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LINA ZERÓN, ESTRELLA DEL PATIO TRASERO

                 EL PATIO TRASERO

                                            Lina Zerón(1)
       
“Tan lejos de Dios y  tan cerca de Estados Unidos”

Nunca lo supe pero ahora dicen que nací en un patio trasero
más viejo, mas antiguo que los árboles mas altos del norte
con más historia que la siniestra casa blanca de enfrente.
Aquí la hierba se cultiva con indigno y contento desorden
para que allá la consuman y disimulen sus conciencias
mientras sus hijos empuñan armas en los colegios
y sus padres empuñan armas en los mercados,
mientras las  madres pintan de sal las bolsas negras
y el amo de casa practica golf cada mañana.

Vivimos en el patio trasero más grande del mundo
pero no conocemos el miedo del ántrax
ni el detector de metales para niños,
ni el miedo silenciado con drogas militares
ni arco iris de alarmas sonando en la noche
ni los aviones, mortíferas aves, son escoltadas por Rambos.

En nuestro patio trasero crece el maíz sin pesticidas
los huevos son de gallo y de gallina,
las vacas engordan con forraje y no con las hormonas.
Poseemos flores, remedios, recursos naturales
y un sin fin de tradicionales comidas:
mole, arepas, asados, moros con cristianos, cara pulcra,
postres de frutas frescas y frutas cubiertas de azúcar,
dulces de coco, de leche, membrillo, guayaba…

Y uno que otro Mac Donals.

Hay rosas, claveles, azucenas, gladiolas,
hortensias, margaritas y para los novios: azares;
Y en años pasados la bella amapola que ahora es prohibida
porque el amo del norte la usa para hacer drogas finas.

Remedios son la ruda, romero, la cola de caballo, los pelos del elote,
el clanchichinole, mate y para los enamorados: el toloache.

Tenemos ríos, lagos, mares de verdes y azules tonalidades,
playas de arena dorada, blanca y morena.
Volcanes, bahías, ensenadas, cascadas, desiertos,
ojos de agua, cenotes, selvas y bosques.

Ciudades prehispánicas, coloniales, modernas, modestos pueblos
y grandes zonas industriales.
Oro, plata, petróleo, hierro, cobre, uranio, la mano creadora del artesano y brillantes cerebros.

Aquí no se fabrican poblados enteros con jardines artificiales
habitados por rostros de plástico con dinero de plástico
que piden para llevar su comida de plástico en dogui bags.

Pobres vecinos del norte que dependen para vivir de los recursos
de este hermoso, vasto y altivo patio trasero.
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(1) Articulista. Poeta. Ativista cultural. Internauta. Editora. Nascida na cidade do México, 1959. Licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Nacional Autônoma do México. Diretora geral de Linajes Editores. Escolhida “Mulher do Ano 2002”, no município de sua residência, Tlalnepantla, por sua trajetória poética e atividades culturais. Colaboradora da seção cultural em diversos meios de comunicação, como o jornal El Financiero y el Excelsior. Sua poesia foi traduzida para vários idiomas, ressaltando o inglês, francês, italiano, alemão e o português. Membro do comitê organizador do encontro de Mulheres Poetas no País das Nuvens, Oaxaca, México. Integra o comitê organizador do Festival de Poesia de Havana, Cuba. Editora e diretora da revista eletrônica de poesia “Entre Amigos”: www.entreamigos.com.mx
Correio eletrônico: linajes-editores@att.net.mx
Página web: www.linazeron.com
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A propósito do poema EL PATIO TRASERO(acima publicado)

         
         LINA ZERÓN, ESTRELLA DEL PATIO TRASERO(2)

                                           Joaquim Moncks

Agradecendo a fraternidade e sua memória, referentes ao encontro de escritores e artistas plásticos, ocorrido em Montevidéu de 04 a 09 de abril de 2005, promoção do Centro Hispanoamericano de Artes, Ciencias y Letras - CHADAYL, faço seus registros. Na verdade, a mestra anfitrioa foi Raquel Martinez Martinez, coordenadora, que soube propor a agregação de todos. Competência e agilidade supriram eventuais lapsos. O amor à causa da paz produziu até uma coletânea internacional reunindo artistas plásticos e poetas.
Tudo sem nenhuma participação efetiva do governo, autoridades e agentes. Em nenhum momento se ouviram suas vozes. No máximo, a cedência de locais para a realização dos atos do conclave, como sói ocorrer aqui no Brasil de Deus. Talvez porque, segundo dizem alguns ressabiados, o papel do Estado é tão somente fomentar as ações culturais!
Às organizações não governamentais cabe tocar o barco em matéria de cultura, sem nenhum aporte financeiro! Às favas os interesses representados!
Mas o toque de oralidade e graça ficou com o México, pessoalizado em Lina Zerón, poeta, articulista e editora. A ela coube a abertura do evento, no Palácio Legislativo, salão dos Passos Perdidos, materializada na leitura de um poema a que chamou “El patio trasero”, onde o mote foi a recente declaração do Ministro da Economia do Senhor George Bush, referindo-se ao México, América do Sul e quejandos:
“O pátio traseiro dos EEUU não é somente o México e, neste momento histórico, se estende até a Argentina!”.
Na voz da poeta, seu texto forte, pulsante, eivado de indignação, espada sobre a cabeça dos injustos, curiosamente permanece, dialeticamente, (em quem tem a alegria de a conhecer) o poético olhar agridoce sobre o mar dos excluídos: o compromisso maior com a causa de mudar o mundo, transfigurá-lo, fazendo da poesia um instrumento vário de justiça social.
Não como diria Álvaro de Campos, heterônimo filosófico em Fernando Pessoa, em nossa língua mater: “e o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu”. (poema Tabacaria, de 15 de janeiro de 1928). O personagem conservador era o Esteves, sem metafísica. Nele, o mundo se acaba, porque não pensa e não sabe agir. Para ele, as situações nasceram assim e devem permanecer tal qual.
Lina Zerón, escritora, é o pólo dialético assumido, a antítese que reconstrói, ou, se não o faz, ao menos produz a centelha para aquele que deseja compartilhar do mundo em que vivemos. São raros e preciosos estes espécimes. E o poeta tem de ser mestre na arte de persistir solidário na caminhada dos que sabem que tudo é efêmero, restando somente a matéria da vida transfigurada. Aquela que vive e se registra no coração do amado irmão, à risca do conceito bíblico.
Só este sentir e o agir coerente podem vir a construir a sociedade da mais-valia, cooperativa de amor pelo terceiro, compadecimento e registro na mais perene voz do homem: sua palavra de ternura, a Poesia!
Amada e sensível escritora Lina Zerón, obrigado por tudo pelo que fecundaste em nós durante a breve estada no Uruguai. Permaneces em todos, mas em mim ficaste como estrela dos céus mexicanos pousada na terra dos negros, charruas e gaúchos formadores da raça. Que possas iluminar sempre os excluídos, inquietos e ansiosos. Só assim a vida se justifica prazerosa, útil.
Com estas pobres palavras, mas ornadas de pessoalidade, saúdo a tua existência em nosso meio associativo, ansiando por rever a luz e o anfiteatro que criamos para além da precariedade da vida. Como bem podes ver, tua pessoa é preciosa fonte de inspiração, de saudade enrodilhada em posição fetal, aninhada no colo de quilométricos espaços.
Que os teus queridos em México e em outras terras possam sempre te saber viva, ó estrela do Patio trasero! Estrela aportada no rincão meridional, no sul do mundo, o meu gênio claudicante de fé chora no teu canto, charla, Pátria!
Mas também não me considero o “Esteves, sem metafísica”. Faço a minha parte. Reconstruo o mundo pela palavra, em tudo aquilo que ele possa  ser hostil ao meu espírito.
Os políticos, os donos do poder, que façam o resto no plano da realidade. A mim cabe vaticinar os desejos de mudança, gerir na alma humana a geratriz dos fatos, que morrem e se renovam. Desafio para aqueles que querem efetivamente mudar o mundo.
De resto, é o coro dos anjos sofridos.
____________________________________________________________(2) In Revista CAOSÓTICA, ano I, nº 02, Porto Alegre, Junho 2005, p.18:9.
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 12/08/2005
Reeditado em 12/08/2005
Código do texto: T42045
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709744 leituras)
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Joaquim Moncks