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J'Accuse!

Eu acuso e determino a imediata apreensão dos bens dos comerciantes desonestos, que alteram as balanças, que fraudam os combustíveis, que tiram a camisa do pobre já de olho na sua cueca, e depois querem pousar de bonzinhos, fazendo obras de caridade sob os holofotes da mídia, que compactua com esta podridão.

Eu acuso de incoerente quem se dirige à população e nega o seu passado, afirmando: “Esqueça o que eu disse”.

Eu acuso de maldito, quem nega suas origens, promete um Brasil de esperanças, em uma cartilha  para o povo, traindo-o depois, ao dizer: “Esqueça o que eu escrevi”.

Eu acuso os celibatários tarados, que quebram os votos sagrados e abusam das nossas crianças sob as bênçãos da fé.

Eu acuso quem se regala com os bens do país, praticando gastos exorbitantes em benefício pessoal, mas deixa a população indígena morrer de fome.

Eu acuso de corruptos, os que desviam recursos da previdência pessoal e deixa nossos idosos morrerem, nas filas de postos de saúde e hospitais.

Eu acuso os traficantes e os condeno a prisão perpétua, por aliciarem nossas crianças e nos devolverem monstros aptos a matar por causa de um grama de pó.

Eu acuso de comedores de carniça, quem devora todos os programas televisivos e crê no que a mídia tendenciosa impõe a quem não pensa, a quem não critica, a quem não esboça reação própria, sendo levados como gado aos matadouros.

Eu acuso de hipócritas, os artistas que cobram preços absurdos por sua obra, tornando inviável a sua aquisição pela população, e querem coibir a pirataria.

Eu acuso de nazista quem quer impor a sua crença, sua ideologia, violentando a liberdade de pensamento da maioria, contrariando os bons costumes.

Eu acuso de monstros, quem acenando com seu dinheiro sujo, violenta a inocência das nossas crianças. Para aqueles determino que os coloque em cadeias, e que sintam na pele, ou melhor, naquele lugar, a justiça que há entre nossos presos.

Eu acuso! Podem me tirar o espaço para divulgar a verdade, a verdade dói para quem está acostumado com a mentira. Podem calar-me, prender-me, processar, mas não poderão calar a minha consciência.

Eu acuso, quem absolve?
Juraci Rocha
Enviado por Juraci Rocha em 21/09/2005
Reeditado em 25/09/2005
Código do texto: T52589

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Sobre o autor
Juraci Rocha
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Juraci Rocha