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Texto

CARÁTER E INTELIGÊNCIA

“A relação literária necessita ter dois polos para que se possa instaurar. Sem o sentir do outro não ocorrerá a bilateralidade estética e nem teremos efetiva comunicação poética. Por esta razão é que proscrevo tanto a personalização do escrito, que é o resultado da possessão e do egoísmo do autor. O "eu" exclui o "nós"... Na maioria das vezes o chamado “eu poético” não se estabelece; o que transparece – vivamente – é o personagem ególatra subjacente... É necessário que se abra uma janela de prazer e gozo àquele que é o outro polo do processo de fruição: o leitor. Também por esta constatação é que sinto tão perceptível e viva a Confraternidade, na literatura poética... Estamos neste mundo, gregariamente enlaçados ao irmão. Por ele e por mim, para vivermos em paz... A Poesia provém do coração humano como um lírio que nasce do solo aparentemente pútrido: um convite nascido de palavras, gestos e atos para que se inaugure a felicidade como verdade plena. Obrigado por me permitires esta reflexão, porque tu és seiva de estimulação... E se não me fosses fraterno, jamais eu criaria esta interlocução. Porque estas pobres e tontas garatujas nascem do afeto e da alta consideração – hosanas à figura convidativa que representas em mim. Estamos aqui, por poetas, exercitando o que há de mais imanente à criatura: sua ternura e capacidade de transmutar o mundo para vir a ser feliz. A si próprio, com os olhos voltados para o próximo. Recria-se a figura crística em nós a todo o momento. E o poema, por vezes, em sua origem, são os antigos tropeços na “via dolorosa”... Joaquim Moncks, in A FLOR DO CORAÇÃO.

– Do livro A FABRICAÇÃO DO REAL, 2013.
http://www.recantodasletras.com.br/mensagens/4454218

– Marilú Duarte, por e-mail, em 03/09/2013.

“A relação literária necessita ter dois polos para que se possa instaurar.” Importante é destacar que todo o escritor é, antes de tudo, um leitor, e muitas de suas ideias são gestadas e absorvidas graças a textos e reflexões armazenadas no mecanismo da memória. Diante disso, de forma contagiante, há uma busca de conhecimentos, ideias, criações e permutas hauridas nesse espaço interdisciplinar e constelar do que está posto à disposição, em especial no campo da literatura. Pode-se dizer que a escrita terá sempre um DNA de outro, por isso ocorre um gestar contínuo de memórias que se diversificam de acordo com a criatividade de quem a está possuindo no ato de criação. O leitor, nesse processo, nunca será um ser inerte ou passivo, absorvendo através da leitura as proposições de quem escreve, principalmente nas questões onde as diversidades de ideia se manifestam, surgindo deste modo a possibilidade de, através do enriquecimento cultural, reavaliar a visão de mundo. Exatamente aí é que acontece o mágico interagir com o autor, seja atribuindo um novo sentido ao que produziu ou questionando a realidade, mesmo que não diretamente, e fazendo o juízo de validade do que está sendo posto aos seus olhos. O mesmo acontece com a natureza psicológica da pessoa, que é o conjunto das relações sociais que se tornam funções da personalidade e das formas de sua estrutura criadas no coletivo. A personalidade é algo mutável, devendo ser considerada no seu “devir” e no seu desenvolvimento. Vejamos: ... “E o poema, por vezes, em sua origem, são os antigos tropeços na “via dolorosa...”. Todos nós possuímos uma personalidade em construção contínua, onde a vivência da experiência ou vivência do eu sensorial e visceral é extremamente significativo. O ideal seria possuirmos uma personalidade equilibrada, suportando as frustrações do dia a dia e aprendendo a conviver com as diferenças. Porém, não é isso o que normalmente ocorre... A personalidade, que nada mais é do que a “organização dinâmica dos aspectos cognitivos, afetivos, fisiológicos e morfológicos do indivíduo”, representa a integração de um componente afetivo – o caráter – e de um componente cognitivo – a inteligência. Nossa reação às distintas situações, portanto, dependerá da etapa de nosso desenvolvimento intelectual e nossas condições emocionais. É importante destacar e não esquecer nunca, que todos nós somos o que lá na infância adquirimos e o que ainda poderemos vir a ser, desde que saibamos o que somos e o que no momento representamos. Marilú.

– Do livro O IMORTAL ALÉM DA PALAVRA, 2013.
http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/4464979
Joaquim Moncks e Marilú Duarte
Enviado por Joaquim Moncks em 03/09/2013
Reeditado em 03/09/2013
Código do texto: T4464979
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 67 anos
2173 textos (605939 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/04/14 11:22)