jorge, Jansen Filho, Guilherme de Almeida, Graciliano Ramos, Euríclides Formiga, João Guimarães Rosa, João Cabral de Mello Neto, José Lins do Rego, entre outros. Já no final deste século, poetas como Affonso Manta, Ruy Espinheira Filho, Flávio Jarbas Vasconcelos, Camilo de Jesus Lima, Jesus Gomes dos Santos, Carlos Napoli, escritores da estirpe de Érico Veríssimo, Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Edivaldo Boaventura, José Berbert de castro, Wilson Lins, Waldir Freitas de Oliveira, Walfrido Moraes, Américo Chagas e tantos outros. Na atualidade, um sem número de poetas e escritores de várias tendências enriquecem as letras brasileiras e valorizam o SER que nestes tempos de "farinha pouca, meu pirão primeiro" deixa uma visão negativa do nosso povo...
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 11/08/2005
Reeditado em 04/03/2009
Código do texto: T41853

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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Ricardo De Benedictis