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Serpentes

Morro de mêdo. Estranhamente têem algo que me magnetiza.
O cientista vê o ondular senoidal de seu deslizar, matemáticamente.
Já o poeta descobre o "S" da sensualidade.
Serpentes e cobras não escutam e aí está o encanto dos flautistas. Eles são secularmente lendários.
Qual incauto, diante de uma naja, não desejaria a presença de um encantador do que de Deus? Bem, há uma Bendita Santa consegue pisoteá-las.

Meu temor por serpentes se deve também ao caledoscópico das cores pelo corpo, que me deixam estático, à mercê.
Me levam aos tempos do psicodelismo quando eu pensava em "abrir as portas da percepção".
Mesmo armado eu não saberia me defender. Em suma, já sou vítima de qualquer cobra. Não tento mais procurar em livros de auto ajuda minha salvação e nenhum psiquiatra jamais me curará. Aceito minha sina de ser vítima de temor às serpentes como é inevitável a velhice.
Agradeço a elas porém por desmascarem os encantadores. Quantos formadores de opinião e marqueteiros não seriam encantadores de serpente?
Definitivamente nenhum bicho da fauna terrestre é tão sinistro, encantador e por si só enigmático.
A biblia a condenou à figura do mal. Os gregos a agregaram à medicina e ao comércio e o Instituo Butantã lhes tira a cura da própria peçonha.
Sim, as serpentes são como um aviso ao aprendizado e formação de caracter: o mal existe, é silencioso, faz parte da natureza humana. O antídoto é saber de sua existencia.
Portanto, não devemos nos aproximar do encantador pra saber seu segredo.
Não há segredo algum.
Raferty
Enviado por Raferty em 01/09/2005
Código do texto: T46817
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Sobre o autor
Raferty
Santos - São Paulo - Brasil, 58 anos
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Raferty