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O porquê das manifestações

Muitos cidadãos brasileiros estão assustados com as manifestações que estão acontecendo no país, de norte a sul. Alguns, precipitadamente, criticam de forma negativa a postura dos manifestantes; outros aguardam mais um pouco para tomarem partido. Enquanto isso, o povo está nas ruas do Brasil para expressar sua indignação com os inúmeros descasos sociais. O aumento das passagens do transporte coletivo em algumas capitais serviu apenas como um copo d’água para desentalar a nação brasileira.
Fiquei decepcionado com um grande escritor do nosso país, o qual em seu comentário tachou os manifestantes de ignorantes politicamente. É estranho ouvir o cronista Arnaldo Jabor mencionar em seu discurso a ideia de vazio sobre a postura dos militantes. Não o bastante, o cronista afirmou que os reivindicadores não sabem nem por que lutar. Não precisamos fazer muito esforço para nos lembrarmos de algumas espinhas que ficaram engatadas em nossa úvula. O país acabou de acompanhar o desfecho do mensalão o qual apontou os condenados, no entanto, estes não foram punidos e, tão pouco devolveram aos cofres públicos o dinheiro que o povo brasileiro enxertou no governo por meio de altíssimos impostos.
Além disso, ano passado, houve diversas greves a nível federal, dentre elas a greve nas Universidades. Quantos profissionais recém-formados perderam a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho porque naquele período ainda não haviam concluído o curso? Em função de que? Da incompetência do governo que não soube dialogar com o corpo docente. Hoje, estamos vivenciando o caos no Ensino Superior, principalmente aqueles que se formam este ano. É Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido em um curto período, é disciplina de estágio obrigatório, sem falar na jornada de trabalho que muitos universitários cumprem, porque além de estudantes são trabalhadores também. Por que o ministro da educação, o Sr. Aloizio Mercadante aguardou mais de 4 meses para intervir na greve?
Bem, meu caro escritor, penso que ainda há tempo de você repensar suas palavras e produzir mais um texto ao seu estilo: reflexivo, mas que não distorça a imagem do povo brasileiro cansado de ser enganado. O povo não realiza manifesto porque acha bonito ser rebelde, mas sim porque sabe que foi por meio de manifestações que a juventude dos caras pintadas conquistaram algo. Não acho estranho que os jovens de classe média alta estejam unidos aos de classe média baixa para reivindicarem por melhorias em todos os setores sociais. É bem verdade que vinte centavos não fará a diferença no bolso da classe média, mas sem dúvida nenhuma fará no bolso dos estudantes universitários de baixa-renda, do trabalhador assalariado, dos estudantes do ensino básico os quais – muitas vezes – dependem da renda de seus pais para usufruírem dos transportes coletivos.
Precisamos deixar bem claro que as manifestações não são exclusivamente contra a presidente Dilma Rousseff, e sim contra todos os dirigentes do governo que ainda constroem a política do descaso social. Gostaria que este momento de lucidez do povo brasileiro perdurasse por mais tempo no país, pois uma nação que tem os “filhos que não fogem à luta” não pode, jamais, acomodar-se diante do inimigo chamado corrupção. O que mais me impressiona é que a nossa presidente já foi um desses filhos combatentes no passado, quando no regime militar, lutava por liberdade de expressão. Mas ainda assim, senhora presidente, não deixo de lhe agradecer pelas suas lutas no passado as quais tanto trouxeram benefícios para a sociedade do hoje. Entretanto, a senhora precisa enxergar melhor, pois no seu período de militância a tortura era uma das formas de reprimir os opositores dos generais, hoje, a repressão é marcada pelo “ardume” dos sprays de pimenta utilizados pela polícia militar. Contudo, é bom deixarmos claro que com ou sem o ardume, as manifestações irão acontecer. “Brasil! Ame-o e manifeste-se!”
Robson Rua
Enviado por Robson Rua em 18/06/2013
Código do texto: T4347975
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Robson Rua
Belém - Pará - Brasil, 28 anos
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